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Os
governos devem, portanto, voltar a perceber a existência das
questões práticas. Não estamos lidando apenas com
material de transporte - o avião em si: estamos lidando com uma
rede imensa de situações que
precisam ser devidamente avaliadas; e todas elas tem um caráter
prático.
O Movimento Asas da Paz não pretende
examinar, nesta reunião, casos isolados. Eu gostaria de falar,
aprofundando-me no caso Varig. Gostaria de estabelecer um confronto de
idéias em relação ao caso TAM, Transbrasil, Vasp e
assim por diante. Entretanto, é importante que tenhamos em mente
que o detalhamento vai exigir um tempo de que não dispomos, no
momento, aqui no Conselho.
Exatamente por isso é que nos propomos, pelo Movimento Asas de
Paz, a realizar novos encontros e, aí sim, verticalizar todas as
questões que aqui serão levantadas. Vamos procurar
enfrentar, não apenas mostrar, a questão da
extensão total dessa situação de crise, que
não é apenas de uma empresa.
Ela pode estar instalada em qualquer empresa e pode impactar e mesmo
criar, sob forma sistêmica, uma atuação
multiplicadora em todas as demais.
Os fatos de caráter psicológico são sobejamente
conhecidos: quando uma loja de móveis no Catete quebra,
várias outras lojas de móveis no Catete tem
prejuízo. Isso, observado sobre uma outra ótica, é
um fenômeno sistêmico.
E estamos atuando sob forma sistêmica na Aviação
Civil.
O Movimento Asas da Paz também não pretende estabelecer a
cronologia da crise. Eu citei 1993 e gostaria de não fazer
referência a uma série de outras ocorrências de
lá para cá. Deixo isso para o plenário, para que,
mais adiante, possamos, então, estabelecer, na medida do
conhecimento de cada um dos membros do Conselho e dos demais que nos
assistem, a possibilidade de estudar essa parte cronológica sob
uma outra ótica.
O que não podemos é permitir que essas
experiências ocorridas no passado na Navegação
Marítima, produzindo efeitos sobre os nossos estaleiros, ocorram
também na Aviação.
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Não
estamos pensando apenas na nossa Aviação.
Quando o Movimento Asas da Paz se refere à Aviação
Civil, como eu disse, ele observa de forma sistêmica esse setor.
Como sabemos, a crise, usando apenas essa palavra,
não é apenas do setor da Aviação Civil e
nem foi iniciada dentro do setor da Aviação Civil.
A crise, desde que eu era pequeno e comecei a ouvir a palavra - e
lá se vão mais de 60 anos -, era sempre citada em
função da guerra ou por qualquer outra razão.
Entretanto, essa crise atual é um fenômeno
econômico. É um fenômeno nacional, ou mesmo,
internacional.
O fato é que ela não nasceu no setor da
Aviação Civil.
Precisamos entender que toda luta de cada empresa será sempre
para proteger aos seus empregados. Ford dizia: "Tirem-me as
máquinas, tirem-me o capital, mas deixem-me o pessoal e eu
reconstruirei o meu império".
Todos nos baseamos na força, no talento e na ação
humana.
Acima de tudo, as empresas são construídas exatamente
sobre seus valores humanos. Nesses valores humanos colocamos
também o cliente, hoje na relação de
importância que todos conhecemos.
É, principalmente, da união do cliente com o empregado
que surgem os negócios.
Então, a
preocupação de qualquer empresa com a crise é
exatamente em relação a esses fatores fundamentais.
A Aviação Civil, para nós do no
Movimento Asas da Paz - e certamente para todos os senhores e senhoras
-, é uma conquista tão forte, que nem se concebe mais que
ela não exista. Não se pode pensar o mundo atual sem as
idas e vindas de milhões de pessoas e de milhões de
toneladas dos produtos gerados nas economias do mundo inteiro, que se
entrelaçam nas idas e vindas das aeronaves. Não podemos
nem pensar que todos os povos existentes no mundo vivam sem esses
milhares e milhares de aviões civis que circulam pelos
céus do mundo todo.
Mas é possível que eles parem? É possível
que a Aviação Civil, atingida mortalmente, pare?
Ouço pessoas dizendo que não.
Entretanto, no fundo,
compreendemos que a Aviação Civil não pode parar.
Esse é um dever que não compete apenas ao piloto, quando
levanta o vôo, ou à tripulação que leva
horas para transportar nossos pais, nossos irmãos, etc. nas
aeronaves.
Há pessoas anônimas trabalhando. Estes nem
sempre tem a capacidade de dizer: "Aqui fala o comandante".
São
anônimos, mas pertencem exatamente a esse plantel maravilhoso que
sustenta a Aviação Civil. |
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