Notícias do Seminário Nacional de Aviação Civil
SR. MARCUS SILVA REIS (Universidade Estácio de Sá) – Bom dia a todos.
Antes de mais nada, queria agradecer à CNC a oportunidade dos cursos de Ciências Aeronáuticas, na minha pessoa, poderem estar aqui, para conversar um pouco com vocês. Cumprimento ao meu padrinho ali, Brigadeiro Mauro Gandra, ao Coronel Napoleão, ao Presidente do Conselho de Turismo da CNC, Dr.Trigueiros, ao Comandante Pedrosa, do Movimento Asas da Paz e ao companheiro da ABAG, Ricardo Nogueira.
Eu não vim aqui explicar o que são as ciências aeronáuticas, ou porque estamos fazendo ciências aeronáuticas no país.
Eu vim aqui, entre outras coisas, explicar o que está acontecendo no país depois das ciências aeronáuticas.
É com muito orgulho que vejo aqui um ex-Ministro da Aeronáutica, que vejo o Comandante da Aviação Geral, que foi o meu comandante durante dois anos e meio, que me ensinou muita coisa.
Que eu vejo aqui comandantes da aviação comercial, que vejo aqui um oficial da Marinha, um oficial da Aeronáutica, uma professora da aviação militar, da aviação civil, todo mundo congregando da mesma inteligência, todo mundo discutindo o seu saber.
Todos aqui, juntamente com o Presidente do Conselho de Turismo da CNC, juntamente com o Assessor do Presidente da TURISRIO.
Isso nunca aconteceu na aviação. Essa é a função das ciências aeronáuticas.
É a função de agregar, é a função de discutir.
É a função de somar à economia do país. Por isso, a bandeira do Brasil lá em cima, representando o que todos nós desejamos para o nosso país.
Não adianta se falar no programa. Ciências Aeronáuticas é mais do que tudo. Ciências Aeronáuticas está acima disso tudo.
Ciências Aeronáuticas está acima da formação do piloto e acima da formação do gestor. Ciências Aeronáuticas é a cultura de aviação voltada para a indústria do turismo.
A indústria do transporte aéreo está voltada para a indústria do turismo. Enquanto nós não pensarmos assim, as Ciências Aeronáuticas não vão evoluir e a indústria do turismo vai ficar empacada também.
Cursos superiores voltados para formação e principalmente para capacitação de mão de obra e o desenvolvimento da inteligência na área de aviação civil. Essa inteligência sempre existiu. Ela sempre esteve aí.
Mas ela nunca foi organizada.
Nós sempre trabalhamos essa inteligência em forma de bloco:
aviação geral separada; a Força Aérea separada, como gestora; a aviação comercial separada.
Eu fui a vários seminários de aviação, durante os últimos 20 anos, tempo esse em que estou na área, e verifiquei que todo mundo sempre esteve trabalhando em separado.
E sempre pensei, sempre tive essa curiosidade: quando é que a gente vai sentar, todo mundo junto e participar da mesma discussão.
Quando é que as pessoas vão entender que a queda do principal táxi aéreo, que fazia a conexão Rio de Janeiro/Búzios, há 20 anos atrás, foi um baque para o turismo no Estado do Rio de Janeiro, que foi a Costar Táxi Aéreo, onde eu e o Comandante Albuquerque voamos?
Quando é que as pessoas vão compreender isso?
Quando é que os responsáveis pelo turismo vão compreender isso?
A década de 80 foi uma das décadas mais proveitosas, quando se chegou a fazer 12/15/18/20 pernas de vôo Rio/Búzios, durante o dia, voando de Navajo, de Seneca, carregando turismo para cima e para baixo.
Onde é que está isso? Acabou?
E, fatalmente, pois um dos donos dessa empresa veio a falecer num acidente de carro Rio/Búzios, o senhor Cláudio Modiano.
Quando nós fazíamos essa perna voando e nunca aconteceu um acidente no trecho Rio/Búzios.
Então, são questões que envolvem a nossa aviação geral e que são importantes para o desenvolvimento do turismo.
As Ciências Aeronáuticas assumem posições importantes no cenário da infra-estrutura aeronáutica; no apoio às operações aéreas e no gerenciamento dessas operações.
