Notícias do Seminário Nacional de Aviação Civil


(Rio de Janeiro, 30/06/2008) - A Quarta das nove reuniões mensais que compõem o Seminário Nacional de Aviação Civil aconteceu mais uma vez no Auditório Silvio Pedroza da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, no Rio de Janeiro.
O Seminário dessa vez dividiu o tempo da reunião em dois períodos, sendo o primeiro dedicado à palestra do Brigadeiro Ramon Borges Cardoso, Diretor Geral do DECEA e o segundo a um Painel que comparou as questões relativas à Infra-estrutura Aeroportuária de Rio e São Paulo, de acordo com a ótica do Superientendente do Aeroporto Internacional Tom Jobim, Wilson Massa, e do Vice Presidente da São Paulo Turis, Tasso Gadzanis, duas expressivas personalidades da Aviação e do Turismo brasileiro.

Nessa 4ª reunião foram apresentadas e debatidas as questões do Controle do Tráfego Aéreo no Brasil, sua extensibilidade, confrontos com sistemas de outros países, suas potencialidades imediatas e limitações existentes no momento.
Em relação à Infraestrutura Aeroportuária, os debatedores deixaram claro, pelo lado da INFRAERO, que há um programa em curso, cujo objetivo é atender à demanda de qualificação do AIRJ para os grandes eventos que se desenham no futuro próximo.
Já por São Paulo ficou nítida a preocupação quanto ao volume do tráfego e as dificuldades decorrentes da crise continuada, que interfere diretamente nos negócios que movimentam a economia do Estado.
O Seminário Nacional de Aviação Civil, que é uma iniciativa do Movimento Asas da Paz e conta com o apoio do Conselho de Turismo da CNC, abordou, mais uma vez, questões de relevância para o estudo de alternativas viáveis para a Aviação, sobretudo quando essas questões resvalam para o campo das polêmicas que opõem especialistas e levam à imprensa diferentes significados para conteúdos especializados e técnicos.

Para dirimir várias dessas dúvidas a 4ª Reunião do Seminário recebeu como palestrante o Diretor Geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo - DECEA, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Ramon Borges Cardoso, que discorreu sobre o tema  “O Controle do Espaço Aéreo e os Aeroportos na Organização e Desenvolvimento da Aviação Brasileira.”

Abrindo os trabalhos, em nome do Presidente do Conselho de Turismo da CNC, Oswaldo Trigueiros, ainda ausente, o Presidente do Movimento Asas da Paz e Coordenador do Seminário, Comte João Flávio Pedrosa, lembrou o quanto eram importantes e o quanto o país havia investido nas atividades de defesa e de controle do espaço aéreo, ao longo desses mais de 40 anos de entrosamento entre a Aeronáutica e as empresas aéreas nacionais, sendo de todo impossível se pensar em abrir mão desses elementos de garantia, essenciais aos pilares que sustentam as nossas condições de soberania.


Iniciando sua Palestra o Brigadeiro Ramou lembrou que abordaria apenas uma pequena parcela daquilo que está acontecendo, mas justificou que não poderia ficar entrando em tantos detalhes porque a palestra se tornaria muito longa. Por isso havia decidido falar apenas o que achou que era mais importante, inclusive para que todos pudessem fazer uma análise, e depois, no período dos debates, ainda se dispunha a responder às perguntas.

E ressaltou que ainda abordaria, então, algum item, que fosse do interesse geral, de modo que todos pudessem saber exatamente o que está acontecendo nesse tema no Brasil.
Com isso é necessário frisar que a opção do Brigadeiro foi a de tocar em pontos essenciais, até mesmo polêmicos, sem se omitir quanto aos itens que predominam nas discussões que abordam os temas do controle do tráfego aéreo no Brasil e no exterior.

