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SR.
GILSON CAMPOS – Eu tenho que falar de história, porque
tenho que contar aqui algumas das minhas experiências.
História é simplesmente um pouco do passado, talvez um
pouco de nostalgia, mas tudo isso transferido para experiência.
Nos anos 50, quando comecei no jornalismo, eu era repórter e
fotógrafo, de um jornal que muita gente nem ouviu falar, chamado
Diário Carioca.
Eu sempre tive uma queda grande pela área militar e sempre eram
a mim destinadas as matérias desta área.
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Assim, de 1950 a 60, mais
ou menos, aqui na Baía de Guanabara, caíram, pelo menos,
uns seis ou oito aviões de passageiros de várias
companhias, que muitas delas hoje não existem mais, como a
Nacional, como a Aerovias.
as sempre tinha acidente e sempre eu era o encarregado de cobrir o
assunto, como também a explosão de um paiol que tinha no
meio da Baía de Guanabara.
Então sempre tinha alguma coisa que eu estava lá
presente.
Fui me
apaixonando cada vez mais por essa área e fiquei cobrindo, sem
grandes problemas; não existia na época grandes problemas
de relacionamento com as autoridades, para obter as
informações. Era possível alugar um barco e
você chegar aonde tinha caído o avião e ver a
retirada dos corpos; aquilo era juntado, às vezes, na Ilha de
Paquetá, na Ilha do Governador. E era uma coisa bastante
técnica, mas, pelo menos, não havia grandes problemas,
até porque quem chegasse primeiro estava por dentro do assunto.
Sempre se encontrava alguém para explicar o que tinha visto, como
tinha acontecido e de que forma aquela aeronave, por algum motivo, foi
despencar dentro da água.
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Para vocês terem
uma idéia, eu estava trabalhando depois, já na
Última Hora, em 1964, e também na Fábrica Nacional
de Motores.
Eu estava no décimo nono andar do prédio do
edifício da A Noite,
falando ao telefone, olhando para a Baía.
De repente vi um avião: um Curtiss Commander.
Não me lembro o nome da companhia...
Ia para o Santos Dumont... E quando ele já estava passando,
quase em frente à Praça Mauá, começou a sair
fumaça de um dos motores!
E ele caiu na minha frente.
Eu tinha tão bom relacionamento com o pessoal de Busca e
Salvamento da FAB, na época, aqui no Aeroporto Santos Dumont.
Então eu desliguei o telefone com quem estava falando e liguei
para o Sargento Pragana, que era um dos encarregados do Busca e
Salvamento lá e avisei a ele: Pragana, acabou de cair um
Curtiss Commander em frente à Praça Mauá.
Ele não sabia ainda.
A Torre ainda não tinha informado ao Busca e Salvamento de
tão rápida que foi a informação.
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Com isso eu sempre
conseguia mais rapidez também em conseguir os detalhes de muita
coisa antes dos outros.
Mas isso era ainda numa época
de jornalismo romântico.
Para vocês terem uma idéia, eu escrevi uma matéria
sobre isso, que saiu publicada na Última Hora, no dia 31 de
março de 1964, assinada, exatamente no dia da
Revolução, que os militares tomaram conta do governo e
isso depois quase me trouxe problemas em função de que eu
trabalhava na Última Hora; perseguição
política.
Isso
é para vocês terem um pouco da idéia de como
é que foi a minha vida.
Mas, antes disso, durante dois anos, lá pelos
anos 60, eu fui trabalhar como assistente de propaganda e imprensa da
Varig (também sou ex-variguiano) e tive bastante oportunidade de
viajar, de conhecer, em Porto Alegre, o sistema de treinamento,
participar de muitas atividades da Varig nesse sentido e eu mesmo,
inclusive, fui encarregado, junto com o chefe de imprensa da Varig, na
época, Antônio Cabral, nós dois fomos para os
Estados Unidos quando a Varig comprou a Real e recebeu os aviões
Conver 990.
Estivemos na fábrica.
Havia um jornal interno na Varig chamado Ícaro e que publicou
toda a história, para explicar, dentro da empresa, o que seria o
novo avião de passageiros da Varig com a aquisição
da Real.
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Isso, então, foi
uma parcela da minha vida.