Há não muitos anos atrás, quem assumia o lugar nos balcões das empresas, quem fazia o check-in, quem atendia o passageiro, quem atendia o estrangeiro que chegava no Brasil, era, normalmente, aquela pessoa mais humilde, de segundo grau, que ia ficar o resto da vida naquele balcão, trabalhando.
O máximo a que ia chegar era a um gerente de aeroporto. 
Hoje não. Hoje é o aluno de Ciências Aeronáuticas.
As vezes, chego no aeroporto para ir a São Paulo ou a Brasília ou para algum canto do Brasil, e vejo 10/12 alunos do Instituto do Ar ou da PUC do Rio Grande do Sul nos guichês.
Ou seja: são alunos que estão aprendendo e que vão ali conhecer a operação em todo o seu projeto, em todo o seu percurso.
Hoje eles estão no guichê do balcão, amanhã eles estarão na cabine.
Então esses alunos, esses futuros profissionais,  vão ter condição de gerenciar qualquer tipo de crise com eficiência, porque eles conhecem todo o percurso da operação.
Hoje, você já percebe uma mudança no gerenciamento da própria crise em função desse tipo de profissional, em função desse tipo de gerenciamento que está acontecendo com a entrada do nosso aluno.
Quando digo nosso eu me refiro a todas as universidades, no sistema de aviação civil como um todo.
Nós temos dois tipos de pessoas que procuram os cursos. Nós temos os neófitos, que são pessoas que não têm nenhum tipo de conhecimento de aviação, e que ainda são movidos por aquela sedução que a carreira tem, que a carreira traz, desde lá da Segunda Guerra Mundial, e que aliás, foi muito bem vendida pelo americano. E os que tem a formação básica, que no Brasil é feita pelos  Cursos de Piloto Privado.
 Além desses nós temos a formação em universidade, que é uma ação mais demorada.


Para vocês terem uma idéia da diferença:
uma formação de piloto privado, piloto comercial, nos moldes de RBHA 61, que molda a formação, só de segurança de vôo vocês têm 16 horas.
Com Ciências Aeronáuticas, diretamente, você tem 200 horas de segurança de vôo e no total do curso você tem 400 horas de carga horária de aula de segurança de vôo.
Ou seja, você tem na base da formação um número muito maior de horas de segurança de vôo. Então o aluno sai sabendo fazer coisas que eu, quando sai da minha formação de piloto de Varig, não saí sabendo fazer; que eu quando saí da minha formação de piloto comercial não saí sabendo fazer.
E temos um feed back das pessoas que contratam esses alunos, até porque a gente já fez um trabalho, uma certa vez, até comandando pela Professora Estela, que é um acompanhamento do egresso, para saber onde e em que ponto deveríamos mexer na formação, para ela poder atender mais o mercado. E esse retorno foi extremamente positivo: o aluno sai conhecendo legislação, conhecendo a fundo um pouco mais da estrutura do turismo, um pouco mais de tudo que envolve o nosso negócio de aviação.
Só que ainda temos esse tipo de imagem, esse tipo de visão.
Mas, queria que vocês comprovassem isso.  uma coisa importante, inclusive para vocês - alunos.
LENDO: “Gostaria de lhes cumprimentar pelo brilhante artigo sobre as faculdades de ciências aeronáuticas que proliferam por este país afora. Tive diversas Funções na aviação, tendo ocupado inclusive o cargo de diretor de Ensino de nossa entidade. Pela minha Experiência, durante minha modesta carreira, concluí que as faculdades de ciências Aeronáuticas são totalmente inviáveis e que é um absurdo total exigir que os futuros postulantes à carreira de aviadores cursem uma instituição deste tipo. A meu ver, deveriam existir cursos específicos para a carreira, totalmente voltados para a profissão, com a duração de no máximo dois anos, em que o candidato estudaria exclusivamente matérias técnicas de aviação, com um fortíssimo embasamento teórico eminentemente aeronáuticas (Aerodinâmica, regulamentos,etc.)”. INTERROMPENDO A LEITURA:
Quer dizer, o sujeito não precisa nem saber ler, escrever, fazer contas, nada disso.
