Notícias do Seminário Nacional de Aviação Civil

(Rio, 27 de outubro de 2008) O Movimento Asas da Paz, mais uma vez, reuniu diversas personalidades da Aviação, dessa vez para debaterem as questões de economia e desenvolvimento, bem como a formação profissional e o cenário mundial dos construtores aeronáuticos, base da estrutura desse setor estratégico para o país.
A 8ª Reunião do Seminário Nacional de Aviação Civil ocorreu, como habitualmente, no Auditório Silvio Pedroza, no 9º andar da Sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo - CNC, no Rio de Janeiro.
Também inscritos ao Seminário, estavam no auditório estudantes de Turismo, Ciências Aeronáuticas, Gestão Aérea e de Logística e Transporte, inclusive de países amigos e que fazem estágio no Brasil
O Presidente do Movimento Asas da Paz e Conselheiro do CTUR-CNC, Cmte.João Flávio Pedrosa, presidiu a reunião, que foi moderada pelo Conselheiro Luiz Brito Filho, Assessor de Assuntos Institucionais da Presidência da TURISRIO.

Segue a Íntegra da 7ª Reunião - ( transcrição taquigráfica)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA – Bom dia a todos. Vamos começar a 8ª Reunião do Seminário Nacional de Aviação Civil, promovido pelo Movimento Asas da Paz, com o apoio do Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC.
É a última das nossas reuniões de trabalho do ano, já que a nona reunião, no próximo dia 24 de novembro, será dedicada ao encerramento, entrega de certificados e, principalmente, à entrega do Troféu Asas da Paz.
Nós temos hoje, para fazer a abertura dos nossos trabalhos, a magnífica presença do Ministro Ernane Galvêas.

