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A Crise da Aviação Civil e as Perdas do Turismo na Ótica do Movimento Asas da Paz
Palestra do Presidente do Movimento Asas da Paz e Membro do Conselho de Turismo
da Confederação Nacional do Comércio - CNC,

Comandante João Flávio Pedrosa, Presidente da Sociedade Náutica Brasileira
realizada em Junho de 2003 nas dependências daquele Conselho de Turismo.
" Quero agradecer a presença de todos.
Conseguir reunir, na véspera de um feriado, uma platéia tão importante significa que o tema é importante. Entendo que eu não seria a pessoa mais indicada, dentre os presentes, para falar sobre a Aviação Civil. Afinal, temos aqui entre nós um Ministro da Aeronáutica que poderia nos brindar com informações bem mais lúcidas do que aquelas que pretendo ensaiar junto a este Conselho. Entretanto, estaremos aqui falando sob a ótica do Movimento Asas da Paz, que, por uma circunstância da vida, eu coordeno no Brasil, em contato com outras organizações internacionais. Fui tocado por uma série de situações convergentes, não apenas depois do 11 de setembro, mas, certamente, com muito mais força a partir daí.

Como estaremos falando de uma crise da Aviação Civil, quero iniciar exatamente por um histórico.
Em abril de 1993, o Presidente dos Estados Unidos e o Congresso Americano, preocupados com a crise em suas empresas aéreas, que haviam perdido dez bilhões de dólares nos três anos anteriores, criaram, por meio da Lei Pública 103/13, a Comissão Nacional para Assegurar uma Indústria Aérea Forte e Competitiva.

Vejam que não estamos falando de 11 de setembro; não estamos falando de 2001; estamos falando de 1993, fazendo referência a prejuízos acumulados naquela indústria, desde 1990.
Os princípios que nortearam as recomendações do governo americano naquela comissão foram:
     

a) O sistema de transporte aéreo dos Estados Unidos deve ser eficiente e tecnologicamente superior.
Vejam bem: superior. O que significa que eles tinham como referência a eles próprios e queriam, ainda assim, manter essa superioridade.
b) O sistema de transporte aéreo deve ter o poder financeiro para responder a mudanças rápidas de cenários.
Essa capacidade de resposta a mudança de cenários passa, evidentemente, pela capacidade financeira.

Se falamos, hoje, de uma crise na Aviação Civil, estamos falando da incapacidade de responder a essas mesmas mudanças de cenário.
Nessa comissão, portanto, uma das metas seria exatamente essa: o sistema de transporte aéreo dos Estados Unidos deve movimentar pessoas, produtos e serviços de maneira eficiente; e aí, complementamos, para mercados onde quer que eles existam.

Começamos a falar, evidentemente, de uma capacidade poderosa de investir para atravessar os céus e chegar onde fosse necessário chegar para atingir mercados, onde quer que eles existam. Isso consta de um planejamento governamental de uma das nações mais ricas do mundo, na proporção de sua potencia.
E é evidente que isso interfere diretamente em qualquer outro planejamento, em países de menor tamanho, de menor envergadura, com menos condições ou menos capacidade de obter vontade política para ação.

Vamos fazer algumas reflexões.
A concorrência é global e pode ser pesada. Ela pode ser contraproducente para todos e pode ter conseqüências sociais que precisam ser evitadas ou atenuadas. Estou me referindo a um planejamento que, de imediato, mostrei a vocês, não é o nosso planejamento, não é um planejamento existente na nossa Aviação Civil.
Esse planejamento para afrontar mercados, agressivamente, chegando onde quer que estejam, é um plano de 1993.

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