1º
FÓRUM NACIONAL DE TURISMO AQUAVIÁRIO
DOCUMENTO
FINAL
A
CARTA DO RIO
Parte
III
A
navegação do Turismo Náutico, semelhante
às demais formas economico-empresariais da
navegação do Turismo Marítimo, e até mesmo
da navegação cargueira, da navegação
off-shore, da de interior de porto e até mesmo da
navegação amadora, não prescinde de profissionais
que se formam nas mais baixas camadas da população
brasileira e que, aos poucos vão, de experiência em
experiência, se aproximando das inúmeras oportunidades,
até o momento de poder estudar e obter sua
habilitação na Marinha.
No entanto, enquanto as
outras partes do Sistema Marítimo
dependem de receitas próprias para compensar seus preços
e custos, em sua natureza diversa, e até mesmo os navios de
Turismo de Cruzeiros se deslocam para outros mercados fora do Brasil, o
setor nacional do Turismo Náutico, quer pela sazonalidade
específica, quer por ser uma função ainda
complementar das atividades dos diversos parceiros do Trade
Turístico, não tem como apresentar custos equilibrados
com uma curva crescente de receitas.
Houve entendimento,
entre os participantes do Fórum, de que
é comum a paralização das atividades com
embarcações do Turismo Náutico, logo após a
alta estação, com a retomada quase um ano adiante,
enquanto os navios de Cruzeiros Marítimos podem sair do Brasil e
irem operar em outros pontos de atração, como o
Mediterrâneo e o Caribe.
Ao
longo do período de baixa estação, por falta de
divulgação do “sol e praia”, ainda que existente em
grande parte do Brasil, o movimento de cada embarcação,
mesmo operando algum eventual tipo de saída para
programação de Turismo Náutico, continua sendo
inferior a 10% do período da alta estação,
comprovando com isso que a renda proveniente do movimento, no
período da baixa estação, não paga os
custos operacionais do ano.
Em face dessa
circunstância os participantes entenderam ser
necessário, sob o ponto de vista estratégico, e dentro de
uma política global de Turismo que pretenda alcançar
índices elevados de captação internacional, que os
investimentos nas embarcações do Turismo Náutico e
na qualificação de suas tripulações,
tornam-se ações públicas a serem pensadas no
âmbito de governo.
Do mesmo modo a
construção de navios de Cruzeiros
Marítimos, quando apoiada em programas nacionais de incentivo
à construção naval, específica para o setor
do Turismo, tornará a potencialidade da oferta de
serviços turísticos sensivelmente mais econômica,
por unidade de turista transportado, do que outros investimentos em
navios estrangeiros que venham operar exclusivamente na costeira, ainda
que o tempo de maturação exceda, no momento, as
perspectivas governamentais imediatas para o setor.
Entenderam
os participantes do Fórum que é
possível, desse modo, resolver uma incongruência
amplamente exposta pela Hotelaria em geral, composta
por todos os meios de hospedagem representados que foram pelos
Presidentes da Resorts
Brasil e da ABIH, afetados pelo fato de que o brasileiro, que como
turista paga em moeda nacional, se interessa pelo preço cada
vez mais baixo e pela oferta cada vez maior de navios que chegam para
fazer a costeira.
O
Turismo Aquaviário deve ser considerado como importador de
divisas, além de fornecer um suprimento adicional da receita
tributária, impondo-se tratar o uso das
embarcações de Turismo, quer Navios de Cruzeiros, quer
Veleiros ou Iates internacionais, quer Escunas, Veleiros ou Lanchas
nacionais, diferentemente dos cálculos projetados pelas
autoridades do setor e apresentados ao país como
solução econômica, pois a todos os brasileiros deve
interessar o estudo de um eventual custo social mais alto.
A
compatibilização desses fatores de interesse
deverá englobar a congregação de todos os fatores
da produção no Turismo Aquaviário, inclusive o
tempo de uso da embarcação para diferentes cruzeiros, em
diferentes locais, variáveis em cada programa e em cada tipo de
embarcação, bem como a exigência de
qualificação dessas embarcações a serem
usadas, da participação diferenciada das suas
tripulações e até a identificação
das próprias dificuldades inerentes à
navegação nas respectivas áreas de
atuação.