E ressaltou que começaria a falar exatamente sobre essa parte de espaço aéreo, controle, infra-estrutura, porque sabia que o desenvolvimento da aviação brasileira depende de ações a serem realizadas em duas áreas básicas: infra-estrutura aeronáutica e infra-estrutura aeroportuária.
De forma didática e técnica, apresentando inúmeros slides, o Brigadeiro Ramon lembrou a posição central que a aviação ocupa, compondo, com a infra-estrutura aeronáutica, a infra-estrutura aeroportuária e os próprios usuários do sistema, um verdadeiro tripé, tendo todos e cada um desses componentes, suas diferentes responsabilidades para manter muito bem balanceado esse tripé, para que tenhamos um sistema de transporte aéreo equilibrado. "Qualquer um desses sistemas", explicou o Brigadeiro Ramon, "que não estiver adequado, fará com que os outros dois se modifiquem, ou que tenham problemas." E, continuando, se questionou: "Qual é a nossa área de responsabilidade?" O DECEA, segundo o seu Diretor, cobre treze regiões de formação de vôo FIR com as quais estamos ligados tem sob sua responsabilidade uma área de aproximadamente 22 milhões de quilômetros quadrados considerando também a área marítima da FIR Atlântico, que cobre toda a área do Atlântico. Segundo Ramon, "a própria distribuição dessas FIR dentro do Brasil já mostra alguma coisa que nós precisamos modificar."
E prosseguindo alertou que além da nossas "existem treze FIR internacionais com as quais nos ligamos", explicando que "elas tem conceitos diferenciados, equipamentos diferenciados e tecnologia diferenciada da nossa".
Logo após, com a chegada do Presidente do Conselho de Turismo ao recinto, o Presidente do Movimento Asas da Paz passou-lhe a presidência dos trabalhos e em rápidas troca de palavras Oswaldo Trigueiros cumprimentou o palestrante e a todos, solicitando ao Brigadeiro Ramon que prosseguisse em sua palestra. Em seqüência à sua exposição Ramon se referiu à modificação que o DECEA está fazendo, em várias etapas, já tendo concluído a primeira e apresentando a configuração final que será atingida em 2009.
"Antes a FIR Brasília cortava o Brasil ao meio, de modo que qualquer problema que tivesse nesse setor eu ficava impedido de fazer vôos no sentido Norte/Sul. Então, ela bloqueava qualquer possibilidade de passagem.
E, prosseguiu,"além disso, tinha 53% de todo tráfego aéreo brasileiro. Nós começamos, então, a fazer algumas modificações, para fazer um balanceamento desse tráfego e nessa posição final a FIR Brasília vai ficar com aproximadamente 40% do tráfego brasileiro.
Em relação aos ganhos com essa modificação lembrou que "quem sai de São Paulo e Rio de Janeiro para a Europa será controlado, inicialmente, pelo setor FIR Curitiba, em seguida ele passa a falar com a FIR Recife e depois a FIR Atlântico. Então, nós eliminamos uma série de comunicações e de troca de informações entre as diversas FIR."
"Com isso reduzo a carga de trabalho do piloto, a carga de trabalho do controlador e as possibilidades de erros de interferências de várias pessoas que fazem a coordenação." E prosseguiu:"Para o lado Oeste a mesma coisa. Quem estiver saindo de São Paulo para os Estados Unidos não irá mais passar pela FIR Brasília. Irá ser controlado pela FIR Curitiba, depois passa para FIR Amazônica. Com isso, nós também evitamos comunicações, controle, coordenações, que aumentam a carga de trabalho. Além disso, a FIR Atlântico foi chegada mais para perto da costa e foram criadas aerovias, de modo que quem sai de Buenos Aires, Montevidéu, Santiago entram próximo a Porto Alegre e vão para dentro d’água e vão aproar direto Fernando Noronha, evitando que essas aeronaves cruzem as áreas importantes nossas: Rio, São Paulo, Brasília, fazendo com que aerovias tenham uma menor distância e um menor número de órgãos de controle para efetuar o gerenciamento." Segundo o Diretor Geral do DECEA "estas são modificações conceituais que estamos implantando, justamente para permitir coisas que são importantes para a aviação. Se diminuo cem milhas de uma aerovia dessas estou reduzindo tempo de vôo, consumo de combustível, para as companhias aéreas. No momento em que faço aeronave voar com menos órgãos de controle, estou reduzindo o número de enlaces, a carga de trabalho, tanto do controlador quanto do piloto, e facilito o planejamento das companhias também para executar essas atividades.

