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SR.
MARCUS SILVA REIS - (Universidade Estácio de
Sá) – Bom dia a todos.
Antes de mais nada, queria agradecer à CNC a oportunidade dos
cursos de Ciências Aeronáuticas, na minha pessoa, poderem
estar aqui, para conversar um pouco com vocês. Cumprimento ao meu
padrinho ali, Brigadeiro Mauro Gandra, ao Coronel Napoleão, ao
Presidente do Conselho de Turismo da CNC, Dr.Trigueiros, ao Comandante
Pedrosa, do Movimento Asas da Paz e ao companheiro da ABAG, Ricardo
Nogueira.
Eu não vim aqui explicar o que são as ciências
aeronáuticas, ou porque estamos fazendo ciências
aeronáuticas no país.
Eu vim aqui, entre outras coisas, explicar o que está
acontecendo no país depois das ciências
aeronáuticas.
É com muito orgulho que vejo aqui um ex-Ministro da
Aeronáutica, que vejo o Comandante da Aviação
Geral, que foi o meu comandante durante dois anos e meio, que me ensinou
muita coisa.
Que eu vejo aqui comandantes da aviação comercial, que
vejo aqui um oficial da Marinha, um oficial da Aeronáutica, uma
professora da aviação militar, da aviação
civil, todo mundo congregando da mesma inteligência, todo mundo
discutindo o seu saber.
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Todos aqui, juntamente
com o Presidente do Conselho de Turismo da CNC, juntamente com o
Assessor do Presidente da TURISRIO.
Isso nunca aconteceu na aviação. Essa é a
função das ciências aeronáuticas.É a função de
agregar, é a função de discutir.
É a função de somar à economia do
país. Por isso, a bandeira do Brasil lá em cima,
representando o que todos nós desejamos para o nosso país.
Não adianta se falar no programa. Ciências
Aeronáuticas é mais do que tudo. Ciências
Aeronáuticas está acima disso tudo.
Ciências Aeronáuticas está acima da
formação do piloto e acima da formação do
gestor. Ciências Aeronáuticas é a cultura de
aviação voltada para a indústria do turismo.
A indústria do transporte aéreo está voltada para
a indústria do turismo. Enquanto nós não pensarmos
assim, as Ciências Aeronáuticas não vão
evoluir e a indústria do turismo vai ficar empacada
também.
Cursos superiores voltados para formação e principalmente
para capacitação de mão de obra e o desenvolvimento
da inteligência na área de aviação civil.
Essa inteligência sempre existiu. Ela sempre esteve aí.
Mas ela nunca foi organizada. |
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Nós
sempre trabalhamos essa inteligência em forma de bloco:
aviação geral separada; a Força Aérea
separada, como gestora; a aviação comercial separada.
Eu fui a vários seminários de aviação,
durante os últimos 20 anos, tempo esse em que estou na
área, e verifiquei que todo mundo sempre esteve trabalhando em
separado.
E sempre pensei, sempre tive essa curiosidade: quando é que a
gente vai sentar, todo mundo junto e participar da mesma
discussão.
Quando é que as pessoas vão entender que a queda do
principal táxi aéreo, que fazia a conexão Rio de
Janeiro/Búzios, há 20 anos atrás, foi um baque para
o turismo no Estado do Rio de Janeiro, que foi a Costar Táxi
Aéreo, onde eu e o Comandante Albuquerque voamos?
Quando é que as pessoas vão compreender isso?
Quando é que os responsáveis pelo turismo vão
compreender isso?
A década de 80 foi uma das décadas mais proveitosas,
quando se chegou a fazer 12/15/18/20 pernas de vôo
Rio/Búzios, durante o dia, voando de Navajo, de Seneca,
carregando turismo para cima e para baixo. |
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Onde é que está isso?
Acabou?
E, fatalmente, pois um dos donos dessa empresa veio a falecer num
acidente de carro Rio/Búzios, o senhor Cláudio Modiano.
