1º
FÓRUM NACIONAL DE TURISMO AQUAVIÁRIO
DOCUMENTO
FINAL
A
CARTA DO RIO
Parte
IV
Os
participantes entendem ter ficado claro que uma das principais
características a ser considerada nessa
diferenciação entre os diferentes braços do
Turismo Aquaviário é que o custo e uso do lugar por
turista é diferente do custo e uso do assento por passageiro,
ainda que sejam ambos passíveis calculados por milha navegada.
Enquanto o Turismo
Náutico é afetado pela sazonalidade e
demais fatores já discutidos, o setor do Turismo Marítimo
é influenciado pelas distâncias entre destinos, pelos
congestionamentos do tráfego na entrada e saída dos
terminais existentes, na dificuldade pela inexistência de
terminais turísticos em pontos de concentração
motivacional, pelos trechos de navegação costeira, pela
existência ou inexistência de balizamentos e ainda pela
existência da poluição ou de escolhos e perigos
submersos nos trechos aquaviários.
Os participantes
perceberam, ao longo dos debates, a diferença
entre os dois segmentos e a necessidade de uma
interpretação adequada que permita, tanto nas normas da
Autoridade Marítima quanto nas aplicações de
investimentos e políticas públicas, que os setores de
navegação de Passageiros, com seus critérios de
regularidade entre pontos, de navegação de Turismo
Marítimo, com suas especificações quanto aos
Cruzeiros Internacionais e Nacionais, e ainda a
navegação de Turismo Náutico, com toda a
miríade de ações que nela se reúnem,
inclusive se assemelhando em muitos casos, ao setor da
navegação do esporte e recreio, venham todos, de
per si, a serem identificados, regulados e diferentemente beneficiados.
Do mesmo modo,
perceberam os participantes a dificuldade do
gerenciamento técnico nas atividades do Turismo
Aquaviário, quando exercido nas áreas e águas
costeiras, considerando que essas dificuldades não ficam apenas
restritas às questões sazonais ou das crises
internacionais e outras intercorrências.
Entenderam, ao longo dos
debates do 1º Fórum Nacional de
Turismo Aquaviário que, seja qual for o tipo de
navegação praticada, os bons resultados operacionais,
sensíveis para o turista em geral, serão sempre
conseqüência da aplicação do conhecimento
gerencial quanto aos custos operacionais de cada
embarcação operada.
Acreditam
assim, que para obtermos a otimização
empresarial, tanto quanto para atingirmos a adequação da
frota de Turismo Aquaviário, torna-se exigível
inicialmente a preparação gerencial das
administrações de embarcações, inversamente
ao processo de constituição preliminar de empresas de
navegação.
Do mesmo modo entendem
os participantes do Fórum ser
necessário desenvolver programas de estimulo à
concepção de que sendo a embarcação um
Capital este deve ser administrado pelo proprietário para a
formação de sua empresa. Portanto, a boa gerência
dos recursos da embarcação antecederá à
constituição da própria empresa de Turismo
Náutico, esta sim resultando dos meios e dos interesses de
expansão de cada proprietário.
Perceberam
os participantes que uma empresa de Turismo Náutico
resultará sempre da redução dos custos aplicados
na recuperação, conservação e
manutenção da embarcação inicial, com a
qual o operador iniciou suas atividades, hoje ainda em número
muito reduzido, nas diferentes partes do Brasil.
No caso do Turismo
Náutico tais custos podem ser englobados como
reparos navais, pelas fontes financiadoras, mas quando os investidores
estão disponíveis exigem a formação
prévia da empresa e do seu capital, com isso excluindo qualquer
possibilidade de análise de financiamento, pelas próprias
condições atuais do setor.
Discutiram
os participantes do Fórum quanto às
alternativas, entendendo ao final que esses valores, em
princípio, são formados pela embarcação de
Turismo e na maior parte das vezes consistem no único capital
que o proprietário pode reaplicar sob forma empresarial.
Concluíram,
igualmente, que isso não é base
suficiente, no mercado, para a expansão continuada do setor do
Turismo Náutico, ainda sem a organização
necessária, razão essa do desinteresse de
aplicação por parte de investidores ou financiadores.
Entenderam
ainda que haverá imediata necessidade de
reformulação da política creditícia para o
setor, ou sequer ele será parte integrante do sistema proposto
para a obtenção dos resultados governamentais esperados
para a ação do Turismo em geral.