Notícias do Seminário Nacional de Aviação Civil



SR. PRESIDENTE (OSWALDO TRIGUEIROS JR.)
Bom dia a todos.

Primeiro, peço desculpas pelo meu atraso, decorrente do tráfego do Rio de Janeiro e outras coisas que acontecem no Rio, que prejudicam o dever do cidadão.
Dever nós temos, direitos não temos nenhum.
Vai atrasar o Imposto de Renda, vai atrasar IPTU, vai atrasar gás, como eu tive problemas com isso e fiquei três meses sem gás, porque não resolviam o problema e assim por diante.
Quer dizer, cada vez mais nossos direitos estão sendo extinguidos.

Agora, os deveres, estão aumentando cada vez mais.
Vou aproveitar este momento porque estou psicologicamente preparado, para dizer algumas coisas.
O Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC, reúne e saúda, mais uma vez, os participantes do Seminário Nacional de Aviação Civil.
Que já é uma força.
Porque nós estamos nos reunindo cada vez com mais intensidade, para defender direitos e defender também a aviação comercial brasileira.
Por que se não fizermos, nós vamos ter o mesmo problema que tiveram os portos, que praticamente só agora é que estão sendo reestruturados, depois de quase seis anos.
Quase não se usam os portos para fins de exportação e importação, com isso prejudicando grandemente o Brasil.

Cumprimento os ilustres palestrantes e aos demais membros da Mesa, aos quais agradeço pela presença neste Seminário, lembrando aos presentes que a condução dos trabalhos será do Conselheiro João Flávio Pedrosa, Presidente do Movimento Asas da Paz.
Antes porém, gostaria de fazer algumas reflexões, que poderão parecer, a princípio, apenas literárias, mas cujo objetivo é fundamental para evidenciar o que nos moveu a nos reunirmos aqui neste plenário.
Um dos maiores romances do mundo foi escrito na Espanha do Século XVII, por Miguel de Cervantes, autor que fez dessa obra uma tarefa com o objetivo de mostrar a frustração e a derrota dos altos ideais da cavalaria, num mundo materialista de então.
Para alguns, Dom Quixote, o cerne da obra, é uma personagem rica em invenção e incompreensão, frustrado em conseqüência da sua incapacidade de distinguir a realidade da ilusão.