Quando nós fazíamos essa perna voando e nunca aconteceu
um acidente no trecho Rio/Búzios.
Então, são questões que envolvem a nossa
aviação geral e que são importantes para o
desenvolvimento do turismo.
As Ciências Aeronáuticas assumem posições
importantes no cenário da infra-estrutura aeronáutica; no
apoio às operações aéreas e no gerenciamento
dessas operações.
Há não muitos anos atrás, quem assumia o lugar nos
balcões das empresas, quem fazia o check-in, quem atendia o
passageiro, quem atendia o estrangeiro que chegava no Brasil, era,
normalmente, aquela pessoa mais humilde, de segundo grau, que ia ficar o
resto da vida naquele balcão, trabalhando.
O máximo a que ia chegar era a um gerente de aeroporto. Hoje não. Hoje é o aluno
de Ciências Aeronáuticas.
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As vezes, chego no aeroporto para ir a
São Paulo ou a Brasília ou para algum canto do Brasil, e
vejo 10/12 alunos do Instituto do Ar ou da PUC do Rio Grande do Sul nos
guichês.
Ou seja: são alunos que estão aprendendo e que vão
ali conhecer a operação em todo o seu projeto, em todo o
seu percurso.
Hoje eles estão no guichê do balcão, amanhã
eles estarão na cabine.
Então
esses alunos, esses futuros profissionais, vão ter
condição de gerenciar qualquer tipo de crise com
eficiência, porque eles conhecem todo o percurso da
operação.
Hoje, você já percebe uma mudança no gerenciamento
da própria crise em função desse tipo de
profissional, em função desse tipo de gerenciamento que
está acontecendo com a entrada do nosso aluno.
Quando digo nosso eu me refiro a todas as universidades, no sistema de
aviação civil como um todo.
Nós temos dois tipos de pessoas que procuram os cursos.
Nós temos os neófitos, que são pessoas que
não têm nenhum tipo de conhecimento de
aviação, e que ainda são movidos por aquela
sedução que a carreira tem, que a carreira traz, desde
lá da Segunda Guerra Mundial, e que aliás, foi muito bem
vendida pelo americano. E os que tem a formação
básica, que no Brasil é feita pelos Cursos de Piloto
Privado.
Além desses nós temos a formação em
universidade, que é uma ação mais demorada.
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Para vocês terem uma idéia
da diferença:
uma formação de piloto privado, piloto comercial, nos
moldes de RBHA 61, que molda a formação, só de
segurança de vôo vocês têm 16 horas.
Com Ciências Aeronáuticas, diretamente, você tem 200
horas de segurança de vôo e no total do curso você
tem 400 horas de carga horária de aula de segurança de
vôo.
Ou seja, você tem na base da formação um
número muito maior de horas de segurança de vôo.
Então o aluno sai sabendo fazer coisas que eu, quando sai da
minha formação de piloto de Varig, não saí
sabendo fazer; que eu quando saí da minha formação
de piloto comercial não saí sabendo fazer.
E temos um feed back das pessoas que contratam esses alunos, até
porque a gente já fez um trabalho, uma certa vez, até
comandando pela Professora Estela, que é um acompanhamento do
egresso, para saber onde e em que ponto deveríamos mexer na
formação, para ela poder atender mais o mercado. E esse
retorno foi extremamente positivo: o aluno sai conhecendo
legislação, conhecendo a fundo um pouco mais da estrutura
do turismo, um pouco mais de tudo que envolve o nosso negócio de
aviação.
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Só que ainda temos esse tipo de
imagem, esse tipo de visão.
Mas, queria que vocês comprovassem isso. uma coisa
importante, inclusive para vocês - alunos.
