
| A Desconstrução do Transporte Aéreo brasileiro. |
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Se
Santos Dumont pudesse assistir ao que está
acontecendo com a aviação comercial brasileira, por certo
teria a mesma reação
de quando percebeu que seu invento, o avião,estava sendo
utilizado como arma
de guerra. A angústia das esperas nos aeroportos, a incerteza das chegadas e partidas dos vôos e os constantes cancelamentos, demonstra o quanto regredimos em nosso sistema de transporte aéreo , uma verdadeira desconstrução. Em toda minha vida profissional na aviação comercial, jamais vivenciei situações tão constrangedoras e equivocadas.Lamentavelmente, a indústria, tão bem implementada em nosso país por homens como: Rubem Berta, Paulo Sampaio, Bento Ribeiro Dantas, Omar Fontana, Rolim Amaro entre outros, está em acelerada desconstrução. Não
existe política para o
transporte aéreo e muito menos um marco regulatório. Atendendo demandas de ocasião.Na aviação não cabem improvisos e soluções com frases de efeito, tem que ter conhecimento. Voltando a desconstrução do setor aéreo , o fechamento da Transbrasil e da Vasp, assim como, o esfacelamento da Varig, acelerou todo o processo degenerativo. O
caso Varig chega a causar perplexidade, pois
uma
empresa que sempre esteve na linha de frente de nosso comércio
exterior e com
participação ativa na integração do
território nacional, foi fechada como se
fosse uma “quitandinha da esquina”, deixando milhares de trabalhadores
desempregados, sem suas indenizações trabalhistas e
previdenciárias, punidos
por haverem ousado construir uma marca que gerava confiança em
seus usuários. O Brasil hoje exporta tripulantes e técnicos para outros países a custo zero, gerando prejuízo para a nossa economia e principalmente para a indústria de transporte aéreo brasileiro. Quando
completou 80 anos de
existência, a Varig havia realizado mais de 2,5
milhões de vôos, com 210
milhões de passageiros transportados e mais de 7 milhões
de horas de vôos
realizadas. Entendemos
que não existe ônibus
voador, pois o transporte rodoviário e aéreo, tem
diferenças estruturais e
realidades diferentes, principalmente no tocante a segurança e
qualificação. Uma empresa aérea em formação não pode queimar etapas, precisa unir a prática que vêm com o tempo e a teoria, para então, pensar mo mercado. As empresas aéreas estrangeiras em operação no País, percebendo a brecha deixada pela Varig, que até dois anos atrás detinha 75% das rotas internacionais, trataram de ocupar o espaço e com isso a participação brasileira no mercado internacional, caiu assustadoramente. Sem
a concorrência
efetiva de empresas aéreas nacionais, as empresas estrangeiras
ditam as normas
do mercado. Acreditamos que estamos iniciando um processo de internacionalização do espaço aéreo brasileiro, prevendo-se a permissão de cabotagem comercial pelas alienígenas. Talvez seja o prenuncio da vinda de um “ pacotão” contendo segurança de vôo e aviões de outra bandeiras... Temos que reconhecer que nossas empresas aéreas pagam altos tributos, a começar pelos inseridos no combustível e taxas aeroportuárias e ainda mais, que o avião, invenção do nosso Santos Dumont, e o motivo de existência de uma empresa aérea é fabricado por americanos e europeus, chegando a preço de euro e dólar. Temos
que partir para uma grande
reflexão, pensando antes de tudo no
interesse nacional e na
segurança e satisfação de nossos usuários. A quebradeira continua e vai continuar até percebermos que empresas nacionais de aviação, somente poderão ser vistas no Museu Aero-Espacial ( MUSAL). Luiz Brito Filho Especialista em infra-estrutura, transporte e segurança turística. Conselheiro da Confederação Nacional do Comércio –Conselho de Turismo; Conselheiro da Associação Comercial do Rio de Janeiro-Conselho de Turismo/Pró-Rio. |
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