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A Crise da Aviação Civil e as Perdas do Turismo na Ótica do Movimento Asas da Paz
Palestra do Presidente do Movimento Asas da Paz e Membro do Conselho de Turismo
da Confederação Nacional do Comércio - CNC,

Comandante João Flávio Pedrosa, Presidente da Sociedade Náutica Brasileira
realizada em Junho de 2003 nas dependências daquele Conselho de Turismo.
Ocorre que, hoje, eles estão com problemas, não apenas no Brasil, mas no mundo todo.
Existem milhares de aviões parando e de situações grassando até dentro de famílias, com as quais não temos contato direto.

Se todos acreditamos que a Aviação não pode parar, então, por que a Crise?
Por que, no mundo inteiro, as empresas aéreas foram afetadas? Por que os passageiros foram afetados? O que ocorreu? Que fenômeno foi esse e por que a Indústria do Turismo foi afetada?
Existe a crise? Ela é real? Ela tem fundamentação?
Ela é de setembro de 2001 para cá, ou tem outros fundamentos, outra magnitude que está sendo percebida nesse conjunto de fatos que estamos alinhavando agora e levantando para a reflexão de vocês?

Vou dar um exemplo de confrontação do nosso interesse direto, que é o Turismo no Brasil.
Esses dados se referem aos anos de 1998/1999, posteriores, portanto, a 1993 e anteriores a 2001.
São dados que se reportam, evidentemente, a períodos em que, mesmo não se confiando 100% nas estatísticas, pode-se privilegiar as fontes.

A massa de renda do Turismo em 1998 era de 31,9 bilhões.
Nós tínhamos 38,2 milhões de turistas domésticos - e aí, podemos fazer referência não apenas ao turista de vôos domésticos, mas também ao turista por via rodoviária. Turismo por Hidrovia era e ainda é muito pouco.
Foram 13,2 bilhões de receitas diretas com o Turismo interno em 1998. Isso é muito importante para avaliarmos posteriormente. Lamentavelmente eu não trouxe dados recentes para o confronto, mas tenho certeza de que outros membros do Conselho podem avaliar estes dados e confrontá-los numa palestra posterior. Foram 5,1 milhões de turistas estrangeiros em 1999.
Esse também é um dado extremamente importante.

Temos projetos atuais, governamentais, que falam de um número expressivo. Sabemos que esse nosso patamar caiu acentuadamente no ano de 2002. Eram 3,9 bilhões de ingressos de divisas em 1999; tínhamos 10 mil meios de hospedagem; gerávamos cerca de um milhão de empregos diretos e indiretos na área hoteleira; tínhamos uma receita bruta de dois bilhões para hospedagem no País; estávamos com um patrimônio imobilizado da ordem de dez bilhões na hotelaria; a arrecadação e taxas em 1998/1999, ou seja, no período anterior ao processo chamado de crise, foi de 40 milhões em impostos.
Esse dado é interessante para o confronto com alguns itens em aeroportos, pois as locadoras de automóveis, por exemplo, são sensíveis ao fenômeno da chegada de turistas e ao movimento de turistas domésticos em aeroportos.

Eu trouxe esses dados para termos uma pequena noção, sem o interesse de detalhar essa estatística.
Era um faturamento de 880 milhões no ano de 1998, com 48 mil empregados na área da locação, sendo 16 mil diretos - e eles só recolheram na área da locação.
Foram 168 milhões em impostos e taxas ao governo federal, estadual e municipal. Essa fonte é da própria associação das empresas.
 
Aqui, vou procurar sintetizar outras informações, pois são ricas.  Elas se referem ao Prodetur e ao Prodetur Sul.
Quero frisar que não estou fazendo apologia de governos; não estou fazendo a defesa de A, B ou C. Estou apenas situando aquele ciclo em que se falava de uma iminência de crise e considerando isso em relação a esses números que afetam diretamente o Turismo no Brasil.

Foram aplicados 670 milhões em obras de infra-estrutura, com a criação de sete aeroportos no Nordeste.
E era projeto aplicar no Prodetur Sul, nessa ocasião, 465 milhões de dólares.
É evidente que fiz, aqui, uma ressalva a antigas metas da Embratur.
Algumas foram significativamente alteradas; mas estavam previstas quando fiz a confrontação de dados.
Podemos afirmar que a idéia era aumentar para 6,5 milhões o fluxo de turistas estrangeiros; aumentar para 57 milhões o fluxo de turistas nacionais, o que significaria 5,5 bilhões de receita cambial turística, gerando 500 mil novos empregos.

Eram as metas antigas, que pelo que conhecemos, foram alteradas e ampliadas.
É evidente que ainda estamos falando de uma fase de planejamento anterior à chamada Crise.

Vou ler aqui, agora, um fragmento de um texto publicado recentemente:
"Em 2002, cerca de 600 mil brasileiros visitaram os Estados Unidos e o seu número não foi maior devido ao temor de novas ações terroristas e a crise econômica".
É importante que se analise essa dualidade: crise econômica e ações terroristas.
Ainda dizia o texto:
"Em 2004, poderão aumentar, pelo menos, 12%, se a administração americana não inventar outra invasão, que seria mais um pretexto para manter o povo sob pressão patriótica e se a baixa cotação do dólar continuar favorecendo os gastos dos turistas nos Estados Unidos".

Aqui, já estamos começando a falar de uma outra faceta da Crise.
O texto informa que, em 2002 - posteriormente, portanto, ao evento de 11 de setembro-, 600 mil brasileiros viajaram para os Estados Unidos, mas com temor.
Se esse temor não existisse, esse número teria sido maior.
Além disso, se não houvesse, por parte da administração pública federal americana, uma ação restritiva, esse número também teria aumentado em termos percentuais.

Esse foi um detalhe, para que nós, do Turismo, pudéssemos perceber as nuances dessa crise e de como ela se instala burocraticamente. Como ela também perverte as ações do próprio Turismo, pois algo que se pretenda vender ao turista fala mais pela felicidade do ir, pela vontade do ver, pelo desejo do sentir, enfim, pelos aspectos volitivos.

Hoje há mais despesas para se obter o visto americano. O turista deve sair de sua cidade e ir à cidade em que, como viajante, será entrevistado. Creio que aqueles que estão militando no Turismo já têm essa informação.
O turista tem que ir buscar o visto, a ser obtido por meio de um procedimento novo, devendo ser entrevistado, sair da sua cidade e ir até o consulado para a entrevista, podendo ou não ser aceito para ingressar nos Estados Unidos.

E quanto ao inevitável aumento das passagens aéreas, que ficou bem abaixo da desvalorização do dólar?
Além desses, há outros inconvenientes relacionados às medidas de segurança aeroportuária que também deverão afetar essas previsões. A ponto de a ABAV ter calculado que a redução do número de turistas brasileiros para os Estados Unidos poderá chegar a 50%. Quantos irão de navio?...

Esses 50% de redução da capacidade de fornecimento de turistas brasileiros para os Estados Unidos afetam a nossa economia na área da Aviação Civil? Sim, afetam; mas afetam, também, a economia americana, na medida em que a redução não é apenas de brasileiros, mas de todos os turistas de países com quem o americano se obriga a negociar os seus acordos. E é evidente que esses 50% que o Brasil deixa de fornecer também vão repercutir nos demais países.

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