Não
há como prescindir, não apenas do Transporte
Aéreo, como conjunto de aeronaves que voam em todo o planeta,
mas principalmente dos milhões de seres humanos que trabalham
para que isso aconteça com tranquilidade, seja nas pranchetas
dos projetistas, nas linhas de produção das aeronaves,
nas atividades dentro dos terminais, nos centros de controle de
tráfego, ou nas simples atividades de conservação
e manutenção das partes elétricas e
eletrônicas que interligam todo o Sistema de
Aviação.
No
entanto, independente de já ter sido provado estatisticamente
que voar de avião ainda é um dos meios mais seguros, a
incidência de fatos críticos como o 11 de setembro de
2001, em Nova York, produzido pelo terrorismo internacional, e o
desencadear de denúncias após o acidente com o Vôo
1907, acabou repercutindo numa tomada de consciência que acidulou
as relações entre passageiros e companhias aéreas,
se instalando o medo de voar.
Mas
não foi o suficiente, para que se lamentasse o estrago
produzido, teve ainda o país que passar pela dor de uma perda
ainda maior, com o acidente do Vôo da TAM em Congonhas, que
consumiu tantas vidas, em poucos instantes, denotando a uns que havia
falhas ainda mais graves a corrigir e a outros que não era hora
de voar pelos Céus do Brasil.
Houve,
a partir de então, um movimento em direção
às rodovias, que infelizmente não estão preparadas
para receber o mesmo fluxo e aconteceu o óbvio: em poucos dias a
conta das vítimas de acidentes rodoviários cresceu
desproporcionalmente, superando em muito os dois acidentes
aéreos.
O
motorista ou a estrada? Quem está errado?
O veículo ou as regras? Quem está errado?
As autoridades ou os cidadãos? Os transportadores de carga ou os
transportadores de passageiros?
Apenas para se ter uma
idéia, segundo
reportagem do jornal Bom dia Brasil da Rede Globo morrem
por ano, em
média, 34 mil pessoas nas estradas brasileiras, o que
equivaleria a
182 desastres aéreos como o ocorrido no aeroporto de Congonhas
no dia 17 de julho de 2007, ou 15 dessas tragédias por mês!
Este
é, sem dúvidas, um dos fatores que reduzem as
possibilidades de se passar segurança através de
estatísticas, como as que acima comparam os acidentes
aéreos e
os rodoviários. Ou seja, ambos são dados imateriais,
antes que se produzam como fatos concretos.
Claro
que temos que fazer uma CPI para investigar tantas mortes, num setor e
em outro; a Justiça deve procurar intervir em todas as mazelas
que nos levam ao Cáos das Estradas, tanto quanto se fez em
relação ao chamado Cáos Aéreo.
Mas, convenhamos, excetuando-se as tristes notícias pontuais
desses acidentes rodoviários, que já vitimaram tantas e
tantas famílias nas estradas, ano a ano, o que tem sido feito no
Brasil? Tapar buracos? Isso resolve?
Não!
Não podemos deixar de tocar nesse assunto, quando existe um
mêdo de voar se instalando na mente de cada brasileiro ou de
estrangeiro que pensa Brasil.
Essa foi uma emoção trabalhada com o auxílio de
tantos e tantos acontecimentos, sem que os fatos pudessem sequer ser
avaliados em sua totalidade, e sem que os especialistas do CENIPA,
verdadeiros artesãos na recomposição dos passos
que levam ao acidente aéreo, pudessem efetivamente trabalhar com
isensão.
O
avião ainda é um dos meios de transporte mais
seguros que o homem já inventou, comparado com todos os outros,
principalmente com os de massa.
Para nós, sempre foi motivo de orgulho a invenção
de Santos Dumont, que hoje serve a toda a Humanidade.
Do
mesmo modo o sistema aéreo
brasileiro, durante tantos anos defendido exclusivamente pelos
militares da Aeronáutica, foi sendo construído dentro de
casa, ponto a ponto, num território tão vasto que sua
densidade demográfica nem sempre era aceitável para
interessar às empresas aéreas fazer o investimento que se
tornava necessário, para gerar a própria segurança
dos vôos.
Foi
uma missão assumida pela FAB, desdobrada por diferentes
órgãos e atendendo não apenas às
questões militares, mas também à
proteção de civis.
A Aeronáutica prestou e ainda presta inestimáveis
serviços ao cidadão comum, que tanto ouve falar na
desmilitarização do controle de tráfego
aéreo.
Será
que todos já se esqueceram como a montagem dessa estrutura
ocorreu e como ela promove sua segurança ao voar?
Isso é eficiência. Sem ela os nossos pilotos teriam que
arcar com a responsabilidade total, confiando apenas nas suas
habilidades visuais.
