| Procuradoria
quer que Justiça Federal julgue Controladores de Vôo |
O Ministério Público Federal enviou
ao STJ (Superior
Tribunal de Justiça) um parecer no qual afirma que os quatro
controladores de tráfego aéreo militares envolvidos na
queda do Boeing da Gol em setembro de 2006, em Mato Grosso, devem
responder à Justiça Federal, e não à
Militar. O parecer integra um processo que decide a qual
órgão cabe julgar a responsabilidade dos profissionais no
acidente.
Tanto os militares quanto os pilotos norte-americanos do Legacy
são acusados de terem infringido o artigo 261 do Código
Penal --expor a perigo aeronave ou praticar qualquer ato tendente a
impedir ou dificultar navegação aérea-- e do
artigo 263, que qualifica os crimes de perigo comum quando ocorre
morte.
No caso, a pena prevista é de seis meses a
dois anos de
detenção.
Pode ser, porém, que seja aplicada pena
de homicídio culposo aumentada de um terço --o que
totalizaria quatro anos de detenção.
No parecer enviado ao STJ, o Ministério Público afirma
que, "a prática do fato supostamente criminoso por controladores
de vôo, a despeito da condição individual deles de
militares, não se subordina à competência da
Justiça Militar".
"Da mesma forma, a defesa do espaço
aéreo, a cargo de órgão militar, não obriga
um enquadramento em qualquer hipótese prevista no Código
Penal Militar."
Em novembro de 2006, ao analisar outro conflito de competência
referente ao acidente, a 3ª Seção do STJ entendeu
que caberia à Justiça Federal o julgamento, e não
à Justiça estadual, como era cogitado à
época.
O Boeing da Gol, fazendo o Vôo
1907, depois
de colidir no ar contra o jato Legacy da empresa ExcelAir
de táxi
aéreo dos Estados Unidos, caiu no Estado do Mato
Grosso, próximo à Cidade de Peixoto de Azevedo, em uma
região de mata fechada, e por isso a Justiça de Sinop
vinha acompanhando o processo.
Todas as 154 pessoas que
estavam no Vôo 1907 morreram.
No ano de 2007 o número de mortes foi aumentado e ultrapassado
pela tragédia envolvendo um Airbus da TAM em Congonhas, que
matou 199 pessoas, entre passageiros, tripulantes e funcionários
que trabalhavam num hangar da própria empresa onde o Jato
colidiu, se incendiando em seguida.
| Manifesto dos Aeronautas e Controladores |
ALERTA
SOBRE A CRISE AÉREA:
MANIFESTO DOS AERONAUTAS E CONTROLADORES À NAÇÃO
BRASILEIRA
01de dezembro de 2007
Os aeronautas e os controladores de tráfego aéreo
preocupados com a urgente necessidade de oferecer respostas para a
atual crise que afeta o setor, considerando as suas máximas
responsabilidades como principais agentes da segurança de
vôo no Brasil – pilotos e controladores - unidos pelos seus
representantes eleitos, resolvem:
1. Tornar público o compromisso de atuação
conjunta no sentido de contribuir para a construção de
soluções comprometidas com o interesse da sociedade.
2. Assegurar que apesar do assédio moral,
perseguições e punições injustas, com as
quais se buscam provocar os profissionais de controle de tráfego
a gestos de desespero, NÃO HÁ encaminhamento no sentido
de promover qualquer MOVIMENTO DE PARALISAÇÃO DAS
ATIVIDADES, ao contrário do que falsamente se tem divulgado, com
a intenção de direcionar a opinião pública
contra a categoria e, de modo contrário, conquistar apoio para a
manutenção do controle militar.
3. Enfatizar o apoio ao modelo desmilitarizado do setor, como ocorre em
toda a Europa, América do Norte e demais países com
volume de tráfego aéreo relevante, ao contrário do
que ocorre na Eritréia, Togo, Gabão, Coréia do
Norte, Uruguai e BRASIL.
4. Alertar para a atitude irresponsável de
habilitação acelerada de controladores inexperientes,
resultando agravamento da insegurança da atividade (o tempo
mínimo de treinamento em posição operacional, que
já era deficiente, está sendo reduzido de cento e oitenta
horas para noventa horas).
5. Exercer o dever cívico de não permitir a
manipulação de informações para o
Presidente da República, para o Ministro da Defesa e para os
veículos de comunicação, o que sistematicamente
tem ocorrido mediante ocultação de fatos relevantes e
inverdades produzidas sobre a crise aérea.
6. Evidenciar que a supressão da autonomia
técnica-operacional dos controladores de tráfego
aéreo, retirando-lhes a independência técnica para
registros de incidentes aéreos (quase colisões), bem
como, subtraindo-lhes o poder de decisão para intervir em
situações de risco, poderão resultar em acidentes
semelhantes ao Vôo TAM 3054, que poderia ter sido evitado.
7. Repudiar as perseguições, punições e
afastamentos de controladores experientes, o que se faz em
represália à coragem com que esses têm procurado
assegurar níveis mínimos de segurança, enquanto as
autoridades aeronáuticas omitem as falhas sistêmicas,
sempre preocupadas em aparentar “sensação de
segurança” e normalidade das condições de
tráfego.
8. Exigir, em nome de uma legítima defesa da sociedade, que as
autoridades aeronáuticas interrompam imediatamente as
retaliações aos controladores de tráfego
aéreo quando estes cumprirem rigorosamente as normas e
regulamentos, as quais garantem a segurança de vôo.
9. Manifestar a disposição de contribuir, através
de suas co-irmãs internacionais, IFALPA – International
Federation Airlines Pilots’ Associations e IFATCA – International
Federation Air Traffic Controllers’ Associations, para imediato
diagnóstico das situações de risco hoje
existentes, mediante a alocação de peritos especializados
e independentes, efetivamente comprometidos com o interesse da
sociedade.
Esclarecemos, por fim, à sociedade brasileira (usuários,
trabalhadores e autoridades) que a falsa impressão de retomada
da normalidade na situação do tráfego aéreo
nacional esconde uma perigosa improvisação, em
prejuízo dos padrões internacionais de segurança.
Enfatize-se que a adoção dos procedimentos recomendados
por todos os organismos mundiais relacionados à segurança
de vôo implicará no aclaramento da insuficiência da
infra-estrutura instalada para a oferta de serviços anunciada
pelas autoridades aeronáuticas.
Em face de tudo exposto, aeronautas e controladores conclamam a
sociedade civil brasileira a que realize a escolha entre o
esforço de efetiva construção de um sistema seguro
ou, de outro lado, a “falsa normalidade ".
AERONAUTAS E CONTROLADORES
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