Ele só precisa saber regulamento e aerodinâmica.
Aí ele perde a carteira dele, ele pega uma vassoura e vai varrer rua e pega todo conhecimento dele, bota no bolso e vai se dedicar a outra profissão, como aconteceu com o meu pai.
Esse é o tipo da visão que algumas pessoas ainda têm da profissão, até para não perder a sua majestade e a sua posição no mercado, essas pessoas pensam assim. Mas vamos continuar.
CONTINUA A LEITURA:
“Além de muito inglês técnico, pois é incabível que um piloto não conheça o idioma. E voaria o maio número de horas possíveis, pois sou adepto da “teoria” de que horas de vôo são sinônimo de experiência. De 2 a 4 de maio próximo, promoveremos o 4°Festival Aéreo do Aeroclube do Paraná. Convido todos a nos visitar, será uma grande satisfação”.
INTERROMPENDO A LEITURA: Isso foi escrito por Luiz Gustavo Fernandes de Souza Filho - Aero magazine n°168-CARTAS - Piloto e diretor de segurança de Vôo - airluizcarlos@bol.com.br .

Você aprende a dar aula, então, porque você tem muitas horas de vôo, você se qualifica como diretor de ensino porque você tem muitas horas de vôo. Gente, hora de vôo é para voar.
Hora de vôo é para voar.
Isso aqui que estamos fazendo é ensino. Isso aqui que estamos fazendo é que é discussão. Isso aqui é que promove inteligência.
Estar sentado com o ex-Ministro da Aeronáutica é que promove inteligência. estar sentado com o Comandante Albuquerque, com a Dra. Adelise, com o Dr. Trigueiros, com o Comandante Pedrosa, é que promove inteligência, para que amanhã vocês não pensem e escrevam esse tipo de coisa.
Capacitação.
Esse tem sido o meu carro-chefe e a minha maior dúvida com o que fazer.
Às vezes, estou dando aula no terceiro período, de dez e pouquinho da manhã e a minha aula deveria acabar mais ou menos às onze e meia.
Mas eu saio às onze horas da manhã e entro na sala do meu querido, um dos meus mestres, o Professor Douglas Machado, e sento na última ou na segunda ou na terceria fila da aula dele e fico olhando os 15/10, às vezes cinco...
Os cinco comandantes que estão ali dentro assistindo a aula dele.
E aí me faço uma pergunta: como tem gente que está querendo aprender.
Mas fico imaginando também, o que aqueles caras ali estão vendo? O que eles estão aprendendo?
O que eles estão entendendo ali, porque essas pessoas são pessoas que têm muita experiência; pessoas que têm 20/30 anos de vôo e estão ali sentadas assistindo aula.
E eu penso assim: meu Deus do céu o que preciso fazer para que essas pessoas aproveitem o máximo desse curso?
Primeiro ainda: por que essas pessoas estão buscando essa qualificação? Foi a primeira pergunta que me fiz.
Eu cheguei à seguinte conclusão: com a quebra da Vasp, da Varig e da Transbrasil, que foram as empresas que dominaram a década 50/60/70 e 80, aconteceu uma mudança de conceito do emprego de aviação civil e, principalmente, uma nova relação profissional das empresas de transporte aéreo com os seus tripulantes.
Esses tripulantes se sentiram um pouco mais inseguros, porque até então os seus empregos eram vitalícios.
Ou seja, as pessoas tinham muita tranqüilidade até a sua aposentadoria.
Como essa tranqüilidade foi embora com a quebra da Aerus: “Opa, eu vou ter que arrumar alguma coisa para fazer. Vou ter que fazer um concurso público”.
E aí ele descobriu que ele não tinha um diploma de nível superior.
E muitos desses comandantes já estavam cansados de voar também e tinham vontade de trabalhar para a aviação. De dar contribuição à aviação de uma outra forma também, que não só voar.
A aviação não envolve só voar.
Aviação envolve estar sentado aí ou estar em pé aqui, com o microfone na mão, dando alguma contribuição para vocês, para as autoridades, para planejarem o futuro dela.
Aviação envolve isso tudo.
Nós temos casos no Instituto do Ar de alunos que chegam e falam: Puxa, aviação é muito legal, mas eu descobri que o meu barato não é voar.