Depois, eu fui trabalhar na McCann Erikcson, uma empresa de publicidade.
Passei um tempo lá.
Mas eu
continuei sempre ligado ao problema de aviação, inclusive
passei um tempo também na Fábrica do Galeão, quando
estavam sendo montados os aviões de treinamento da FAB, T21 e T22.
Cheguei a voar com o piloto de prova, e por acaso, aprender alguma
coisa, evidentemente como bastante leigo.
Mas cada
vez foi aumentando mais a minha ligação com a
aviação e com isso conhecendo gente. Jornalista precisa,
realmente, ter fontes. Ele precisa manter as fontes, precisa saber quem
é quem, como disse ali o meu colega e onde conseguir as
informações.
Passei
depois um tempo fora: fui para São Paulo, trabalhei numa revista,
que também não existe mais, fiz muitas matérias
lá.
Morei em São Paulo, depois fui morar no Recife, trabalhando
já numa agência de relações públicas,
entrando mais na área de comunicação, de
relações públicas.
E, em 1973, fui trabalhar na ARSA, que era a empresa que foi criada na
construção do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro,
aonde toda essa minha experiência, pequena, que eu tinha dessa
época, foi apresentada e transformada em ação
executiva.
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Todo planejamento do
lançamento do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, do ponto
de vista de comunicação, foi preparado por mim e por uma
pequena equipe que tínhamos.
Inclusive com o auxílio de alguns publicitários de grande
nome, que eram nossos amigos, para quem eu já tinha até trabalhado.
E fizemos todo lançamento do aeroporto, desde o nome, Aeroporto
Internacional do Rio de Janeiro, pois era preciso mostrar que um
aeroporto deve ter o nome da cidade e que o Aeroporto do Galeão,
naquele tempo, 1970, era um aeroporto já saturado.
Ele já não tinha mais condições de atender
o número de vôos que chegavam do exterior, pois, às
vezes, os aviões ficavam voando, para poder ter espaço no
pátio para parar em frente a estação de passageiros.
Essa, que era minúscula, no velho Galeão, está
lá até hoje.
Aliás, está lá o que resta do velho Galeão.
Então a nossa idéia em 1970 era trocar esse nome de
Galeão, porque as pessoas teriam uma idéia de uma coisa
velha, ultrapassada.
E assim se preparou o Aeroporto Internacional do Rio como uma novidade,
e era absolutamente uma novidade, porque ele reunia tudo que tinha de
mais moderno naquele momento.
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Não tinha nada
mais moderno e todas as experiências do exterior, tanto americanas
como francesas, alemães, inglesas, estavam sendo recolhidas, para
se transformar na empresa que seria uma estatal.
O objetivo dessa estatal seria atender, o melhor possível, a
transferência dos passageiros entre o avião e o transporte
terrestre, ou seja, o táxi, o ônibus, a bicicleta, ou o que
fosse necessário.
Nesse sentido o conceito
do Aeroporto do Galeão, naquele momento, era de que quanto menos
você andasse para chegar no avião melhor.
Porque antes você tinha que andar pelo pátio sob chuva.
Lembro que o guarda-chuva era dado pelas companhias aéreas, mas
tinha que andar, às vezes, 300/400 metros, para chegar na porta
do avião.
E já no novo Galeão, com as passarelas
telescópicas, que foi o nome que inventamos naquele momento, era
mais fácil: você entrava direto dentro do avião.
Mas tudo isso também tinha um problema da
comunicação com o público.
Foram
feitas, na época, uma série de atividades, inclusive de
levar gente, as crianças da Ilha do Governador, para visitar.
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É que nós
precisávamos agradar os insulanos, como eles gostam de ser
chamados, para que eles não vissem no aeroporto um inimigo deles
e, sim, um lugar em que muitos deles poderiam vir a trabalhar, como
aconteceu logo em seguida.
Então, levamos na
época dez mil estudantes da Ilha do Governador, para criar um
senso de opinião favorável.
A partir
daí, quando o aeroporto se inaugurou, em 1977, começaram
outros problemas.
Mas
antes disso queria só lembrar o seguinte.
Nesse caso aí dos acidentes, eu estive presente e cobri quando
houve um choque de um avião da Escola de Cadetes do Campo dos
Afonsos com um Viscount da VASP e que caiu em Ramos.