A palestra do Brigadeiro Ramon introduziu ainda vários conceitos novos, antecipando as ações que permitirão ao Brasil manter e aperfeiçoar sua qualificação nos sistemas de controle do espaço aéreo, além de criar as condições que facilitem as operações das empresas aéreas, com significativo impacto na redução dos seus custos operacionais de vôo. Especificamente se referiu ao monitoramento operacional, com a adoção dos sistemas de gerenciamento de fluxo, que coordenará todas as operações do dia-a-dia sem que haja uma saturação nem do espaço aéreo nem da infra-estrutura aeroportuária. E explicou: "Obviamente, os planejamentos são feitos considerando o estado de “nirvana”. Eu não tenho mau tempo, não tenho pane de aeronave, não tenho atraso, não tenho falha de equipamento. Só que isso não existe. No dia-a-dia a realidade é diferente. Tem aeroporto que fecha, aeronave que dá pane, passarinho que bate no avião na decolagem. Então como é que eu vou gerenciar tudo isso? Nós, então, trabalhamos com gerenciamento de fluxo. Por que vou fazer uma aeronave decolar se sei que na hora que ela chegar no seu destino o pátio de estacionamento vai estar cheio e ela vai ter que ficar orbitando ou ficar reduzindo velocidade em rota? É mais fácil eu segurar dez, quinze ou vinte minutos no chão e depois ela decolar e cumprir o seu padrão de vôo normal." E finalizou: "e daí é que vem a história do gerenciamento do espaço aéreo e não mais controle."
Ao fazer os agradecimento do Seminário e do Movimento Asas da Paz pela palestra do Brigadeiro Ramon, o Coordenador Coordenador Geral e Conselheiro, Comte João Flávio Pedrosa  esclareceu que se referia principalmente ao agradecimento pela aula "porque rever todos os conceitos e rever também o futuro, ou seja, antecipar o que vem por aí é muito importante."
E esclareceu mais: "Eu acho que para todos nós, de um modo geral, esse conhecimento do futuro é essencial na formação".
Dando seqüência a esse raciocínio prosseguiu:
" -
Quando fiz aquela referência (referindo-se ao texto da alternativa proposta ao MM. Juiz Ayoub) à necessidade de valorizar os recursos humanos, fiz também relação à própria formação profissional. Efetivamente, se nós não tivermos relação permanente com essa cultura nova que virá, nós vamos ficar prejudicados na formação e não podemos abrir mão disso."
Em seguida passou a palavra ao Presidente Owaldo Trigueiros que se desculpou por não ter podido estar presente desde o início alegando:
" -
Eu quero, primeiramente, lamentar o meu atraso, mas eu moro um pouco distante, em outra cidade, chamada Barra da Tijuca, que para chegar no horário só helicóptero ou então aviação. Vou pedir o seu apoio na próxima vez. (risos)



