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A Crise da Aviação Civil e as Perdas do Turismo na Ótica do Movimento Asas da Paz
Palestra do Presidente do Movimento Asas da Paz e Membro do Conselho de Turismo
da Confederação Nacional do Comércio - CNC,

Comandante João Flávio Pedrosa, Presidente da Sociedade Náutica Brasileira
realizada em Junho de 2003 nas dependências daquele Conselho de Turismo.
Os governos devem, portanto, voltar a perceber a existência das questões práticas. Não estamos lidando apenas com material de transporte - o avião em si: estamos lidando com uma rede imensa de situações que precisam ser devidamente avaliadas; e todas elas tem um caráter prático.

O Movimento Asas da Paz não pretende examinar, nesta reunião, casos isolados. Eu gostaria de falar, aprofundando-me no caso Varig. Gostaria de estabelecer um confronto de idéias em relação ao caso TAM, Transbrasil, Vasp e assim por diante. Entretanto, é importante que tenhamos em mente que o detalhamento vai exigir um tempo de que não dispomos, no momento, aqui no Conselho.
Exatamente por isso é que nos propomos, pelo Movimento Asas de Paz, a realizar novos encontros e, aí sim, verticalizar todas as questões que aqui serão levantadas. Vamos procurar enfrentar, não apenas mostrar, a questão da extensão total dessa situação de crise, que não é apenas de uma empresa.

Ela pode estar instalada em qualquer empresa e pode impactar e mesmo criar, sob forma sistêmica, uma atuação multiplicadora em todas as demais.
Os fatos de caráter psicológico são sobejamente conhecidos: quando uma loja de móveis no Catete quebra, várias outras lojas de móveis no Catete tem prejuízo. Isso, observado sobre uma outra ótica, é um fenômeno sistêmico.
E estamos atuando sob forma sistêmica na Aviação Civil.

O Movimento Asas da Paz também não pretende estabelecer a cronologia da crise. Eu citei 1993 e gostaria de não fazer referência a uma série de outras ocorrências de lá para cá. Deixo isso para o plenário, para que, mais adiante, possamos, então, estabelecer, na medida do conhecimento de cada um dos membros do Conselho e dos demais que nos assistem, a possibilidade de estudar essa parte cronológica sob uma outra ótica.

O que não podemos é permitir que essas experiências ocorridas no passado na Navegação Marítima, produzindo efeitos sobre os nossos estaleiros, ocorram também na Aviação.


Não estamos pensando apenas na nossa Aviação.
Quando o Movimento Asas da Paz se refere à Aviação Civil, como eu disse, ele observa de forma sistêmica esse setor.
Como sabemos, a crise, usando apenas essa palavra, não é apenas do setor da Aviação Civil e nem foi iniciada dentro do setor da Aviação Civil.
A crise, desde que eu era pequeno e comecei a ouvir a palavra - e lá se vão mais de 60 anos -, era sempre citada em função da guerra ou por qualquer outra razão.

Entretanto, essa crise atual é um fenômeno econômico. É um fenômeno nacional, ou mesmo, internacional.
O fato é que ela não nasceu no setor da Aviação Civil.
Precisamos entender que toda luta de cada empresa será sempre para proteger aos seus empregados. Ford dizia: "Tirem-me as máquinas, tirem-me o capital, mas deixem-me o pessoal e eu reconstruirei o meu império".

Todos nos baseamos na força, no talento e na ação humana.
Acima de tudo, as empresas são construídas exatamente sobre seus valores humanos. Nesses valores humanos colocamos também o cliente, hoje na relação de importância que todos conhecemos.
É, principalmente, da união do cliente com o empregado que surgem os negócios.
Então, a preocupação de qualquer empresa com a crise é exatamente em relação a esses fatores fundamentais.

A Aviação Civil, para nós do no Movimento Asas da Paz - e certamente para todos os senhores e senhoras -, é uma conquista tão forte, que nem se concebe mais que ela não exista. Não se pode pensar o mundo atual sem as idas e vindas de milhões de pessoas e de milhões de toneladas dos produtos gerados nas economias do mundo inteiro, que se entrelaçam nas idas e vindas das aeronaves. Não podemos nem pensar que todos os povos existentes no mundo vivam sem esses milhares e milhares de aviões civis que circulam pelos céus do mundo todo.

Mas é possível que eles parem? É possível que a Aviação Civil, atingida mortalmente, pare? 
Ouço pessoas dizendo que não.
Entretanto, no fundo, compreendemos que a Aviação Civil não pode parar.
Esse é um dever que não compete apenas ao piloto, quando levanta o vôo, ou à tripulação que leva horas para transportar nossos pais, nossos irmãos, etc. nas aeronaves.
Há pessoas anônimas trabalhando. Estes nem sempre tem a capacidade de dizer: "Aqui fala o comandante".
São anônimos, mas pertencem exatamente a esse plantel maravilhoso que sustenta a Aviação Civil.


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