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SR. COORDENADOR
JOÃO FLÁVIO PEDROSA - Queria fazer uma
menção: acaba de chegar ao nosso auditório o
Conselheiro e Palestrante Jomar Pereira.
Por gentileza, assuma o seu lugar
à mesa.
Como ele já acabou de assumir,
trazendo vários papéis, acho que traz muita coisa para
contar.
Mas antes vou contar um detalhe:
ele também foi um dos homens de comunicação da
Varig. Isso ele me contou no momento em que lhe fiz o convite.
Jomar é companheiro de longa
data, desde 1973, quando fazia uma coluna no Jornal O Globo e eu
realizava alguns trabalhos na área cultural, mudando alguns
conceitos no governo federal.
Pois isso o tema me traz boas
recordações desse período.
Mas, acima de tudo, Jomar é um
homem de comunicação, prestigiadíssimo. Para
nós é uma honra tê-lo aqui e tenho certeza que ele
tem mesmo muitas coisas a nos contar.
Ao seu lado o Gilson Campos, que
também já prometeu contar outras tantas coisas sobre suas
experiências de INFRAERO e Galeão.
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Pela ordem. vamos ouvir, primeiro, o
Jornalista Ernesto Vianna.
Posteriormente, vou passar a palavra ao Jornalista Gilson Campos.
Depois ouviremos o publicitário Jomar Pereira.
E ainda aguardamos a Professora Carmen Lúcia Pereira.
SR.
ERNESTO VIANNA – Sob o ponto de vista da imprensa, o debate a
respeito da aviação civil brasileira, que hoje se realiza
aqui, e que já tem se realizado ao longo do tempo, como demonstra
o Movimento Asas da Paz pelos slides apresentados, é um um debate
sobre um setor estratégico do país, que envolve a todos os
demais setores.
Por isso, entendo que esse debate é indispensável.
Tenho certeza que até sob o ponto de vista do jornalismo ele
é fundamental.
Por isso, também, nós temos aqui o Jomar e o Gilson
Campos, que são especializados nesse setor de turismo e
aviação.
O que, por certo, torna o debate mais interessante, a esse respeito, e
como ele é e deve continuar sendo: estratégico.
Por quê?
Porque o jornalista, de uma maneira geral, é formado em
generalidades.
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Ele cobre as
celebridades, um político, o acidente que aconteceu ali na Rio
Branco...
Há dois anos atrás todas as redações do
país se depararam, de Norte a Sul, com o acidente da Gol.
Então aquilo mudou completamente o enfoque. Isso porque havia
poucas pessoas, na redação, que estavam acompanhando a
aviação civil brasileira, sabendo de todos os aspectos.
Esse é um setor extremamente complexo, como o próprio
Jair colocou há pouco, em sua palestra altamente elucidativa.
A Aviação é um setor muito complexo para uma
pessoa às vezes até despreparada poder passar à
sociedade brasileira, ao conjunto da sociedade,
informações importantes sobre um acidente aéreo,
como foi o caso há exatamente dois anos atrás.
Olhem
aqui. Uma matéria da última edição da
Revista Imprensa, que é intitulada: Caos no saguão,
caos na redação.
E foi o que aconteceu há dois anos atrás. Com o acidente,
de início, até o número do vôo era informado
errado. O jornalista não sabia a quem se dirigir. Quem é o
dono do céu no Brasil? Será que existia? Será que
existe?...
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Naquele momento essa
pergunta era assim mesmo. Quem era o dono do céu para explicar o
que estava acontecendo? E ele, jornalista, em 15/20 minutos tinha que
passar para a redação uma explicação sobre o
acidente.
Ele
tinha que escrever uma matéria. E essa matéria teria que
ser impressa, para a edição do outro dia.
Então muitas informações saíram truncadas a
esse respeito. |
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Depois disso as
próprias redações passaram a se reestruturar;
passaram a sentir a necessidade de uma maior informação
sobre o setor da aviação civil brasileira.
Então, hoje, a situação é
bem diferente.
O jornalista foi se aprimorando, de uma maneira geral.
Foi procurando mais informações.
E daí a importância desse seminário, destas
palestras, que, por certo, continuarão; estamos na sétima
edição e por certo continuarão.
Então esses seminários transmitem
informações essenciais, com as palestras dos especialistas
da área.
E é importante que nós, jornalistas, participemos sempre
dessas palestras, até colaborando com o Movimento Asas da Paz no
que for possível, para que essas informações
cheguem às redações, cheguem ao jornalistas.
Eles que, como eu disse há pouco, são formados em
generalidades. São poucos os de especialidade, como o Gilson
Campos, como o Jomar.
Eu mesmo não sou um jornalista especializado em
aviação.
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Eu estou tendo o grato
prazer de ter contato, embora tenha feito matéria sobre
aviação civil brasileira.