LENDO: “Gostaria de lhes cumprimentar pelo brilhante artigo sobre as
faculdades de ciências aeronáuticas que proliferam por este
país afora. Tive diversas Funções na
aviação, tendo ocupado inclusive o cargo de diretor de
Ensino de nossa entidade. Pela minha Experiência, durante minha
modesta carreira, concluí que as faculdades de ciências
Aeronáuticas são totalmente inviáveis e que
é um absurdo total exigir que os futuros postulantes à
carreira de aviadores cursem uma instituição deste tipo. A
meu ver, deveriam existir cursos específicos para a carreira,
totalmente voltados para a profissão, com a duração
de no máximo dois anos, em que o candidato estudaria
exclusivamente matérias técnicas de aviação,
com um fortíssimo embasamento teórico eminentemente
aeronáuticas (Aerodinâmica, regulamentos,etc.)”.
INTERROMPENDO A LEITURA:
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Quer dizer, o sujeito não
precisa nem saber ler, escrever, fazer contas, nada disso.
Ele só precisa saber regulamento e aerodinâmica.
Aí ele perde a carteira dele, ele pega uma vassoura e vai varrer
rua e pega todo conhecimento dele, bota no bolso e vai se dedicar a
outra profissão, como aconteceu com o meu pai.
Esse é o tipo da visão que algumas pessoas ainda
têm da profissão, até para não perder a sua
majestade e a sua posição no mercado, essas pessoas pensam
assim. Mas vamos continuar.
CONTINUA A LEITURA:
“Além de muito inglês técnico, pois é
incabível que um piloto não conheça o idioma. E
voaria o maio número de horas possíveis, pois sou adepto
da “teoria” de que horas de vôo são sinônimo de
experiência. De 2 a 4 de maio próximo, promoveremos o
4°Festival Aéreo do Aeroclube do Paraná. Convido todos
a nos visitar, será uma grande satisfação”.
INTERROMPENDO A LEITURA: Isso foi escrito por Luiz Gustavo Fernandes de
Souza Filho - Aero magazine n°168-CARTAS - Piloto e diretor de
segurança de Vôo - airluizcarlos@bol.com.br .
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Você aprende a dar aula,
então, porque você tem muitas horas de vôo,
você se qualifica como diretor de ensino porque você tem
muitas horas de vôo. Gente, hora de vôo é para voar.
Hora de vôo é para voar.
Isso aqui que estamos fazendo é ensino. Isso aqui que estamos
fazendo é que é discussão. Isso aqui é que
promove inteligência.
Estar sentado com o ex-Ministro da Aeronáutica é que
promove inteligência. estar sentado com o Comandante Albuquerque,
com a Dra. Adelise, com o Dr. Trigueiros, com o Comandante Pedrosa,
é que promove inteligência, para que amanhã
vocês não pensem e escrevam esse tipo de coisa.
Capacitação.
Esse tem sido o meu carro-chefe e a minha maior dúvida com o que
fazer.
Às vezes, estou dando aula no terceiro período, de dez e
pouquinho da manhã e a minha aula deveria acabar mais ou menos
às onze e meia.
Mas eu saio às onze horas da manhã e entro na sala do meu
querido, um dos meus mestres, o Professor Douglas Machado, e sento na
última ou na segunda ou na terceria fila da aula dele e fico
olhando os 15/10, às vezes cinco...
Os cinco comandantes que estão ali dentro assistindo a aula dele.
E aí me faço uma pergunta: como tem gente que está
querendo aprender.
Mas fico imaginando também, o que aqueles caras ali estão
vendo? O que eles estão aprendendo?
O que eles estão entendendo ali, porque essas pessoas são
pessoas que têm muita experiência; pessoas que têm
20/30 anos de vôo e estão ali sentadas assistindo aula.
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E eu penso assim: meu Deus do
céu o que preciso fazer para que essas pessoas aproveitem o
máximo desse curso?
Primeiro ainda: por que essas pessoas estão buscando essa
qualificação? Foi a primeira pergunta que me fiz.
Eu cheguei à seguinte conclusão: com a quebra da Vasp, da
Varig e da Transbrasil, que foram as empresas que dominaram a
década 50/60/70 e 80, aconteceu uma mudança de conceito do
emprego de aviação civil e, principalmente, uma nova
relação profissional das empresas de transporte
aéreo com os seus tripulantes.