Nele morreu um jornalista, Luciano Carneiro, que era um dos principais
repórteres da revista O Cruzeiro.
Eu
estive lá e participei do trabalho.
Também
estive num outro acidente grave, que foi o choque de um avião
DC4 da Marinha Americana, que bateu também... acho que num
avião da VASP, em cima do Pão do Açúcar, e
caiu sobre o mar.
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Nele morreram todos os
integrantes de uma banda de música da Marinha Americana, que
vinha para o Rio fazer uma exibição.
Os americanos, naquele tempo com a USAID, queriam fazer uma
aproximação popular.
Então estavam trazendo uma banda, que além de ser uma
banda militar tocava jazz e fazia uma boa aproximação com
a população.
Apenas estou contando
isso para vocês entenderem o porquê da história que
vou começar agora.
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Quando
houve a inauguração do aeroporto, em 1977, o Aeroporto
Internacional do Rio de Janeiro era o que havia de mais moderno no
Brasil. Não tinha nada igual.
A não ser o Aeroporto de Manaus, que tinha sido inaugurado
há alguns meses antes, que tinha as passarelas
telescópicas, que chamam hoje de pontes de embarque.
O Aeroporto do Rio era absolutamente preparado para atender ao
desenvolvimento da aviação comercial daquele momento e da
melhor forma possível.
E com o atendimento dos passageiros muito rápido, porque estava
dividido em três setores, três salões de embarque, e
as pessoas andavam muito pouco para chegar aos aviões ao
embarcarem.
Evidentemente, dentro de todos os problemas de segurança, muito
pequenos naquela época, se prestava atenção mais na
facilitação do que na segurança.
Apenas um detalhe: naquele momento havia uma época de
seqüestro de aviões, mas era muito pequeno qualquer
índice no Brasil de possibilidades de algum ataque, de algum
problema de segurança.
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Então, o Galeão, quando
vocês voltarem lá podem prestar atenção,
é o aeroporto que tinha muita porta.
Essas portas até depois foram
fechadas porque ele tinha uma idéia de facilitar o passageiro.
Hoje tem menos portas de entrada, como
também aconteceu em Nova York, como aconteceu na França;
todos aeroportos, depois que começaram a acontecer os
seqüestros de aviões, passaram a ter uma outra visão
de que a segurança era importante; a segurança
aeroportuária.
Então, com a equipe que estava formada no aeroporto e baseado
nessas minhas experiências pessoais, que muitas vezes fui no
aeroporto participar da chegada de artistas ou de algum político
e, às vezes, tinha centenas de soldados da Aeronáutica
impedindo a passagem, cheguei a ser agredido, eu e outros colegas, mas
isso não era importante.
Mas era preciso trazer para o Aeroporto do Rio uma nova visão de
como isso poderia acontecer e que os jornalistas fossem informados e
não acontecesse nenhuma situação de
constrangimento, não só para o pessoal de serviço
como também do jornalista.
E
isso era uma das razões que era necessário mudar. |
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Convém assinalar
que esse era um momento em que nós estávamos em pleno
regime ditatorial e que era muito difícil, militar, com pessoas
com pensamentos bastante estreitos em relação à
liberdade de ação dos jornalistas. Mas, ao mesmo tempo,
era possível se conseguir uma facilitação.
Passado
o primeiro período da inauguração, para vocês
terem idéia, no dia da inauguração houve um
problema no aeroporto e oito jornalistas ficaram presos no elevador, que
enguiçou, como pode acontecer na casa de qualquer um, em qualquer
edifício, em qualquer lugar. Mas conseguiu-se resolver o
problema, porém os jornalistas ficaram mais interessados no que
tinha de novidade do que na prisão momentânea no elevador.
E cada vez a gente ia
aprendendo mais.
Posteriormente, começaram a surgir a chegada de algumas
autoridades importantes; chegou o Príncipe Charles, chegaram
várias e várias pessoas, até que veio a chegada do
Frank Sinatra. Era a primeira vez que ele vinha à América
do Sul, ao Brasil principalmente, era uma coisa muito esperada e houve
uma grande reunião no aeroporto para se ver que
providências seriam tomadas, para a chegada dele, que não
trouxesse perturbação ao movimento do aeroporto, porque
já tínhamos tido pequenas aglomerações em
determinadas áreas, que sempre atrapalhavam o fluxo dos
passageiros.