Certamente
as aeronaves continuariam a trafegar pelos céus. Porém,
sem qualquer amparo de terra, ou sem cumprir rotas definidas, se
tornariam armas letais capazes de produzir os piores acidentes, os
quais se produziriam e seriam visiveis não apenas sobre as
florestas, mas nas cidades e nos mares.
Teríamos voltado a estágios da era pioneira da
Aviação, antes mesmo que Gago Coutinho usasse o sextante
para orientar sua travessia do Atlântico com o apoio de Sacadura
Cabral...
Como então buscar resolver esse medo?
Entregando o controle do tráfego aéreo para uma empresa
estrangeira, como alguns pretendem?
Se esse modelo funcionasse como mágica, eles não estariam
a braços com seus próprios problemas, ou o sistema
mundial estaria tão perfeito que o Brasil seria o único a
sofrer acidentes aéreos. E sabemos que não é assim
que funciona.
Dizem,
numa verdade absoluta, que a única certeza do ser humano
é a incerteza da hora da morte.
Mas quem vive e quer viver, deve procurar se defender dos riscos e
migrar de uma rota para outra mais segura. Deve fazer suas escolhas com
base em dados lógicos, mas também em
intuições, momento em que a força que eleva o
pensamento a estágios bem diferentes das matemáticas e
das estatísticas se torna viva.
Com
uma crise instalada no seio da opinião pública, os
elementos são, acima de tudo, emocionais, já que como uma
conseqüência dos primeiros fatos, à medida em que ela
evolui, vai gerando novos fatos e esses se multiplicam em outros
tantos, ampliando a todo instante aquilo que antes nem era percebido.
Essa
crise denominada Cáos Aéreo, que assolou a
Aviação Civil Brasileira, exige também uma
análise da emocionalidade, além dos próprios fatos.
E essa análise deve buscar a compreensão do que levou a
confiança do passageiro a desaguar numa revolta dolorosa,
vivendo em salões de aeroportos uma expectativa de viajar em
paz, mas tendo que sentir a descoordenação de um estado
de choque dos funcionários em geral, que não parecia ter
fim.
Controle
pessoal e controle de tráfego aéreo, dois sistemas
nervosos ativados e em busca da mesma solução: uma viajam
tranquila para todos.
Mas como manter essa relação perfeita se todo este
complexo sistema tecnológico e de recursos humanos que é
sinônimo de excelência e segurança estava sendo
diariamente bombardeado com afirmativas chocantes, pesadas, fundadas ou
infundadas, retirando dos profissionais ali envolvidos uma das suas
principais qualidades: a perícia.
Assim, voltou o medo de voar à mente do cidadão comum, do
contador de casos e histórias, que servem à multiplicar o
fenômeno da crise, ao homem de negócios que adiou seus
contatos em cidades distantes; da dona de casa, com seus queridos
filhos que se esforçaram na escola e que desejavam aquelas
férias prometidas, à professora que os ensinou sobre o
Brasil e suas potencialidades, suas riquezas e seus lugares
encantadores.
O
medo de voar comprometeu a racionalidade da própria pessoa,
já que ele nasce de uma suposta falta de segurança do
meio, antes garantida
pelas estatísticas, pelos técnicos e pelo governo, e hoje
desacreditada pela imprensa, pelos políticos, pela
justiça e pelas vítimas choradas por toda a
família brasileira.
É
preciso revitalizar essa relação entre o passageiro e seu
sistema nervoso, para renovar as esperanças do passageiro e o
sistema aéreo, sem que sejam necessárias apenas campanhas
publicitárias, pois a dor não será curada com o
jingle mais festivo que alguém possa imaginar.
É preciso ser mais criativo que isso e saber lidar com a
verdadeira relação entre o risco e a confiança,
entre a previsibilidade e o erro humano.
Só
assim venceremos o medo e derrotaremos as impossibilidades, que tantos
alardeiam, em relação à nossa capacidade de
retomarmos os vôos tranquilos.
Se há dúvida é porque a
racionalização do ser humano exige respostas; e nelas a
credibilidade é função da autoridade de quem
responde.
Como
retomar a autoridade se exatamente essa vem sendo minada com elementos
que tentam convencer a opinião pública brasileira de que
a solução está na privatização e
internacionalização dos serviços de controle
aéreo?
Basta
que aqueles que hoje tem medo de voar sejam questionados sobre como
procederiam em relação a uma futura
transposição dos controles, e se isso vai efetivamente
significar mais segurança.
E quais os critérios que se poderá admitir para a
aceitabilidade desse risco.
O Sonho de Ícaro se debate em todos nós, lutando o desejo
contra o medo de voar.