Esses tripulantes se sentiram um pouco mais inseguros, porque
até então os seus empregos eram vitalícios.
Ou seja, as pessoas tinham muita tranqüilidade até a sua
aposentadoria.
Como essa tranqüilidade foi embora com a quebra da Aerus: “Opa, eu
vou ter que arrumar alguma coisa para fazer. Vou ter que fazer um
concurso público”.
E aí ele descobriu que ele não tinha um diploma de
nível superior.
E muitos desses comandantes já estavam cansados de voar
também e tinham vontade de trabalhar para a
aviação. De dar contribuição à
aviação de uma outra forma também, que não
só voar.
A aviação não envolve só voar.
Aviação envolve estar sentado aí ou estar em
pé aqui, com o microfone na mão, dando alguma
contribuição para vocês, para as autoridades, para
planejarem o futuro dela.
Aviação envolve isso tudo.
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Nós temos casos no Instituto do
Ar de alunos que chegam e falam: Puxa, aviação é
muito legal, mas eu descobri que o meu barato não é voar.
E com isso, nós temos alunos até na Agência
Reguladora de Aviação Civil de Portugal, desempenhando a
função de bacharel de Ciências Aeronáuticas
em Portugal.
Nós temos bacharéis de Ciências
Aeronáuticas, hoje, com forte propósito de trabalhar em
planejamento de transporte aéreo.
Nós temos egressos, com vontade de ter a sua empresa de
táxi aéreo e não querem voar, não querem ser
pilotos.
Esse é o futuro das Ciências Aeronáuticas.
Eu acredito que nós ainda estejamos na primeira
geração dos cursos de Ciências Aeronáuticas e
que o futuro vai ser esse.
O que aconteceu com os primeiros resultados desses pilotos, desses
profissionais de aviação civil, desses comandantes, que
vieram para os cursos de Ciências Aeronáuticas?
Muita produção científica já começou
a aparecer. Aonde aparece essa produção científica?
Essa produção científica aparece no PCC (Projeto
de Conclusão de Curso). Nos trabalhos de conclusão de
curso.
Eu já tive trabalho sobre a dificuldade da
adaptação do manche do joystick.
Já tive trabalho sobre adaptação do inglês
técnico de aviação. Já tive trabalho sobre
fuso horário...
Tudo na visão do tripulante. Não na visão do
médico, não na visão do usuário ou na
visão do especialista em ergonomia.
Mas sim na visão do tripulante, que agora, de uma forma
organizada, acadêmica, como aluno, ele tem condição
de expor a sua opinião.
Porque antes, como tripulante, era muito comum ouvirmos falar sobre
isso, porque nós tínhamos a AFA – Associação
dos Fofoqueiros de Aeroporto.
Porque tudo o que se comentava era comentado na AFA.
Não se colocava nada por escrito.
Hoje, nós conseguimos colocar as coisas, as idéias e os
projetos, por escrito.
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E quando você coloca por escrito,
quando você pega um trabalho, um PCC desses, e registra na
Biblioteca Nacional como de sua autoria.
Isso tem valor:
isso tem um valor acadêmico.
E daqui a
cinco/dez anos alguém vai precisar pesquisar sobre um trabalho -
vai na Biblioteca Nacional e olha o fulano de tal lá, na
universidade X fez um trabalho. Ah, está aqui.
E assim
é que se vai produzindo a inteligência no país,
porque o nosso país precisa de produção de
inteligência na aviação civil.
Segurança
de vôo na base da formação e aumento desses
níveis, apesar das crises.
Isso aí
notamos desde antes das faculdades de Ciências
Aeronáuticas.
A Varig deixou
um legado muito importante para todos nós.
Apesar de toda
a crise, apesar de toda a insegurança, instabilidade do
mercado, nenhum acidente aconteceu na Varig no seu pior momento.
Eles foram
extremamente profissionais e estavam extremamente adestrados em termos
de segurança de vôo.