E com isso, nós temos alunos até na Agência Reguladora de Aviação Civil de Portugal, desempenhando a função de bacharel de Ciências Aeronáuticas em Portugal.
Nós temos bacharéis de Ciências Aeronáuticas, hoje, com forte propósito de trabalhar em planejamento de transporte aéreo.
Nós temos egressos, com vontade de ter a sua empresa de táxi aéreo e não querem voar, não querem ser pilotos.
Esse é o futuro das Ciências Aeronáuticas.
Eu acredito que nós ainda estejamos na primeira geração dos cursos de Ciências Aeronáuticas e que o futuro vai ser esse.
O que aconteceu com os primeiros resultados desses pilotos, desses profissionais de aviação civil, desses comandantes, que vieram para os cursos de Ciências Aeronáuticas?
Muita produção científica já começou a aparecer. Aonde aparece essa produção científica?
Essa produção científica aparece no PCC (Projeto de Conclusão de Curso). Nos trabalhos de conclusão de curso.
Eu já tive trabalho sobre a dificuldade da adaptação do manche do joystick.
Já tive trabalho sobre adaptação do inglês técnico de aviação. Já tive trabalho sobre fuso horário...
Tudo na visão do tripulante. Não na visão do médico, não na visão do usuário ou na visão do especialista em ergonomia.
Mas sim na visão do tripulante, que agora, de uma forma organizada, acadêmica, como aluno, ele tem condição de expor a sua opinião.
Porque antes, como tripulante, era muito comum ouvirmos falar sobre isso, porque nós tínhamos a AFA – Associação dos Fofoqueiros de Aeroporto.
Porque tudo o que se comentava era comentado na AFA.
Não se colocava nada por escrito.
Hoje, nós conseguimos colocar as coisas, as idéias e os projetos, por escrito.
E quando você coloca por escrito, quando você pega um trabalho, um PCC desses, e registra na Biblioteca Nacional como de sua autoria.
Isso tem valor: isso tem um valor acadêmico.
E daqui a cinco/dez anos alguém vai precisar pesquisar sobre um trabalho - vai na Biblioteca Nacional e olha o fulano de tal lá, na universidade X fez um trabalho. Ah, está aqui.
E assim é que se vai produzindo a inteligência no país, porque o nosso país precisa de produção de inteligência na aviação civil.
Segurança de vôo na base da formação e aumento desses níveis, apesar das crises.
Isso aí notamos desde antes das faculdades de Ciências Aeronáuticas.
A Varig deixou um legado muito importante para todos nós.
Apesar de toda a crise, apesar de toda a  insegurança, instabilidade do mercado, nenhum acidente aconteceu na Varig no seu pior momento.
Eles foram extremamente profissionais e estavam extremamente adestrados em termos de segurança de vôo.
Em nenhum momento a segurança de vôo foi sequer abalada na Varig.
Então esses profissionais, que saíram da Varig, hoje muitos deles estão na aviação geral.
Então essa inteligência está sendo disseminada na universidade, na aviação geral.
Tem esse aspecto importante também.
Aviadores (tripulantes, de diferentes empresas segmentos, juntos nas mesmas discussões e eventos) discutindo, aprendendo a expressar e registrar suas experiências de forma organizada, acadêmica e principalmente sendo reconhecidos pela comunidade.
As Ciências Aeronáuticas e a Aviação Geral.
Eu só queria fazer um comentário com vocês aqui.
Eu nem sabia aonde eu ia encaixar isso na palestra.
Semana retrasada ou semana passada estava chovendo muito e passei o dia inteiro em casa vendo televisão.
Minha namorada, meus filhos e o meu filho mais velho gostam muito de Discovery Turbo.
Discovery Turbo fez uma programação de cinco horas de aviação geral americana. Foram cinco horas diretas de aviação geral american, de aviação experimental. Qual foi o programa que vimos no Brasil sobre aviação geral - quando e sobre o quê?
Foi um Globo Repórter do cara que fala sobre o garimpo, do cara que amarra a cauda do avião na árvore, dá motor e até bate com o machado na corda, solta e o avião decola.