Em sua intervenção Trigueiros afirmou
" - Aproveito para cumprimentar o ilustre Brigadeiro Ramon, que nos deu, realmente, como você já disse, uma aula e que nós precisamos. Mas precisamos que essas aulas sejam contínuas e abrangentes, porque existe, hoje, uma mídia explorando negativamente todos os fatos que acontecem, sem conhecimento de causa, mas procurando afetar a imagem da segurança, até da segurança de vôo, do que não se faz, do que se deve fazer. Todo mundo hoje entende de aviação. É um negócio muito sério. A Aeronáutica, hoje, é um ponto de exploração constante e isso afeta muito o passageiro, que fica receoso; e isso está atingindo a Força Aérea Brasileira, que temos muito orgulho, eu tenho um orgulho pessoal, como todos os brasileiros, porque a FAB, a Força Aérea Brasileira, muito fez pelo Brasil, tem feito e continuará fazendo. E se nós voltarmos, vamos ver a mala postal, que ela desenvolveu; há anos atrás nem chegava correio, na Amazônia, mas a Força Aérea Brasileira foi que aproximou o Brasil. A aviação brasileira, também, fez muito pelo Brasil, a chamada aviação comercial. E tudo isso não é lembrado. Só é lembrado o fato negativo, às vezes explorado sem a capacidade de defesa e quando publicado em jornal, em revista, essas coisas absurdas ficam sem respostas.
E Oswaldo Trigueiros prosseguiu: " - Por isso, as questões debatidas nesse Seminário Nacional de Aviação Civil, promovido pelo Movimento Asas da Paz, com o apoio do Conselho de Turismo que presido, em nome da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, são questões eminentemente nacionais. É preciso que isso seja discutido e o João Flávio, com o Movimento Asas da Paz, tem feito um trabalho fantástico em difundir, em convidar, em promover essas reuniões, no sentido de debater e de mostrar a realidade. Nós estamos sendo atingidos. Eu falo, nós, aviação e a Força Aérea, mas estão sendo também atingidos os aeroportos; estão procurando atingir sem ter capacidade de julgar e se tivessem no nosso lugar eu pergunto: o que eles fariam? É fácil criticar quando se está fora do país ou das atividades específicas. Estes aqui. como os que compõem o DECEA  e a INFRAERO são brasileiros capazes de enfrentar nossas adversidades, em harmonia com os nossos dias, com todos os povos que habitam esse nosso planeta. Há também a crítica de que os aviões não vêm para cá porque não tem pouso, não tem isso, não tem aquilo. E finalizando o Presidente do Conselho de Turismo solicitou: "Peço, portanto, aos debatedores, tanto quanto aos participantes presentes, que, ao final da nossa reunião de hoje, possamos nos sentir mais próximos dessas alternativas viáveis, que nos devolvam a tranqüilidade na aviação - e que ela continue brasileira. Esse é outro ponto importante."

Retomando a palavra, antes dos debates, o Coordenador Pedrosa comentou sobre a necessidade que entendeu de adotar a metodologia da problematização no Seminário porque, ao longo dele, já teria havido grande desenvolvimento, "num passo, que foi dado aqui, na última reunião, quando pude entregar, depois de uma leitura breve, ao juiz Ayoub, uma das questões que considero fundamentais para a solução das crises financeiras da aviação, embora aqui, vá parecer utilizar uma expressão recebida, carinhosamente, vinda do Brigadeiro Gandra, de que eu sou um sonhador."
E prosseguiu: "Mas quem não sonha não voa! E há necessidade de nós entendermos que há um momento para o sonho e há um momento para a materialização desse sonho."
Em suas explanações informou que
o Movimento Asas da Paz submeteu aquele documento a outras instâncias, em Brasília, recebendo um parecer técnico de especialista, condições da interpretação atingir outros patamares, inclusive criando a jurisprudência que for necessária a respeito.
Logo após os debates sobre a palestra do Brigadeiro Ramon do DECEA, o Comte Pedrosa convidou para fazer a exposição seguinte, sobre a INFRAERO, o Superintendente do Aeroporto Internacional Tom Jobim, José Wilson Bastos de Souza Massa.

Com ampla experiência em diferentes áreas da empresa governamental, Wilson Massa apresentou o conjunto de ações que no momento representam os esforços da INFRAERO.
Identificando os fatores de insuficiência já reconhecidos, Massa mostrou as alternativas que vem sendo estudadas para adequar as unidades operacionais que compõem o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro aos anseios do trade turístico, a quem ele pretende intensificar o apoio.
Em relação aos movimentos das companhias aéreas, ficou à disposição de todas para enfrentar as questões que eventualmente tenham impedido seu retorno ao Galeão, dizendo-se aberto às negociações e propenso ao diálogo permanente com essas empresas, mesmo reconhecendo que há entraves..
Em relação às obras para o acolhimento das aeronaves, do público em geral, funcionários das aéreas, fornecedores de serviços, passageiros e visitantes, lembrou que os projetos em curso visam a preparação do Aeroporto para os grandes eventos que estão sendo esperados ou projetados para o Rio de Janeiro, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Wilson Massa respondeu ainda às perguntas formuladas, algumas até dirigidas ao plano administrativo dos aeroportos brasileiros e suas atuais dificuldades, em função dos atrasos e cancelamentos, tendo situado a INFRAERO como uma empresa que se compara a outras dos demais países.