Em nenhum
momento a segurança de vôo foi sequer abalada na Varig.
Então
esses profissionais, que saíram da Varig, hoje muitos deles
estão na aviação geral.
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Então essa inteligência
está sendo disseminada na universidade, na aviação
geral.
Tem esse aspecto importante também.
Aviadores (tripulantes, de diferentes empresas segmentos, juntos nas
mesmas discussões e eventos) discutindo, aprendendo a expressar e
registrar suas experiências de forma organizada, acadêmica
e principalmente sendo reconhecidos pela comunidade.
As
Ciências Aeronáuticas e a Aviação Geral.
Eu só queria fazer um comentário com vocês aqui.
Eu nem sabia aonde eu ia encaixar isso na palestra.
Semana retrasada ou semana passada estava chovendo muito e passei o dia
inteiro em casa vendo televisão.
Minha namorada, meus filhos e o meu filho mais velho gostam muito de
Discovery Turbo.
Discovery Turbo fez uma programação de cinco horas de
aviação geral americana. Foram cinco horas diretas de
aviação geral american, de aviação
experimental. Qual foi o programa que vimos no Brasil sobre
aviação geral - quando e sobre o quê?
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Foi um Globo Repórter do cara
que fala sobre o garimpo, do cara que amarra a cauda do avião na
árvore, dá motor e até bate com o machado na corda,
solta e o avião decola.
É essa a imagem que temos da aviação geral no
Brasil.
Só queria lembrar aos senhores
que 65% das pessoas que produzem o PIB desse país andam de jato
executivo e vão continuar andando de jato executivo, apesar do
descaso das autoridades com a aviação geral brasileira.
Só para
vocês terem uma idéia, existem encomendados hoje no Brasil,
o colega da ABAG pode dizer melhor do que eu, 80 jatos executivos,
desses Very Lights Jets, para entrar no Brasil, e nós não
temos um pátio para isso.
Então os senhores não fazem
idéia da
pujança e do tamanho da aviação executiva .
Nós
não temos no país hoje 50 comandantes com a
experiência do Comandante Albuquerque, para voar sozinho no
nível 450, 480, um avião desses.
Eu não
tenho esses comandantes.
Eu não tenho condições de fazer isso.
Então são os senhores é que vão voar.
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E para os senhores voarem eu vou ter
que adaptar a Soninha lá, que voa 67, eu vou ter que fazer o
João Arrais, com 61 anos de idade, voltar a voar, eu vou ter que
pegar aquele menino ali, o Igor, e fazer dele um bom piloto, da noite
para o dia transformá-lo num aviador com experiência.
Eu vou
ter que pegar esse menino com 21 anos, que está voltando da
América hoje, esse que está sentado aqui.
Ele é primeiro oficial de Falcon X.
Por que o garoto com 21 anos é primeiro oficial de Falcon X?
Acho que
não tem ninguém para o lugar dele. Deve ser isso, porque
esse deve ser um dos empregos mais cobiçados que existem hoje.
Aviação sempre teve essas coisas.
Mas este
é um retrato claro do que está acontecendo na
aviação civil: um garoto com 21 anos ser primeiro oficial
de Falcon X.
Então
está faltando mão de obra.
Mas sabemos que
aviação civil ainda não é prioridade nesse
país.
Eu nunca, em 20
anos de profissão, vi um seminário que durasse um ano
inteiro. Eu nunca vi se discutir avião, e muitas vezes eu garanto
que vocês como organizadores devem ter ficado se perguntando:
puxa, será que vai encher, será que virá gente
falar sobre aviação.
Por quê?
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Porque as escolas, a não ser as
universidades, não divulgam esse tipo de seminário. O
tempo todo que estudei em escolas de aviação ou que dei
aula em escola de aviação nunca houve interesse em se
divulgar esse tipo de seminário, porque não era
importante.
Hoje é importante. Pessoal, o Flamengo, o Fluminense e o
Corinthias, eles são notícia ganhando ou perdendo.
A aviação só vai ser notícia quando perde.