Ele mesmo, a personagem, em sua fase finalística, admite com suas próprias palavras, “que este mundo é só conspiração e armadilhas, todas contraditórias, e por isso devemos tocar com as mãos o que vemos, para não nos iludirmos”.
Para essa nossa reflexão trago também as palavras do conceituado crítico e poeta americano John Peale Bishop, que em seu comentário daquela obra-prima de Cervantes diz que “encontramos a cada passo um Dom Quixote em todos os reformistas”.
Quem dentre nós, que trabalhamos em Aviação, por momentos, pelo menos, não teve auras de Dom Quixote, para não perder a dignidade, a nobreza e até mesmo o idealismo patético, ao nos defrontarmos com tantas lutas e com tantas decisões devastadoras?
Fora as decisões, que tiraram os nossos direitos adquiridos ao fundarmos o Aerus e contribuirmos, mensalmente, durante anos e que até hoje temos companheiros morrendo e isso vai-se protelando, para ir morrendo e o governo não pagar.
Isso já está previsto.
Eu não tenho absoluta confiança, que seremos beneficiados em alguma coisa. Entretanto, tem milhões ou bilhões de reais envolvidos, mas não se lembram de que nós trabalhamos anos e anos e não temos direito a coisa nenhuma. Isso é patético. (Aplausos)
Hoje não nos bastam mais simplicidade, lealdade ou bom senso de fiel escudeiro, para defender situações empresariais. Isso é tudo sonho!
Se antes nossas empresas envolviam devoção, movidas que eram por um clima familiar e unido, hoje foram reduzidas a simples cores numa empenagem fria de aeronave, qual aquela armadura medieval do cavaleiro da triste figura.
Em verdade, sabemos todos que o mundo atual está em transição, como no passado esteve ao abandonar a nobreza da cavalaria. Por isso devemos aprender a respeitar os criadores, os analíticos e os críticos, assim como os sonhadores, os homens e mulheres, que são fiéis a algo mais valioso do que a satisfação pessoal de seus prazeres e necessidades.Os sonhadores e sonhadoras são pessoas de boa vontade e que mesmo arriscando a se expor ao ridículo e às privações, não deixam de servir a todos, para cumprir seus ideais.
Meus amigos: o Movimento Asas da Paz, como um sonho em 1994, foi sendo construído com admirável fortaleza por um desses homens que buscam, a todo instante, viver segundo suas regras.O Conselho de Turismo da CNC, ao apoiar o Movimento Asas da Paz na realização deste Seminário, o fez por entender a importância dessas discussões temáticas sobre a Aviação Brasileira, em busca desse sonho de tantos, de voarmos com tranqüilidade.
Na reunião de hoje, já a sexta deste ano, ouviremos opiniões e experiências sobre a questão dos “Céus Abertos”, harmonicamente expostas e debatidas, como assim deverá ocorrer em todas as esferas representativas de nossa sociedade, antes que quaisquer medidas efetivas venham a ser adotadas.
Nós devemos lutar muito, mas lutar muito mesmo, caso contrário perdemos a parada.
As contribuições virão dos nossos cinco ilustres palestrantes, a quem agradeço em nome da CNC a presença, para com suas experiências vierem elucidar pontos de vista contrários ou mesmo convergentes. Sei que hão de decifrar esse enigma que tanto intriga os que atuam nos setores do Turismo e da Aviação.
O que deve ser feito para melhorar o Sistema Aéreo?
E em que proporções isso poderá ser feito?
Será infinita nossa capacidade de aceitação do atual modelo?
Ou devemos mudar?

O que teremos aqui, portanto, além das exposições particulares das opiniões pessoais dos palestrantes, é também um momento racional para observações, por todos os que aqui compareceram, de como o futuro nos reserva essa nova textura da malha aérea, coordenada sob a ótica da qualificação dos serviços, nesse universo em constante transformação.
Cumprimento mais uma vez aos componentes da mesa e aos participantes, com uma palavra especial aos estudantes de turismo e de ciências aeronáuticas aqui presentes, representantes do futuro do Brasil, a quem dedicamos este esforço do presente, com a melhoria dessas atividades.
Passo a palavra ao Coordenador do Seminário e Presidente do Movimento Asas da Paz, Conselheiro João Flávio Pedrosa, eu cheguei atrasado, por causa da organização do país, da cidade, do tráfego e assim, se nós formos querer justificar a nossa causa eu vou ter que falar muito mais e como estou no espírito que hoje não estou para falar porque se eu falar eu vou falar mal, eu não quero falar mal todo sempre, eu vou ficar mal visto, porque, na realidade, vou defender os meus interesses, que eu tenho direito; nós, como cidadãos, temos direito.
Agora os deveres esqueçam.
Meus amigos e muito obrigado e não vamos deixar de fazer essas reuniões com saúde, respeitando os outros, mas esperando que nos respeitem e nos respeitem, e muito, porque o Brasil precisa de nós.
O Brasil não pode tomar atitudes tão drásticas como tomou com a atitude do transporte aéreo, está tomando, e prejudicando a cidadania, prejudicando o Brasil, prejudicando o nome do Brasil que é mais importante.
Nós estamos defendendo é o nome do Brasil e o brasileiro está defendendo o seu país.

Muito obrigado a todos! (Aplausos)
SR. MODERADOR (Eraldo Alves da Cruz) – Pela ordem, vamos passar a palavra ao Dr. José Márcio Mollo – Presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas, conseqüentemente o representante das empresas aéreas do nosso país, que aglomera, principalmente, as grandes empresas, aglomera todas as empresas, mas, evidentemente, com uma ênfase nas empresas que detêm a grande participação no mercado que é a TAM, a Gol, a Varig e as outras mais.
                                  Veja aqui a seqüência da 6ª Reunião do Seminário


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