Durante a fase dos debates o Conselheiro Gilson Novo, representante do grupo Águia, holding que detém a propriedede de onze empresas, inclusive operadoras que trabalham o turismo receptivo e o turismo exportativo procurou situar a questão do ponto de vista do usuário, ou como ele disse, do vendedor.
" - Como vendedores, já que lotamos aqueles assentos do avião, é preciso também que nós possamos expressar da nossa dificuldade com relação a passageiros, principalmente aqueles que levamos para Europa, Estados Unidos, em grupos que embarcam em Porto Alegre, Curitiba, e principalmente aqueles que embarcam no Rio de Janeiro, devido a estes constantes atrasos."
E prosseguiu: " - não é um fato que aconteceu hoje: é uma constância que nós, operadores, temos que nos precaver. E se todo mundo e as empresas sempre colocam: quatro horas de atraso eu estou dentro da lei. Então caímos nesse mesmo processo, que elas não têm nenhuma responsabilidade; quatro horas que dá normalmente nesses atrasos. Então a minha viagem, que normalmente se faz em doze horas, eu faço normalmente em trinta, tudo porque começou aqui todo esse processo. E não vai reclamar na Anac não. Dentro de quatro horas a empresa aérea está dentro do seu direito. Nem fazer registro. Vai lá na Junta de Conciliação, que é outra piada e você também não tem o teu direito assegurado. Então o que acontece com o usuário brasileiro?
Gilson Novo afirmou que "esse é o lado do usuário. Todos apreciamos muito o trabalho que está sendo feito, mas tem um lado do usuário que ainda está sendo extremamente penalizado com os constantes atrasos, exatamente por isso, porque nós não conhecemos a razão desse atraso. Tanto esse atraso é na pista, quanto dentro da aeronave e isso tem prejudicado bastante."
E concluiu: " - Nós terminamos por dar dinheiro para a portuguesa, porque sai aqui do Rio de Janeiro e nos livramos um pouco dessa história de conexões. Então todo processo acaba sendo gerado para o outro lado."
Respondendo ao Conselheiro Gilson Novo o Brigadeiro Ramon explicou que "
Há um ano atrás, nós tínhamos 25% dos vôos com atraso maior que uma hora. É mais ou menos essa média levantada. Nós fazemos um trabalho, junto com a Infraero, em computar os atrasos e isso é transformado em um relatório, que me chega diariamente, e é transmitido para as autoridades sobre como é que está o atraso e também por aeroporto; qual é o atraso de cada aeroporto. Hoje, nós estamos com 12% a mais de trinta minutos. O objetivo é que a gente passe até o final do ano, pelo menos no final da temporada de verão, a computar esse atraso com 15 minutos, que é o padrão internacional. Por que a gente não computava isso antes, com quinze minutos? Porque isso ia dar quase que 100%. Então já melhorou muito devido àquilo que eu estava falando, da decisão colaborativa, e agora tem algumas coisas que acho que vão melhorar um pouco mais.