Ouviremos, portanto, um ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, além de Diretor desta Casa.
O Ministro Galvêas, que terá que se ausentar logo após o seu pronunciamento, certamente nos brindará com uma visão focada nas questões da economia no presente e quiçá nesse próximo futuro. Muito obrigado.
Ministro Ernane Galvêas com a palavra.
SR. ERNANE GALVÊAS (Consultor Econômico) – Obrigado, João Flávio, meu estimado amigo Oswaldo Trigueiros, Presidente do Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio, senhores presentes, bom dia. Estimado amigo, Brigadeiro Mauro Gandra, que vejo aqui presente, Dr. Brito.
Eu gostaria de dizer da satisfação da Confederação Nacional do Comércio em que este seminário se realize em nossas dependências.
A Confederação Nacional do Comércio se sente, realmente, na qualidade de participante de todas essas avaliações, que um seminário como este, do Movimento Asas da Paz, liderado pelo Comandante João Flávio Pedrosa, vem realizar sobre Aviação Civil.
Vejo aqui veteranos, alguns novatos e uma série de jovens, todos acompanhando este Seminário e o que vamos poder dizer, ou vamos poder ouvir, sabendo que o mundo todo, da Ásia até a Europa, África, Estados Unidos, América Latina, está atravessando, em linguagem aeronáutica, uma zona de turbulência. Não só atravessando uma turbulência, mas há informações da cabine de comando avisando que o tempo à frente vai estar pior do que no momento da realização desta informação.
O mundo está atravessando uma fase de recessão e tudo indica que vá entrar numa depressão a partir de 2009.
Nós teremos que estar preparados para isso.
O Brasil desarticulou a sua aviação civil, nós temos uma grande queixa com relação à falta de atenção com que esse setor foi conduzido durante um certo tempo, lamentamos profundamente o que aconteceu com a Varig, um orgulho nacional, que deixaram quebrar, a meu ver até irresponsavelmente.
Mas, eu, na sexta-feira, passei o dia em São Paulo, no meio de uma turbulência; eu sou do Conselho da Administração da Aracruz. Aracruz é a maior empresa de celulose do mundo para fabricação de papel, e a Aracruz está atravessando uma fase de grandes dificuldades em função dos tumultos e da turbulência que está se registrando no mercado de capitais. Mas a minha grande surpresa, eu já tinha estado lá na segunda-feira, em reuniões de emergência, acompanhando o mercado de capitais, na sexta-feira passei o dia em São Paulo e tomei o avião das cinco horas porque perdi o avião das quatro e o das quatro e meia. Não tinha mais lugar.
O que me surpreendeu foi que o aeroporto estava superlotado.
Havia muita gente na fila da TAM, na Varig eu não reparei muito, mas a fila de passageiros da Gol ia desde da entrada, na parte baixa do embarque, até a escada de subida para a área de desembarque.
Eu nunca vi o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com tanto passageiro na espera de algum lugar no avião.
E não era um tumulto, não era uma falta de controle do sistema eletrônico dos controladores de São Paulo, era movimento de passageiro nos aviões saindo regularmente nos horários e superlotado de passageiros. O que nos indica que essa crise, essa turbulência, essa recessão internacional, apesar de todos os pesares, ainda não interferiu no tráfego de passageiros no mercado doméstico e tudo indica que a situação não vai piorar, que nós temos uma perspectiva de queda no comércio internacional, como vemos que está havendo uma queda importante na aviação civil internacional, tanto carga como passageiro, mas no mercado doméstico brasileiro há uma tendência de aumento dos vôos no turismo interno. Possivelmente, nós vamos ter uma surpresa. O turismo externo vai diminuir na medida em que a taxa de dólar subiu, de 1,56 para 2,30/2,34, certamente isso vai desestimular, já está desestimulando o turismo internacional, externo, os brasileiros vão gastar menos nas suas viagens para Miami, para Nova York, para outras partes do mundo, nós vamos fomentar os vôos no setor doméstico nacional.
Nós esperamos um aumento decorrente de turismo interno, doméstico, no Brasil e isso será um elemento positivo no quadro da recessão que todos esperamos para o mundo e para a economia nacional.
Então todos nós devemos estar hoje preparados para enfrentar essa turbulência; os veteranos sabendo dar soluções aos problemas que a aviação civil vai confrontando sucessivamente.
E os jovens, no sentido de estar preparados tecnicamente para ocupar as funções dentro do mercado da aviação civil.
Isso é muito importante. O nome do jogo hoje se chama competição.
Nós vamos competir com as grandes empresas dos Estados Unidos, da Europa e da China. Vamos ter, nesse problema internacional, um problema sério de concorrência.
As empresas brasileiras vão entrar nessa concorrência e precisam estar preparadas com os seus técnicos, com os seus profissionais, para ganhar a concorrência ou permanecer num quadro de progresso e desenvolvimento e de criação de novos empregos no mercado nacional.
Então isso é muito importante em todos os setores. A siderurgia está caindo no mundo todo. As grandes empresas siderúrgicas do mundo vão perder espaço. Estão parando os projetos. Não há novos projetos em execução.
A produção de grandes siderúrgicas americanas e asiáticas, principalmente na China, a Bao Steel, na Índia, no Japão a Nipon Steel, nos Estados Unidos a US Steel. Todas as grandes empresas estão parando os investimentos e reduzindo a produção, porque a indústria automobilística cresceu muito rapidamente em toda parte, na Europa, Estados Unidos e China.
No Brasil chegou a crescer 40% e depois 30%; deve fechar esse ano ainda com um crescimento de 20%. Mas essa farra de crédito no mercado consumidor vai acabar. Os bancos estão tendo problemas, os pequenos bancos, que faziam esse financiamento de crédito ao consumo, fazia o financiamento com recurso de sobra dos grandes bancos.
Essa sobra dos grandes bancos acabaram. Os grandes bancos dos Estados Unidos não estão transferindo recursos para os bancos pequenos, que estão quebrando, não estão transferindo recursos para os bancos brasileiros que faziam o financiamento das exportações e do financiamento do consumo e isso vai restringir o mercado.
Nós vamos trabalhar com um mercado de menores dimensões em termos de bens de consumo, a começar pela indústria automobilística. Quando a indústria automobilística, depois de crescer tanto, entra num período de recessão, encomenda menos produtos na indústria siderúrgica e a indústria siderúrgica pára os projetos e diminui a produção.
E diminuindo a produção da indústria siderúrgica cai a produção de minério de ferro.
Caindo a produção de minério de ferro caem as exportações da Austrália, do Brasil e de outros países exportadores e cai a exportação de alumínio, de cobre.
Isso afeta o Chile, afeta o México, afeta o Brasil, afeta todo mundo.
Então, estejamos preparados para apertar o cinto. Nós estamos atravessando uma área de turbulência na economia mundial e na economia brasileira e vamos continuar nesse processo com aviso do comandante de que a turbulência, à nossa frente, é maior do que a atual. É uma mensagem negativa?
Não, não é. É uma mensagem realista.
Nós temos que estar preparados e, principalmente, aqueles que conduzem o processo, como Oswaldo Trigueiros, que reúne aqui todos os homens da área de turismo, do Brigadeiro Gandra, Ministro da Aeronáutica, conhece o assunto, sabe quais são as soluções, vão estar presentes, como o João Flávio Pedrosa, para ajudar o governo, as autoridades e os próprios empresários a tomarem as medidas corretas e adequadas para sair da crise.
Mas, preparem-se porque nós vamos atravessar uma crise realmente séria, como nós não víamos há muitos anos...
Tivemos muitas crises nesses últimos anos.
Tivemos uma crise no Japão, em 91; do México, em 94 e Ásia toda em 97, da Rússia em 98, nos Estados Unidos em 2001, quando houve o ataque terrorista às torres World Trade Center, tivemos crise no Brasil, cambial, na passagem de governo de Fernando Collor para o Fernando Henrique e depois para o governo Lula e vamos continuar com algumas dificuldades. Quer dizer, o período de prosperidade que tivemos nesses últimos três anos vão-se transformar em períodos difíceis daqui para frente. Nós temos que estar preparados para isso, economizar recursos para prever o que pode acontecer na frente; mais no setor empresarial, procurando manter o equilíbrio e manter o otimismo, fazer os investimentos necessários.
É preciso investir na infra-estrutura.
O Brasil é um país atrasado em infra-estrutura. Há muitos anos que o estado não investia em hidroelétrica, em termoelétrica, em rodovias, em portos, em navegação aérea.  Nós temos que dar, e o governo principalmente, atenção à resolução desses problemas.
Na área da aviação civil, como têm salientado aqui muitas vezes, o Brigadeiro Gandra e o Oswaldo Trigueiros, há muita coisa para fazer, não é só em termos das empresas da aviação, como a Varig, que saiu do mercado, as outras empresas que estão se preparando, estão se reequipando, estão procurando ocupar o espaço vazio, mas faltam também adequação e equipamento nos aeroportos.
Falta infra-estrutura no sistema muito mais do que nas empresas de aviação.
Falta estrutura, equipamentos nos aeroportos, falta acesso aos aeroportos, rodovias que chegam, faltam linhas de metrô, que alcancem os nossos aeroportos, como existem em Londres, Paris, Nova York, falta comunicação, sistema de controle dentro do universo das empresas de aviação e com isso nós vimos o desastre que foi, num determinado momento, quando os equipamentos de controle de vôo se tumultuaram e nós tivemos uma tremenda dificuldade em manter o sistema funcionando.