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Então
o diretor da empresa de publicidade, que comandava a
apresentação do Frank Sinatra - isso também
poderá acontecer agora, quando chegar a Madona, propôs que
somente a TV Globo tivesse acesso à cobertura da chegada dele. E
tinha na reunião, mais ou menos, 40 pessoas, inclusive
Polícia Federal, Receita Federal, autoridades de fora,
autoridades militares da área. Então eu me levantei e
disse para eles o seguinte: Frank Sinatra vai chegar, vai passar e o
que vai acontecer? Ele vai embora e nós vamos dar
privilégio a uma só empresa? Não existe
privilégio com quem está fazendo
comunicação social: ou é para todos ou não
é para ninguém.
Ou entra todo mundo ou não entra ninguém.
E
colocado desse jeito nós tivemos que encontrar uma
solução, que foi feita, bastante bem diferente de tudo,
já que se esperava um grande aglomerado de pessoas, de fãs
e de grupos, na chegada do Frank Sinatra. Nós transferimos a
chegada do vôo, que era um vôo especial para o velho
Aeroporto do Galeão, de onde ele ia, em seguida, pegar um
helicóptero, uma asa rotativa, como diz aqui o meu colega Jair
Duarte. Dali ele iria para o hotel, onde hoje é o Sofitel, que
antes era o Rio Palace, na época. E lá ia ficar hospedado
até o momento do show, que seria no Maracanã, onde ele
conseguiu reunir mais de cem mil pessoas, no sábado em que fez a
apresentação.
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E aconteceu o seguinte:
as autoridades do aeroporto, os militares, achavam que os jornalistas
eram inconseqüentes, eram baderneiros; havia sempre uma
idéia de que jornalistas não eram pessoas
confiáveis e o que eles queriam?
Queriam botar uma cerca cheia de policiais; de policiais da
Aeronáutica, pessoal da segurança do aeroporto. E eu os convenci de que a
gente ia fazer um grande, mas um grande curral, não devia ter
usado esse nome, pois não era bem um
curral, mas uma cerca, e que não ia ter nenhum policial na
frente deles.
E que o Frank Sinatra iria passar do avião diretamente para o
helicóptero sem falar com ninguém.
Inventei, na época, que ele teria que assinar um livro de
visitantes no aeroporto em frente aos jornalistas.
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E assim foi feito.
Fiz uma reunião com todos os jornalistas; eles foram chamados
para ir para um determinado lugar e dali foram encaminhados para esse
outro lugar cercado.
Era ali que estava sendo o melhor lugar, em frente ao lugar onde o
Frank Sinatra ia assinar o livro. E sem ninguém para tomar
conta.
Eu tive oportunidade de me dirigir ao grupo e disse: eu assumi um
compromisso. Agora vocês vão assumir outro comigo:
ninguém passa. Está certo?
Responderam: Está certo!
E por
isso deu tudo certo.
Frank
Sinatra assinou o livro, acenou para todo mundo, todo mundo fez suas
fotos, todo mundo descreveu o que bem entendia...
E isso tudo se passou no aeroporto.
Quando o
Frank Sinatra chegou na Praia de Copacabana, onde tinha sido montado um
local para pousar o helicóptero, o helicóptero foi cercado
por milhares de pessoas.
E aí, coitado, passou por alguns momentos, que não teve
no aeroporto. E assim o aeroporto não foi sacrificado.
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Ao mesmo tempo, numa outra
época, com a chegada do Flamengo, campeão do Japão,
o aeroporto não se preparou porque não se esperava uma
situação como aquela e nós tivemos mais de 25 mil
pessoas no aeroporto.
Então todo aquele cuidado que nós tivemos de não
atrapalhar fluxo, até danos ao próprio edifício,
alguma coisa, não foi possível conter.
Toda aquela área
do aeroporto, inclusive na área de acesso, ficou tomada por
flamenguista e foi uma noite maravilhosa, de confusão e de
alegria, para todos os que estavam chegando da viagem.