E continuando, explicou: " - A comercialização das passagens só poderá ser feita pelas companhias aéreas depois que a análise daquele vôo for feita pelo DECEA e a Hotran for autorizada, porque já tínhamos fatos anteriores em que a companhia planejava o horário, comercializava aquele horário e depois ele não era aprovado, mas ele já tinha sido comercializado.
Então já existiria um atraso natural, porque o planejamento não foi colaborativo.
Então isso está melhorando aos poucos. Obviamente não se consegue fazer isso de um dia para noite. Há alguns locais em que é extremamente crítico, o problema de meteorologia. Na hora que fecha São Paulo o atraso vai para 30% do Brasil. É a concentração. E as aeronaves fazem o trilho passando por São Paulo. Então ela não passa. Ela não decola para chegar lá. Na hora que Guarulhos abre, aí começa todo mundo a querer decolar. Não dá. Eu preciso fazer um gerenciamento de fluxo.
Aí nós começamos a colocar aeronaves separadas. E aí vem muita reclamação: por que decola uma aeronave de sete em sete minutos de Guarulhos? Não podia decolar muito mais cedo?"
E ele mesmo respode: " - Decola de sete em sete minutos de Guarulhos, porque decola uma de Guarulhos, uma de Congonhas, uma do Galeão, uma de Cofins, todo mundo para o mesmo lugar. Na realidade, para o local de destino eu estou colocando aeronave a cada um minuto e meio, porque justamente estava tudo parado.
Com tranquilidade o Diretor Geral do DECEA prossegue: " - Então a gente tem que ir soltando aos poucos. É isso que acontece. Quando fecha Porto Alegre é outro problema, porque as aeronaves não conseguem pousar. Aí vão para Florianópolis. No dia seguinte, já que a aeronave tinha que pernoitar em Porto Alegre, ela não começa o dia no local de partida. Então tem que decolar para ir lá para Porto Alegre, para começar o vôo e esse já começa atrasado. Pois todas essas coisas causam problemas para o controle. Aí novamente a gente bate na infra-estrutura. Fechou Guarulhos, o pessoal vai para Campinas. Lota o pátio de Campinas, eles vão para Cofins. Lota o pátio de Cofins, eles vem para o Galeão. Daqui a pouco estou com três pátios de estacionamento cheios e mandando segurar a aeronave que está em Manaus, a não ser que ela vá decolar de Manaus para Belém, porque senão não vai ter lugar no chão. Então entra aquele problema que estava comentando sobre o número de estacionamentos, ou melhor, de posições de estacionamento, o que daria uma maior flexibilidade para a operação. Por exemplo: Guarulhos. Se não mexermos em nada no terminal, não mexermos em nada na pista e aumentarmos o número de posições de estacionamento, aumento em 25% a capacidade de movimento de Guarulhos, só colocando pátio de estacionamento adequado. Então todas essas coisas acontecem, mas estão sendo reduzidas cada vez mais.

Quase ao final da 4ª Reunião, após a fase dos debates, o Presidente do Movimento Asas da Paz e Coordenador do Seminário Comte João Flávio Pedrosa passou a a palavra ao Vice-Presidente da São Paulo Turis, Tasso Gadzanis, ex- Presidente da ABAV Nacional.
Gadzanis
iniciou sua intervenção lembrando que seria rápida e que, "o Rio de Janeiro é campeão de turismo, mas São Paulo é mais do que um campeão, porque só de visitantes nós recebemos dez milhões e meio de visitantes por ano." Segundo Gadzanis "três milhões são turistas internacionais e 60% do movimento comercial aéreo do Brasil é emitido naquela cidade".
De acordo com ele, "quando começou esse problema, com o acidente da Gol, infelizmente, primeiro os agentes de viagens foram acusados de não saber colocar nos horários certos; normalmente sempre é o agente de viagem que acaba pagando o pato.
Mas, depois, o próprio consumidor, o próprio passageiro, descobriu que não adiantava colocar nesse horário, naquele ou naquele outro, porque o problema era o mesmo. A nossa preocupação qual é?  A nossa preocupação é que São Paulo atrai dez milhões e meio de visitantes por causa das suas feiras, dos seus eventos. Nós lá administramos o maior complexo de férias da América Latina, que é o Anhembi.
E o que está acontecendo?