É essa a imagem que temos da aviação geral no Brasil.

Só queria lembrar aos senhores que 65% das pessoas que produzem o PIB desse país andam de jato executivo e vão continuar andando de jato executivo, apesar do descaso das autoridades com a aviação geral brasileira.
Só para vocês terem uma idéia, existem encomendados hoje no Brasil, o colega da ABAG pode dizer melhor do que eu, 80 jatos executivos, desses Very Lights Jets, para entrar no Brasil, e nós não temos um pátio para isso.
Então os senhores não fazem idéia da pujança e do tamanho da aviação executiva .
Nós não temos no país hoje 50 comandantes com a experiência do Comandante Albuquerque, para voar sozinho no nível 450, 480, um avião desses.
Eu não tenho esses comandantes.
Eu não tenho condições de fazer isso.
Então são os senhores é que vão voar.

E para os senhores voarem eu vou ter que adaptar a Soninha lá, que voa 67, eu vou ter que fazer o João Arrais, com 61 anos de idade, voltar a voar, eu vou ter que pegar aquele menino ali, o Igor, e fazer dele um bom piloto, da noite para o dia transformá-lo num aviador com experiência.
Eu vou ter que pegar esse menino com 21 anos, que está voltando da América hoje, esse que está sentado aqui.
Ele é primeiro oficial de Falcon X.

Por que o garoto com 21 anos é primeiro oficial de Falcon X?

Acho que não tem ninguém para o lugar dele. Deve ser isso, porque esse deve ser um dos empregos mais cobiçados que existem hoje.
Aviação sempre teve essas coisas.
Mas este é um retrato claro do que está acontecendo na aviação civil: um garoto com 21 anos ser primeiro oficial de Falcon X.
Então está faltando mão de obra.
Mas sabemos que aviação civil ainda não é prioridade nesse país.
Eu nunca, em 20 anos de profissão, vi um seminário que durasse um ano inteiro. Eu nunca vi se discutir avião, e muitas vezes eu garanto que vocês como organizadores devem ter ficado se perguntando: puxa, será que vai encher, será que virá gente falar sobre aviação.
Por quê?
Porque as escolas, a não ser as universidades, não divulgam esse tipo de seminário. O tempo todo que estudei em escolas de aviação ou que dei aula em escola de aviação nunca houve interesse em se divulgar esse tipo de seminário, porque não era importante.
Hoje é importante. Pessoal, o Flamengo, o Fluminense e o Corinthias, eles são notícia ganhando ou perdendo.
A aviação só vai ser notícia quando perde.
Ela só vai ser notícia quando der tragédia, por enquanto.
Estamos aprendendo a discutir segurança de vôo agora, estamos aprendendo a discutir modelo de avião agora, estamos aprendendo a conhecer aviação agora.
Eu sou formado em economia, eu sou oriundo da aviação geral, eu nunca vi ninguém da aviação geral falando grosso em aviação civil.
Eu nunca vi. Eu acho que sou uma das primeiras pessoas que criticam o atual sistema de aviação civil que estamos vivendo, a atual fase que estamos vivendo. Mas não critico de uma forma destrutiva.
A minha crítica é de uma forma construtiva, para construirmos um país melhor, para construirmos uma aviação melhor, para construirmos um futuro melhor para os meus filhos, para os filhos de vocês.
A minha sugestão é que o Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio crie uma secretaria especial para acompanhar a aviação civil, pois não existe nenhum órgão que acompanhe a aviação civil.
Porque aviação civil, tanto para o SNEA quanto para a Aviação Geral, que hoje aliás não tem nenhum órgão participativo mesmo, e que acompanhe o que está acontecendo, repito, ela faz parte da indústria do turismo.
Se a indústria do turismo se desenvolver, a nossa profissão vai se desenvolver. Se a nossa profissão se desenvolver esses garotos vão ter futuro, esses garotos vão ter emprego, esses garotos vão atender melhor os clientes de vocês, que são nossos clientes também. Então a aviação na anda separada do turismo. Ela anda junto com o turismo. Cada vez que você vê um turista na rua, cada vez que você vê uma pessoa de fora do teu país na rua e você puder ajudar essa pessoa, você está colaborando com a indústria da aviação, porque você está colaborando com a indústria do turismo do teu país. 