Faz parte da condição humana que essas lutas internas, em
que a mente procura afastar os elementos aterrorizantes, como o
trovão, que é natural, dos elementos condicionantes, como
os estampidos de arma de fogo, mesmo ouvidos à distancia, acabem
se transformando nos traumas e medos modernos.
Porém
no próprio subconsciente está a solução. E
ela começa com uma proteção, um filtro, que
dependerá do conhecimento individual. Através do
acúmulo de informações, sem tratar, sem filtrar,
instala-se a crise, a luta emocional. Portanto, adotando-se o filtro,
aprendendo a concentrar e tratar a informação, venceremos
o principal dos estágios perdidos: a desinformação.
Teorias
que buscam acentuar medidas econômicas governamentais, de tal ou
qual período, acabam agindo em sentido contrário, quando
expostas pela mídia, e afetam a mentalidade de passageiros
potenciais, cidadãos comuns que interpretam as
informações e contra-informações como um
grande e aterrorizante mosaico onde ele é apenas uma pequena
peça de vidro, quebrantável a qualquer instante em que
outros assim o desejem.
Como e quando seremos capazes de compreender a relação
entre eventuais falhas do controle de tráfego aéreo e o
medo de voar que se instalou no país?
Como faremos para que cada um dos antigos passageiros verifique nas
suas anotações as muitas horas voadas com tranquilidade,
rapidez e sofisticação?
Como identificaremos aquele amigo que ia ao aeroporto buscar os que
chegavam, estendendo a mão num gesto de boas vindas, sem muito
mais que um simples olhar para o painel dos vôos? Atrasos eram
eventuais.
Os aeroportos se transformaram em espaços lúdicos e as
famílias brasileiras que superaram crises financeiras, crises de
combustível, crises de economia e outras tantas, não
perderam aquela vontade de se sentir mais perto dos que voam, bem perto
dos que chegavam.
Hoje
um aeroporto moderno tem, além dessas, outras
obrigações para com passageiros e usuários dos
terminais: precisa ser vigiado e
controlado, para que a segurança de terra se faça
presente no dia a dia, sem hostilidade, mas com firmeza.
Os
procedimentos e rotinas de um aeroporto hoje são mais do que
simplesmente lúdicos e exigem a manutenção das
relações entre passageiros e empresas,
administração do terminal e usuários, controles de
tráfego aéreo e controles sistêmicos
administrativos, seja das bagagens ou dos carrinhos que as conduzem.
Mas não há porque ter medo de ir ao aeroporto.
Já é um primeiro passo.
Ver tanta gente voando, sorrindo ao partir ou ao voltar.
Abraçando e sendo abraçada, com ou sem lágrimas de
saudades, mas nunca com o terror estampado em cada face. Porque
não há razão para isso.
Existe confiança quando alguém entra a bordo da aeronave,
como na frase simplista e brincalhona que a tantos já encantou
no passado: se o piloto vai lá na frente, por que eu não
posso ir tranquilo aqui atrás?
Dentro da aeronave o clima entre os passageiros e tripulantes.,
portanto, é o da credibilidade na perícia, tanto na
pessoa do comandante como na de seu co-piloto. A essa credibilidade se
soma aquela que pensa a qualidade do aparelho como um todo, conjunto
que é de seus modelo, sistemas e equipamentos, reunidos num nome
ou marca, num número ou sigla, mas que significa tanto quanto a
própria capacidade da aeronave.
Essa
confiança pode ser até considerada abstrata, mas
não pode ser esquecida. Ela foi aquiridira numa contabilidade em
que somaram-se muitos milhões de sensações e da
qual se deduziram alguns milhares de outras tantas. Como resultado
aponta-se um lucro, geralmente de ainda muitos milhões de
emoções positivas que se espalham pelo mundo todo,
confortando famílias que estavam afastadas, aproximando homens e
mulheres de negócios, abreviando a chegada dos que desejam estar
na hora em seus compromissos, facilitando o acesso aos pontos mais
distantes do planeta.
Qualquer
passageiro sabe que não é o único a bordo, mas em
si mesmo é único.
Isso significa dizer que o tratamento diferenciado e individualizado,
também deve ser lembrado como parte da solidez dessa
confiança, pois é feito sempre como parte da
transferência dos cuidados da empresa aérea para com seus
passageiros, e isso denota para ele a base dos conhecimentos
especializados que a suportam. A manutenção da escolha
por determinada empresas significa, portanto a vitória contra o
medo de voar.
Para o usuário, estar a bordo do vôo de uma empresa que
reconhece, é ter confiança em suas aeronaves e em sua
tripulação.
Um
pouso e uma decolagem bem feitos marcam a passagem dos novos
passageiros, mais que o preço ou a comida a bordo.
