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Ocorre
que, hoje, eles estão com problemas, não apenas no
Brasil, mas no mundo todo.
Existem milhares de aviões parando e
de situações grassando até dentro de
famílias, com as quais não temos contato direto.
Se todos acreditamos que a Aviação
não pode parar, então, por que a Crise?
Por que, no mundo inteiro, as empresas aéreas foram afetadas?
Por que os passageiros foram afetados? O que ocorreu? Que
fenômeno foi esse e por que a Indústria do Turismo foi
afetada?
Existe a crise? Ela é real? Ela tem fundamentação?
Ela é de setembro de 2001 para cá, ou tem outros
fundamentos, outra magnitude que está sendo percebida nesse
conjunto de fatos que estamos alinhavando agora e levantando para a
reflexão de vocês?
Vou dar um exemplo de confrontação do nosso interesse
direto, que é o Turismo no Brasil.
Esses dados se referem aos
anos de 1998/1999, posteriores, portanto, a 1993 e anteriores a 2001.
São dados que se reportam, evidentemente, a períodos em
que, mesmo não se confiando 100% nas estatísticas,
pode-se privilegiar as fontes.
A massa de renda do Turismo em 1998 era de 31,9 bilhões.
Nós tínhamos 38,2 milhões de turistas
domésticos - e aí, podemos fazer referência
não apenas ao turista de vôos domésticos, mas
também ao turista por via rodoviária. Turismo por
Hidrovia era e ainda é muito pouco.
Foram 13,2 bilhões de receitas diretas com o Turismo interno em
1998. Isso é muito importante para avaliarmos posteriormente.
Lamentavelmente eu não trouxe dados recentes para o confronto,
mas tenho certeza de que outros membros do Conselho podem avaliar estes
dados e confrontá-los numa palestra posterior. Foram 5,1
milhões de turistas estrangeiros em 1999.
Esse também é um dado extremamente importante.
Temos
projetos atuais, governamentais, que falam de um número
expressivo. Sabemos que esse nosso patamar caiu acentuadamente no ano
de 2002. Eram 3,9 bilhões de ingressos de divisas em 1999;
tínhamos 10 mil meios de hospedagem; gerávamos cerca de
um milhão de empregos diretos e indiretos na área
hoteleira; tínhamos uma receita bruta de dois bilhões
para hospedagem no País; estávamos com um
patrimônio imobilizado da ordem de dez bilhões na
hotelaria; a arrecadação e taxas em 1998/1999, ou seja,
no período anterior ao processo chamado de crise, foi de 40
milhões em impostos.
Esse dado é interessante para o confronto com alguns itens em
aeroportos, pois as locadoras de automóveis, por exemplo,
são sensíveis ao fenômeno da chegada de turistas e
ao movimento de turistas domésticos em aeroportos. |
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Eu
trouxe esses dados para termos uma pequena noção, sem
o interesse de detalhar essa estatística.
Era um faturamento de
880 milhões no ano de 1998, com 48 mil empregados na área
da locação, sendo 16 mil diretos - e eles só
recolheram na área da locação.
Foram 168
milhões em impostos e taxas ao governo federal, estadual e
municipal. Essa fonte é da própria
associação das empresas.
Aqui, vou procurar sintetizar outras
informações, pois são ricas. Elas se referem
ao
Prodetur e ao Prodetur Sul.
Quero frisar que não estou fazendo
apologia de governos; não estou fazendo a defesa de A, B ou C.
Estou apenas situando aquele ciclo em que se falava de uma
iminência de crise e considerando isso em relação a
esses números que afetam diretamente o Turismo no Brasil.
Foram aplicados 670 milhões em obras de infra-estrutura, com a
criação de sete aeroportos no Nordeste.
E era projeto
aplicar no Prodetur Sul, nessa ocasião, 465 milhões de
dólares.
É evidente que fiz, aqui, uma ressalva a
antigas metas da Embratur.
Algumas foram significativamente alteradas;
mas estavam previstas quando fiz a confrontação de dados.
Podemos afirmar que a idéia era aumentar para 6,5 milhões
o fluxo de turistas estrangeiros; aumentar para 57 milhões o
fluxo de turistas nacionais, o que significaria 5,5 bilhões de
receita cambial turística, gerando 500 mil novos empregos.
Eram as metas antigas, que pelo que conhecemos, foram alteradas e
ampliadas.
É evidente que ainda estamos falando de uma fase de
planejamento anterior à chamada Crise.
Vou ler aqui, agora, um fragmento de um texto publicado recentemente:
"Em 2002, cerca de 600 mil brasileiros visitaram os Estados Unidos e o
seu número não foi maior devido ao temor de novas
ações terroristas e a crise econômica".
É importante que se analise essa dualidade: crise
econômica e ações terroristas.
Ainda dizia o texto:
"Em 2004, poderão aumentar, pelo menos, 12%, se a
administração americana não inventar outra
invasão, que seria mais um pretexto para manter o povo sob
pressão patriótica e se a baixa cotação do
dólar continuar favorecendo os gastos dos turistas nos Estados
Unidos". |
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Aqui,
já estamos começando a falar de uma outra faceta da
Crise.
O texto informa que, em 2002 - posteriormente, portanto, ao
evento de 11 de setembro-, 600 mil brasileiros viajaram para os Estados
Unidos, mas com temor.
Se esse temor não existisse, esse número teria sido
maior.
Além disso, se não houvesse, por parte da
administração pública federal americana, uma
ação restritiva, esse número também teria
aumentado em termos percentuais.
Esse foi um detalhe, para que nós, do Turismo, pudéssemos
perceber as nuances dessa crise e de como ela se instala
burocraticamente. Como ela também perverte as
ações do próprio Turismo, pois algo que se
pretenda vender ao turista fala mais pela felicidade do ir, pela
vontade do ver, pelo desejo do sentir, enfim, pelos aspectos volitivos.
Hoje há mais despesas para se obter o visto americano. O turista
deve sair de sua cidade e ir à cidade em que, como viajante,
será entrevistado. Creio que aqueles que estão militando
no Turismo já têm essa informação.
O turista tem que ir buscar o visto, a ser obtido por meio de um
procedimento novo, devendo ser entrevistado, sair da sua cidade e ir
até o consulado para a entrevista, podendo ou não ser
aceito para ingressar nos Estados Unidos.
E quanto ao inevitável aumento das passagens aéreas, que
ficou bem abaixo da desvalorização do dólar?
Além desses, há outros inconvenientes relacionados
às medidas de segurança aeroportuária que
também deverão afetar essas previsões. A ponto de
a ABAV ter calculado que a redução do
número de turistas brasileiros para os Estados Unidos
poderá chegar a 50%. Quantos irão de navio?...
Esses 50% de redução da capacidade de fornecimento de
turistas brasileiros para os Estados Unidos afetam a nossa economia na
área da Aviação Civil? Sim, afetam; mas afetam,
também, a economia americana, na medida em que a
redução não é apenas de brasileiros, mas de
todos os turistas de países com quem o americano se obriga a
negociar os seus acordos. E é evidente que esses 50% que o
Brasil deixa de fornecer também vão repercutir nos demais
países. |
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