Nesse
meio tempo, sempre procuramos dar ao jornalista a melhor das
atenções e ali se preparava as informações,
geralmente com antecedência, para que cada um recebesse o seu
material ou de véspera ou no dia seguinte. Naquele tempo em que
não tinha computador e que você não tinha fotografia
digital. Tempo que era preciso fazer foto. Havia dentro do aeroporto um
laboratório fotográfico para revelar, em
função da distância do centro da cidade.
Então tinha laboratório para revelar, copiar e mandar
para cada jornal, aqueles que não teriam ido lá,
então, receberiam o material posteriormente, inclusive para
divulgação.
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E isso até criava
muito problema, porque o Aeroporto do Rio sempre foi muito bem quisto,
bem visto por todos.
Conseguimos fotos de tudo que era lugar: fotos aéreas, fotos de
grande repercussão e não tínhamos outro tipo de
facilidade como se tem hoje.
Era um tipo de jornalismo ainda, vamos dizer assim, hoje arcaico.
Porque não tínhamos as facilidades de hoje, do material
de divulgação, já que hoje é
possível você mandar tudo pelo computador e
simultaneamente, para todos os lugares.
Mas,
houve um grande incidente no aeroporto.
Foi o pouso de emergência de um Electra da Varig.
Ele pousou lá sem o trem.
Era para ele pousar no Santos Dumont.
Mas no Santos Dumont, se um avião daquele tamanho pousasse sem
trem, levaria muitas horas para ser retirado.
Naquele tempo a Varig já era a empresa, na América do
Sul, que tinha todos os equipamentos direcionados à
recuperação de aviões.
Ela tinha um sistema próprio lá, que era só deles,
e esse material estava todo no Galeão. Então, era mais
fácil resolver no Galeão.
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A
empresa pediu que o pouso não fosse fotografado, não fosse
visto pela imprensa, embora nós tivéssemos 800 metros de
terraço panorâmico, que não podia ser fechado porque
até durante um certo tempo o terraço panorâmico você entrava e pagava uma taxa
mínima, de um real.
E o aeroporto tomou providências para que ninguém
ultrapassasse essas linhas de segurança.
Eis que estão lá esperando o pouso do avião quando
aparece lá um fotógrafo de um jornal, que não me
lembro qual era na época, e trazido por um segurança,
dizendo que aquele fotógrafo estava lá e tinha feito fotos
do pouso do Electra, que iam tomar o filme dele.
E eu, dentro do sistema de treinamento que vocês ouviram ainda
há pouco, disse para eles: não, vocês não
vão tomar nada do jornalista. Ele vai sair daqui com o material
que ele tem, ele vai levar para o jornal dele, porque se ele entrou foi
porque houve uma falha da segurança e não dele.
Ele estava no papel dele.
E isso aconteceu depois algumas vezes.
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s,
eu acho que, dentro do que eu podia contar de histórias e de
coisas sobre a aviação, o respeito que deve ter,
não só as empresas, como o jornalista, o respeito que deve
ter mútuo de que cada um está no seu papel, é muito
importante. É importante, e foi pena que a gente não
tivesse aqui hoje o brigadeiro do CENIPA, onde estive várias
vezes acompanhando inquéritos e acompanhando trabalhos feito por
eles, que é para dizer a eles que as redações,
tanto de rádio, de televisão e jornais, devem ser
procuradas para fazer um seminário para eles; que os jornalistas
recebam as informações de como agir em
função de possíveis acidentes, que acidente
é inevitável. |
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O
Galeão, por exemplo, está incólume desde 1958 ou
59, quando o avião da Pan Air, caiu no mar ali. Está
incólume de acidente de proporções, de acidentes
sem mortes, há quarenta e poucos anos. Mas não está
livre disso e portanto lá também é feito um
trabalho preventivo. Para completar, eu não tenho nenhuma
procuração da Infraero para falar em nome dela, estou
falando em função da minha experiência. Lá
nós conseguimos saber quanto tempo levava um jornalista do
Jornal do Brasil, do O Globo, ou dos jornais do centro da cidade para
chegar lá. A partir do momento em que era dado o aviso de
alerta, pois tinha um alerta vermelho, depois do alerta amarelo,
nós nos preparávamos. O setor de
comunicação, para receber e juntar os jornalistas, porque
era a fórmula que tínhamos de defender a imagem do
aeroporto. Era a imagem do aeroporto em relação aos
jornalistas. Quem prestou atenção, até antes desse
apagão, o Aeroporto do Rio não era tão atacado como
é hoje, como é atacado até mesmo por uma autoridade
aeroportuária de má catadura, vamos chamar assim.