Não tenho a menor dúvida que o futuro das Ciências Aeronáuticas está ligado ao futuro dos cursos turismo. Eu não tenho a menor dúvida disso e também que vocês é que vão fazer esse futuro.
Onde é que estão os nossos egressos?
Estão nos balcões dos aeroportos. Todos os pilotos, sem exceção, que fazem repórter aéreo hoje são egressos do Instituto do Ar.
No efetivo da Polícia. Nós temos alunos em todas as polícias da Federação, nos Corpos de Bombeiros, nas operações offshore, nas empresas de prospecção, nas estatais, nas agências reguladoras da Europa, das operadoras de turismo, na aviação executiva espelhada pelo mundo.
Tinha um egresso nosso até pouco tempo atrás que estava voando na Inglaterra, um Falcon X, que o Bruno, que hoje é aluno nosso, estava voando aqui no Brasil.

E queria fazer um comentário com vocês ao final.
É uma coisa que me vem à cabeça agora.
Na década 80 você tinha três tipos de aviação geral no Brasil.
Você tinha aquela aviação de até cem mil dólares, que era o sujeito que tinha um aviãozinho dele de final de semana.
Era um Cessna 172/62/61/60.
Você tinha o executivo que tinha um avião até dois milhões e meio, três milhões de dólares, que era essa a minha casa e a casa do Comandante Albuquerque.
E  tinha os raros, com os aviões de 19/20 milhões de dólares.
Na década de 90, essas pessoas que tinham avião até cem mil dólares morreram. Essa aviação acabou.
E o pessoal que tinha o avião até dois milhões de dólares também morreu.
Hoje no país você tem uma aviação de altíssimo nível, que exige uma altíssima competência para aviões na faixa de 17/18/20 milhões de dólares.
Por isso aquela aviação mais rasteira acabou no país.
E essa aviação exige uma administração melhor, exige uma formação melhor, exige simulador o tempo todo.
Você não voa um avião desse sem simulador. Você não voa um avião desse se você não souber falar inglês.
O proprietário exige mais preparação do seu piloto e de quem gerencia esse avião.
Então cada vez mais você vai precisar de qualificação.
Tanto essa aviação de dois, de três, de cinco milhões de dólares acabou no país que os Very Light Jets vêm justamente para açambarcar esse mercado de aviação que movimentava a aviação na década de 80, na década de 90.
Volto a dizer com muito orgulho: sou representante da aviação geral. Sou uma pessoa que fui criado voando Navajo, voando Sêneca, Voando Citation I, II, V.
E hoje tenho um dos meus maiores sonhos realizados, que é ver na mesma sala, discutindo aviação, um ex-ministro da Aeronáutica, um comandante de 747, um comandante de Navajo, uma médica de aviação civil, uma professora de aviação civil; esse é o meu sonho realizado, um garoto que está começando a aviação civil agora.
O que precisamos no país agora?
Precisamos de uma política forte, voltada para a indústria do turismo, que incentivará o crescimento da aviação e seus agregados.
Precisamos, principalmente, que o Governo acredite que as soluções para a nossa aviação são de origem interna e não externa.
Que as soluções para a aviação sejam entendidas como um problema de Estado e não de Governo e que tenhamos sempre representantes na ANAC sensíveis com os problemas de todos os segmentos da Aviação Civil Brasileira.
A educação é aquilo que sobrevive depois que tudo o que aprendemos foi esquecido.“ (Burruhs Frederic Skinner)
Muito obrigado. (Aplausos).
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA - Professor Marcus, nós é que temos que agradecer a aula brilhante.
E na seqüência passo a palavra ao Luiz Brito Filho, assessor da Presidência da TurisRio, nosso Conselheiro e membro da Comissão que instituiu este nosso Seminário,
com o apoio do Conselho de Turismo da CNC.
Luta essa que vem desde 2003 e que agora se consubstanciou neste ano de 2008.
Com certeza ele fará referência a essas idéias que vieram de tão longa data.
Por favor, com a palavra o Conselheiro Luiz Brito.
                                 Veja aqui a seqüência da 8ª Reunião do Seminário
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