E Gadzanis mesmo responde: " - Está acontecendo que em vez de vir quem resolve nas feiras, por causa dos problemas dos aeroportos está vindo o segundo ou o terceiro. Isso faz com que aqueles negócios, que eram fechados na feira, não mais são fechados na feira e, sim, na volta do segundo ou do terceiro, na sua base, para discussão com o dono, com o presidente, com o grande diretor. Isso é preocupante, porque isso mexe com a economia do país. Nós temos feiras lá que já começa janeiro com a Couro Moda, que traz 70 mil pessoas, dos quais 10 mil são estrangeiros: argentinos, paraguaios, bolivianos, venezuelanos, até da China tem vindo, muitas vezes não para comprar, mas, sim, para ver a concorrência. O primeiro dono, aquele que decide não vem mais. Quem está vindo agora é o segundo; ou seja, isso para nós, para a indústria, para a potencialidade comercial, industrial, do estado é muito preocupante, porque mesmo tendo amainado a situação, hoje, por exemplo, saiu de São Paulo, no vôo às 6h35m e 6h35m ele decolou. Mas, ainda continuam seus probleminhas." E comentou a seguir
" - O aeroporto de Guarulhos, eu acho, pessoalmente, com má administração da Infraero, desculpe, mas, hoje em dia dizer que não pode ser feita a terceira pista porque há invasão lá e tem 20 mil pessoas morando em cima da pista?"

E Gadzanis raciocina: " - Quer dizer: foi má administrado; porque se fosse um administrador não deixava o primeiro casebre ser construído; 700 milhões de reais, parece-me para poder tirar aquele povo todo fora. Continuamos sem a pista. Eu não sei se o terceiro terminal vai sair tão rápido. Não vai.
Eu, há 20 dias atrás fui para Madrid, - e olha que eu sou freguês de aeroporto há 52 anos, e quase que pego a fila errada, porque as filas se cruzam e eu bobeei um pouquinho e já estava indo na outra, que nada tinha que ver com o meu vôo."
A situação é preocupante. São Paulo está preocupado com isso, porque já vamos há quase dois anos e, de fato, não tem solução.
Provavelmente a solução aqui no Rio de Janeiro vai ser dada porque tem uma pressão diferente. Tem uma pressão de 2014 e tem uma pressão de 2016.
Essa é uma grande pressão, porque é a vitrine do país, o mundo todo olhando.
" São Paulo como não tem 2014 e não tem 2016 vai ficar, tenho eu a impressão, não faço parte da Infraero, não faço parte do Comando da Aeronáutica, que aquilo vai ficar nas possibilidades possíveis e é para nós muito preocupante."
E para concluir, dirigindo-se ao Presidente do Movimento Asas da Paz, expressou-se, com seu humor peculiar " - Eu estou aqui hoje e não vim preparado: gostaria de ter preparado 50 ou 60 folhas, mas não vim preparado para isso, mas parabenizo a CNC, por essa iniciativa. Vou copiá-la, com a sua ajuda, com o seu assessoramento, porque temos vários problemas a serem discutidos, não só os problemas internacionais, o problema do Galeão, os problemas de Guarulhos, os problemas de Congonhas. Nós temos uma coisa muito mais importante que eu acho que são os aeroportos no interior do estado. O governo do estado absolutamente não está se mexendo e quem tinha cento e poucos aeroportos comerciais no estado, agora temos cinco ou seis e olhe lá", finalizou.

Ao final da Quarta Reunião o Presidente do Movimento Asas da Paz fez a leitura do Parecer Técnico do Professor Antônio Machado sobre a proposta de considerar como Ativo Intangível os Recursos Humanos de uma empresa aérea, buscando solucionar a lacuna existente na legislação brasileira.
De acordo com o  Parecer do Prof.Machado, é viável a transposição de despesas efetuadas para a qualificação desses Recursos Humanos, com apropriação no Ativo.
Após exemplificar, com modelos facilmente compreensíveis, o Prof.Antonio Ramos Machado lembrou que o Governo Brasileiro, quando se fez conveniente a adoção de política de incorporações e fusões de empresas, criou órgão no Ministério da Fazenda específico para acomapnhar a reavaliação dos ativos das empresas.
De acordo com o Parecer Técnico do Prof.Machado, a viabilidade para essa adoção dos Recursos Humanos como Ativo Intangível depende apenas de legislação a ser proposta ao Congresso Nacional, o que será feito logo.
Leia o Parecer do Prof. Antonio Ramos Machado na Íntegra
Veja a Proposta do Movimento Asas da Paz
Aqui, Breve as palestras que estão sendo transcritas.                                    Veja aqui o Álbum de fotos da 4ª Reunião do Seminário


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