Textos de Debate

Versão do Comandante Joseph Lepore

Versão do comandante do Legacy:

O piloto Joseph Lepore comandava uma aeronave Legacy de fabricação brasileira que fazia sua viagem de ida para os Estados Unidos onde iria passar a operar.
A aeronave fora comprada pela empresa de táxi-aéreo americana Excel Air.
O Legacy decolou de São José dos Campos rumo a Brasilia, que sobrevoaria, seguindo depois para Manaus.
Em Manaus faria uma escala para abastecimento e pernoite.
Somente no dia seguinte seguiria para os Estados Unidos.

A bordo, estavam dois sócios da empresa compradora, dois representantes da Embraer e o jornalista Joe Sharkey, do Jornal New York Times, num total de sete pessoas, incluindo ele e seu co-pilotoJan Paul Paladino..
Segundo o piloto, o plano de vôo foi preparado pelo pessoal da EMBRAER.

O comandante Lepore afirmou que existe uma cópia desse plano de vôo na torre de controle de São José dos Campos.

No depoimento, Lepore disse que em momento algum se desviou da rota traçada.
Que durante os 90 minutos que antecederam o acidente voou sempre na altitude de cruzeiro.
Que o Nível de Vôo estava estabelecido no plano de vôo e era de 37 mil pés.
O comandante Joseph disse: “Uma vez a 37 mil pés foi ligado o piloto automático”.

Em seu depoimento confirmou que, em certo momento, foi ao banheiro.
Que ao retornar, ouviu do co-piloto Jan Paul Paladino que não estava conseguindo se comunicar com a torre de controle da área.
Afirma que antes de ir ao banheiro, conseguia ouvir, pelo rádio, as conversas da torre com outros aviões.

Que ele e o co-piloto Paladino ficaram testando todas as freqüências de rádio previstas na carta de navegação para conseguir comunicação com a torre.
Lepore diz que foi então que ouviu um barulho.
Descreveu o barulho como "uma batida de carro".
Afirma não ter sentido impacto algum.

O comandante Lepore afirma que nesse momento o piloto automático se desligou.
Informa que o avião começou a desviar para a esquerda.
Lepore afirma que ele mesmo assumiu o controle da aeronave.

Logo em seguida, alguém que ele acredita ser Ralph Michelli, um dos donos do avião, entrou na cabine para perguntar o que havia ocorrido.
Essa pessoa, informou que a extremidade da asa esquerda estava danificada e que faltava um pedaço.
Nesse instante, o comandante Lepore e o co-piloto Paladino decidiram pousar.

Lepore informou que o painel do avião indicava que o aeroporto mais próximo era o da base aérea da Serra do Cachimbo.

Durante a manobra de descida, que durou 30 minutos, o comandante Lepore afirma que tentou fazer contato.
Que usou uma freqüência de rádio exclusiva para emergências.
Que só conseguiu comunicação com um avião de carga que estava por perto.

O comandante Lepore disse que foi essa aeronave que intermediou o contato com o centro de controle de tráfego aéreo de Brasília.
A torre, por sua vez, informou a freqüência de rádio da base aérea da Serra do Cachimbo, em Mato Grosso, onde foi feito o pouso de emergência.

Lepore relatou no depoimento que o Legacy da Embraer é equipado com um dispositivo anti-colisão.
Que esse equipamento, quando acionado, é capaz de emitir sinais sonoros e luminosos.
Disse que o equipamento não veio a funcionar.

O comandante Lepore não relatou, à polícia de Mato Grosso, onde fez o depoimento, nenhum fato sobre o transponder.

Lepore disse que não conseguiu ver qualquer avião durante o incidente.
Que sua visão estava prejudicada pela posição do sol no horizonte.

Lepore afirma que, quando soube que uma parte da asa havia desaparecido, imediatamente imaginou que uma colisão com outra aeronave poderia ter acontecido. Que só teve essa confirmação quando jantava na base aérea da Serra do Cachimbo.

Que ao saber da notícia, afirma ter se sentido péssimo.
Quando o delegado perguntou a opinião do piloto sobre a possível causa do acidente, Lepore disse acreditar que, se o equipamento anticolisão estivesse funcionando, talvez a tragédia não tivesse ocorrido, mas que não sabe esclarecer o que provocou a colisão.

Durante o depoimento à Polícia Civil de Mato Grosso, o comandante Joseph Lepore informou que nenhuma bebida alcoólica foi consumida a bordo durante o vôo inaugural do Legacy.

Ele disse ainda que treinou durante 20 horas em simulador de vôo especial para essa aeronave e que, antes dessa decolagem, tinha feito apenas cinco horas de vôo efetivas em aviões Legacy.

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