Acho que nós ganhamos uma grande experiência nesse setor, o governo aprendeu que não pode facilitar, tem que dar continuidade a esse processo de investimento e as empresas, me parece, que estão muito consciente desse problema, tanto assim que nós vimos, organizadamente, isso foi uma grande satisfação para mim, eu voei muitas vezes, com uma grande dificuldade, no meio daquele tumulto das desorganizações do controle de vôo, e sexta-feira tive a grande satisfação de ver o aeroporto de Congonhas e também o aeroporto Santos Dumont realmente lotados de passageiros, de chegada e de saída, e funcionando ordenadamente, tranqüilamente, dentro do sistema de controle de vôo. Isso é um grande avanço, é a indicação de que nós aprendemos com a crise, tomamos as medidas corretas, hoje estamos mais preparados do que ontem.
Eu faço votos para que este seminário seja muito produtivo, que os veteranos ajudem os jovens a entenderem o que está acontecendo e a se prepararem para dar continuidade a esse trabalho de aperfeiçoamento e de desenvolvimento da tecnologia na aviação civil no Brasil.
Parabéns pelo Seminário, João Flávio Pedrosa, Dr. Brito, Oswaldo Trigueiros, um grande abraço e felicidades no Seminário. (Aplausos)

SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA – Muito obrigado Ministro Galvêas, nós é que temos que agradecer sua presença e esta aula sobre presente e futuro, com base nas linhas da sua vasta experiência.
Solicito à nossa fotógrafa Cristina Bocayuva que registre este momento, pois o Ministro terá que se ausentar.
Temos todos que tirar lições dessas palavras e da experiência de quem sempre lutou por um equilíbrio das finanças brasileiras, mesmo quando as turbulências pareciam não ter fim.
Vamos à foto e em seguida continuamos.
                                 Veja aqui a seqüência da 8ª Reunião do Seminário
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