Um piloto habilidoso e habilitado se apresenta como comandante
não pelas palavras tradicionais, mas pelo zelo que denota nas
manobras e percepções das diferentes
situações e da
segurança no uso do equipamento.
Quem
acha que o passageiro não percebe as variações de
toques das mãos no manche, ou das rodas no solo, está
enganado, pois o que diferencia algumas das características do
mercado aéreo é a sensação final de cada
vôo, permitindo o retorno do passageiro com mais
freqüência quando ele voa tranquilo, do que quando ele sofre
algum abalo emocional.
Não haverá tragédia humana alguma que não
seja chorada pelos que a assistiram ou sofreram, todos envolvidos na
dor e nas circunstâncias.
Mais ainda quando essas tragédias nos trazem
informações sobre a
fragilidade de qualquer dos sistemas em que aprendemos a confiar, seja
das aparentemente sólidas arquibancadas de um estádio de
futebol, dos sistemas contra incêndio de um prédio, dos
trilhos paralelos e estáticos dos trens, ou de qualquer das
construções humanas apontadas como sólidas pelos
engenheiros.
Assim
também foi com o sistema de controle de tráfego
aéreo e depois com a condição técnica dos
aeroportos e quiçá com a decisão dos pilotos daqui
e dali.
Isso significou, de forma compacta, o embasamento para que
vários passageiros propalassem o seu medo de voar.
E essa decisão medrosa se pronunciou na redução do
tráfego aéreo e em conseqüência na sua
aparente normalização gradual, pelo menor volume.
Só
que algumas autoridades admitem ter conseguido plena
superação, por quaisquer das medidas adotadas, e ja
comemoram o fim da Crise Aérea.
Por isso, suspeita-se que em breve as mesmas causas retornem, com maior
incidência, pois a própria superação do medo
fará o volume do tráfego aumentar.
Afinal,
sem comemorações precipitadas, terá havido
prejuízos suficientes, além das dores já citadas e
das emoções afloradas, para que aprendamos a tomar
medidas saneadoras, antes que esse novo movimento venha a se tornar
mais uma indução às perdas sistêmicas, como
ocorrem em outros mercados?
Sabe-se que o medo de voar não vem em busca de respostas
convincentes. Ele convive, sim, com o mistério que envolve as
causas dos acidentes
aéreos, mas materializa para o subjugado pelo medo, aquela dura
sensação de impotência quanto aos fatos narrados
por terceiros.
O
medo de voar é irracional e não pode ser medido por
antecipação, mas pode ser removido à medida em que
o passageiro, como público, e formado em sua opinião pelo
sensasionalismo de alguns órgãos de imprensa, conseguir
usar aquele filtro protetor tão necessário nessas horas.
Não
se prega a insensibilidade, já que um acidente aéreo de
grandes proporções prepondera sobre todos os demais
sentidos e sensibilidades que o ser humano possa suportar.
Principalmente
se dois aviões, por causas diferentes, mas percebidos como uma
só, nos trazem a impressão de que todos os que
estão voando serão afetados por uma força
trágica, e assim todos cairão, inclusive aquele no qual o
temeroso passageiro deveria voar, mas no qual deixou de embarcar por
puro medo.
Passado
o período da viagem, não voada, ele mesmo passa a
raciocinar mais tranquilamente, sem o impacto do medo intuitivo, mas
ainda sob a ação das publicações
contestatórias da qualidade dos serviços aéreos.
Quem
disser que uma pedra jogada para cima não vai cair, desconhece
as leis da Física, assim como desconhece as leis da
aerodinâmica que suportam não apenas um, mas todos os
aviões no ar.
A queda de uma aeronave, estatisticamente, é algo que não
vai ocorrer, se comparada aos volumes de tráfego aéreo no
mundo todo.
Nossa Aviação Comercial, com toda a luta que trava para subrepujar as turbulências mercadológicas, é das mais seguras, independentemente das informações que transitam pela imprensa e que se chocam com outras veiculadas, inclusive no exterior.
Se
você ainda tem medo de voar, recomendamos um passeio pelo
aeroporto mais próximo.
Olhe no rosto das passoas que chegam.
Veja a alegria estampada nos olhos e sorrisos das crianças.
Sinta o ar de festa que acabou...
Agora,
pense nas férias que perdeu, lá onde sonhou ficar, porque
não quiz ir de avião.
Pois é: lá mesmo ainda ficaram muitas pessoas que
estão aproveitando até os últimos raios de sol do
dia.
Elas sabem que no dia e na hora de voltar, também poderão
aproveitar para voar pelos Céus do Brasil, uma
sensação muito próxima dos deuses.
Que Deus abençoe a todos os que trabalham em nossa Aviação e que tire o medo daqueles que são deuses, mas que desaprenderam de voar.
Vamos
Voar em Paz.
Movimento Asas da Paz
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