
| Textos de Debate |
| O vôo seguro no espaço aéreo brasileiro. |
E fizemos mais. Aprendemos e passamos nosso conhecimento para os outros países da América do Sul, tendo os militares do Departamento de Controle do espaço Aéreo (DECEA) contribuído consideravelmente para a implantação, por exemplo, do sistema RVSM nas aerovias deste continente, sistema este que prevê a redução da distância vertical entre as aeronaves para um melhor aproveitamento das vias aéreas. Também integramos o seleto grupo de nações que estão à frente do sistema que irá revolucionar o controle de tráfego aéreo no mundo, com a criação do espaço aéreo contínuo (CNS-ATM). Como se vê, seguimos firme na missão que nos foi confiada.
A propósito, a Constituição brasileira confere ao Comando da Aeronáutica a responsabilidade de "prover a segurança da navegação aérea" e, enquanto o Estado brasileiro assim o desejar, a missão será cumprida com o trabalho dedicado e responsável de seus integrantes.
Por
falar em responsabilidade, no ano passado o Comando da
Aeronáutica assumiu publicamente que a demanda de tráfego
aéreo superou a previsão de formação de
mão-de-obra para o sistema de controle. De pronto, várias
ações foram implementadas para a solução do
problema, como a ampliação do número de vagas para
controladores de tráfego aéreo, tanto civis como
militares. Oportunamente, foi explicado que possuímos um
índice de disponibilidade diária de equipamentos em torno
de 98% e que o DECEA mantém um programa de
modernização de seus centros de controle. Não
há o que falar em equipamento obsoleto. Investiu-se na
velocidade que o país podia investir.
Coincidentemente, em Montreal (Canadá), durante a 36ª Sessão da Assembléia Geral da OACI, ocorrida de 18 a 28 de setembro deste ano, especialistas em aviação de vários países discutiram a necessidade de ter um sistema de controle compartilhado. "A cooperação civil/militar é princípio chave para a modificação de qualquer questão relacionada ao gerenciamento do tráfego aéreo" , destaca um dos textos do Item de Agenda 32 da Sessão, denotando que uma coordenação e cooperação eficazes entre autoridades civis e militares é essencial.
Diz,
ainda, no Sumário Executivo da Agenda 32, que foi apresentado
pelos Estados Unidos : “A compatibilidade civil/militar e o
estabelecimento de estruturas conjuntas para o gerenciamento do
espaço aéreo e do controle do tráfego aéreo
é essencial para alcançar os requisitos futuros de
aumento da segurança de vôo e soberania das
operações de tráfego aéreo e endossam os
princípios de utilização flexível do
espaço aéreo e compartilhamento, pelos usuários
civis e militares, das conveniências e inconveniências
desse uso.”
A
Agenda 32 concluiu que a cooperação civil/militar
é o princípio chave para a modificação de
qualquer questão relacionada ao gerenciamento do tráfego
aéreo. Os requisitos militares são mais complexos e, por
vezes, mais difíceis de quantificar que os requerimentos civis.
A OACI enfatiza a integração e harmonização
da cooperação civil/militar atualmente em andamento.
Decerto, discutir o controle de tráfego aéreo brasileiro de forma racional e equilibrada é o melhor que se pode desejar da sociedade brasileira. Porém, rejeitar a prática acumulada pela gestão militar nessa área, é descartar décadas de experiência e conhecimento que conferem ao Brasil, hoje, lugar cativo na elite da aviação civil mundial.
Tratar
esse assunto sem emoção e desvinculado de interesses
particulares é de vital importância para o futuro da
aviação. Nada é tão perfeito que não
possa ser melhorado, mas a temática corrente tem sido acusar
militares de incompetência, como se a simples
migração desse sistema para um órgão civil
fosse capaz de reduzir a complexidade do assunto, bem como aparar as
demandas urgentes e estratégicas desse complexo aparelho
estatal.
Não
é prudente, portanto, que esse debate seja balizado apenas pelo
terrorismo informativo, com a simplificação de exemplos,
com a manipulação de comparações e sob
influência de reivindicações pessoais ou
setorizadas. Nesse contexto negativo, decisões precipitadas
podem prejudicar o futuro da aviação brasileira."
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