Até ele mesmo chegou a falar do aeroporto; o que é uma
coisa incrível: você falar da sua própria casa,
dentro da sua casa. Que faça comentário com a sua mulher,
pode ser, mas você falar mal da instituição em que
você é o presidente, é incrível, porque ele
é o responsável oficial sobre alguma coisa que não
está certa. |
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Então a
história fica, mais ou menos, encaminhada nesse tipo e agora
mesmo o governador do estado, num momento, possivelmente, de pouca
lucidez, também passou a falar mal do aeroporto, que é um
dos principais ou o principal equipamento da cidade.
Ele pode reclamar, ele deve reclamar, como disse aqui o meu colega, que
os tripulantes não devem deixar
passar nada, devem reportar, devem pedir; o governador pode pedir, pode
reclamar, mas não pode fazer declarações acintosas
contra o equipamento que é a principal porta do turismo do
Brasil.
O que ele fez é denegrir uma imagem e aqui nós estamos
falando de imagem, quando as próprias autoridades não
têm comportamento suficiente para evitar que as imagens, do seu
próprio estado, da sua própria cidade ou da sua
própria instituição sejam atingidas.
Isto é uma coisa vem contra todo um trabalho que foi feito
durante trinta e tantos anos, procurando mostrar que imagem, quando ela
é atingida, ela marca, ela fica doente, ela traz tristeza, ela
traz marcas indeléveis para o resto da vida.
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E se
vocês se lembrarem vão ver que até hoje existe gente
que lembra do desastre que aconteceu em Niterói, quando o circo
pegou fogo e morreram centenas de pessoas.
A TAM, por exemplo, com dois acidentes, o de São Paulo, todos
dois em Congonhas, tem problemas na sua imagem se ela não cuidar.
O problema da Gol, com a queda em Mato Grosso, depois do choque do
Legacy, é outra que precisa pensar na imagem.
Elas precisam pensar na imagem como a Força Aérea, a
ANAC, precisa pensar na imagem dos seus equipamentos, das suas empresas,
dos seus organismos, porque não cabe, não é o
jornalista que faz a imagem negativa; quem faz a imagem negativa
são as próprias instituições, que não
se cuidam suficientemente, para poder atravessar as suas crises.
O apagão foi uma crise e uma crise como agora os Estados Unidos
está enfrentando a crise econômica e vocês vão
ver que os resultados dessa crise vão ser muito parecidos, dentro
das suas limitações, com o nosso apagão; depois
todos vão sofrer. (Aplausos) |
SR. COORDENADOR
JOÃO FLÁVIO PEDROSA - Muito obrigado Gilson
Campos.
Não é só a experiência que conta, mas a
lucidez, acima de tudo, pela percepção de um quadro tanto
histórico quanto da atualidade da aviação.
E também dessa presença constante do jornalista na
cobertura, não só de incidentes e acidentes, mas de fatos
da aviação.
Nós estamos ajudando a reestruturar a aviação no
Brasil.
Existem novos modelos... Quando o Ernesto Vianna se perguntou,
lá dentro da redação, "quem é que manda no céu? A
quem eles procuram?..." mostrou que não conhecia como
funciona essa nova estrutura. Ela não está sendo divulgada.
O Gilson, ao longo dessa história, teria a possibilidade de nos
responder que hoje nós não temos tanta
coordenação ou tanta solidez da autoridade
aeronáutica quanto já tivemos no passado.
E essa descoordenação, segundo o Jair Duarte expôs,
é o que de pior pode ocorrer numa cabine de comando.
Então se nós hoje não temos esse CRM para a
Aviação, precisamos ter.
Precisamos alertar as próprias autoridades.
Esse conjunto de ações depende, sim, de treinamento e o
treinamento depende da informação preliminar.
Temos essa carência. Temos essa necessidade.
Volto a me perguntar: onde está o limite entre uma coisa e outra? |
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