Gosto de estar sempre atualizado.
Mas sou como todo o jornalista, que não está sempre
atualizado em tudo.
Ao mesmo tempo, é impossível ele estar atualizado com
todos os setores que a imprensa tem.
Seja com um jornal, ou com uma emissora de rádio e até
com os setores que a televisão tem.
Porque é o próprio mundo, é o próprio
universo.
Então é impossível ter essa
informação toda sobre a Aviação. A
não ser aqueles que são especializados nesse setor.
Dito isso, parabenizo a todos pela
realização desse seminário, ao Comandante
João Flávio, ao Mediador Luiz Brito Filho e a todos os
integrantes da mesa.
Muito obrigado. Era o que eu tinha a dizer. (Aplausos)
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SR. COORDENADOR JOÃO
FLÁVIO PEDROSA – Agradeço
ao Ernesto. Eu sei que ele ainda vai ficar conosco, para ouvir
algumas das questões em relação à
questão da Ética, que serão levantadas na palestra
da Professora Carmem Lúcia.
Mas, ainda na ausência dela, recai sobre os ombros do
gaúcho, sempre fronteiriço, a missão de suportar
essas questões.
E que permaneça para debater conosco onde está o limite
entre a ética do jornalismo e a ética da
investigação dos acidentes aéreos.
O Jair Duarte, da Flex Aviation Center, disse que até um
laboratório de sensibilidade foi montado, em relação aos acidentes
aéreos, para que se vivencie o acidente sem precisar viver o
acidente.
Essa é uma questão de treinamento.
É uma questão tão antiga... Posso dar um exemplo
comparativo. Quando criança aprendi Cosmografia. Depois isso foi
abandonado.
Hoje, bem mais velho, estou dando aulas de Capitão, ensinando a
mesma Cosmografia. Só que em um nível mais sofisticado,
porque Navegação Astronômica nada mais é do
que aquele mesmo estudo de Cosmografia que se fazia quando era
criança...
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Como se vê, a
evolução do conhecimento é uma atividade muito
intensa e rápida nos dias de hoje, mas a tecnologia volta a
buscar outros conhecimentos lá atrás, por serem leis
imutáveis.
E se nós fizermos
reflexões, vamos voltar, a pedido até da própria
Flex, há cinco séculos antes do nascimento de Cristo.
Naquela época, se pretendia de um menino, para que ele fosse um
verdadeiro espartano, que tivesse toda uma formação
guerreira desde os sete anos de idade.
Na Aviação formamos várias gerações
de pilotos com um grau tão grande de exigências que se
transformaram em verdadeiros espartanos alados, com tantas normas e
habilidades a desenvolver.
Infelizmente, hoje, precisamos nos preocupar com a vida de pilotos que
saíram do Brasil, estão voando lá fora por falta de
mercado interno, mas que estão plenos dessa
formação espartana.
Eles têm aquele conjunto de conhecimentos, que nós vimos
aqui na palestra do Jair, e que valorizam economicamente qualquer
empresa.
Imaginem o que isso significa em termos de segurança para a
Aviação.
Por isso, como viram no slide, em nossa
terceira reunião, aqui no Seminário, se discutiu a Lei de
Recuperação Judicial.
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Me referindo então às
dificuldades ocorridas com o quadro de funcionários da Varig, que
foi desmobilizado, apresentei proposta ao Juiz Ayub, da 1ª Vara
Empresarial, num projeto inovador.
Ele trata de se trazer, contabilmente, para o ativo das empresas, os
seus recursos humanos.
Entendo que essa formação, como foi apresentada aqui
hoje, é um valor que existe nos nossos tripulantes.
Pode estar mais ou menos qualificada, mais ou menos
aperfeiçoada, mais ou menos desenvolvida, conforme seja o projeto
individual de cada empresa.
Mas ela existe.
E esse valor humano não é contabilizado, nos
balanços das empresas, mesmo tendo essa grande
significação.
Hoje não se faz um piloto comercial, um piloto de linha
aérea, sem um número muito grande de horas e de
investimentos em cima, alguns de ordem pessoal, dele próprio e
outros, depois, da própria empresa.
Então esses valores são
imanentes.
São valores daquele conjunto das organizações que
absorvem essa mão de obra
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Por isso há necessidade que se
entenda esses valores como um ativo da empresa aérea.
Pagar salários entra na linha do passivo. Não há
porque discordar.
No entanto, reter recursos humanos qualificados em uma empresa,
qualquer que ela seja, entra, sim, na linha do ativo.
Então,
dito isso e agradecendo ainda ao Ernesto Vianna, passo a palavra ao
Gilson Campos, para que ele se pronuncie e, em seguida, teremos as
palavras do Jomar, que vai nos contar alguns fatos muito interessantes
das suas experiências na publicidade. |
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