Ela só vai ser notícia quando der tragédia, por
enquanto.
Estamos aprendendo a discutir segurança de vôo agora,
estamos aprendendo a discutir modelo de avião agora, estamos
aprendendo a conhecer aviação agora.
Eu sou formado em economia, eu sou oriundo da aviação
geral, eu nunca vi ninguém da aviação geral falando
grosso em aviação civil.
Eu nunca vi. Eu acho que sou uma das primeiras pessoas que criticam o
atual sistema de aviação civil que estamos vivendo, a
atual fase que estamos vivendo. Mas não critico de uma forma
destrutiva.
A minha crítica é de uma forma construtiva, para
construirmos um país melhor, para construirmos uma
aviação melhor, para construirmos um futuro melhor para os
meus filhos, para os filhos de vocês.
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A minha
sugestão é que o Conselho de Turismo da
Confederação Nacional do Comércio crie uma
secretaria especial para acompanhar a aviação civil, pois
não existe nenhum órgão que acompanhe a
aviação civil.
Porque aviação civil, tanto para o SNEA quanto para a
Aviação Geral, que hoje aliás não tem nenhum
órgão participativo mesmo, e que acompanhe o que
está acontecendo, repito, ela faz parte da indústria do
turismo.
Se a indústria do turismo se desenvolver, a nossa
profissão vai se desenvolver. Se a nossa profissão se
desenvolver esses garotos vão ter futuro, esses garotos
vão ter emprego, esses garotos vão atender melhor os
clientes de vocês, que são nossos clientes também.
Então a aviação na anda separada do turismo. Ela
anda junto com o turismo. Cada vez que você vê um turista na
rua, cada vez que você vê uma pessoa de fora do teu
país na rua e você puder ajudar essa pessoa, você
está colaborando com a indústria da aviação,
porque você está colaborando com a indústria do
turismo do teu país.
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Não tenho a menor dúvida
que o futuro das Ciências Aeronáuticas está ligado
ao futuro dos cursos turismo. Eu não tenho a menor dúvida
disso e também que vocês é que vão fazer esse
futuro.
Onde é que estão os nossos egressos?
Estão nos balcões dos aeroportos. Todos os pilotos, sem
exceção, que fazem repórter aéreo hoje
são egressos do Instituto do Ar.
No efetivo da Polícia. Nós temos alunos em todas as
polícias da Federação, nos Corpos de Bombeiros, nas
operações offshore, nas empresas de
prospecção, nas estatais, nas agências reguladoras
da Europa, das operadoras de turismo, na aviação executiva
espelhada pelo mundo.
Tinha um egresso nosso até pouco tempo atrás que estava
voando na Inglaterra, um Falcon X, que o Bruno, que hoje é aluno
nosso, estava voando aqui no Brasil.
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E queria fazer um comentário com
vocês ao final.
É uma coisa que me vem à cabeça agora.
Na
década 80 você tinha três tipos de
aviação geral no Brasil.
Você tinha aquela aviação de até cem mil
dólares, que era o sujeito que tinha um aviãozinho dele de
final de semana.
Era um Cessna 172/62/61/60.
Você tinha o executivo que tinha um avião até dois
milhões e meio, três milhões de dólares, que
era essa a minha casa e a casa do Comandante Albuquerque.
E tinha os raros, com os aviões de 19/20 milhões de
dólares.
Na década de 90, essas pessoas que tinham avião
até cem mil dólares morreram. Essa aviação
acabou.
E o pessoal que tinha o avião até dois milhões de
dólares também morreu.
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Hoje no país você tem uma
aviação de altíssimo nível, que exige uma
altíssima competência para aviões na faixa de
17/18/20 milhões de dólares.
Por isso aquela
aviação mais rasteira acabou no país.
E essa
aviação exige uma administração melhor,
exige uma formação melhor, exige simulador o tempo todo.
Você
não voa um avião desse sem simulador. Você
não voa um avião desse se você não souber
falar inglês.
O proprietário exige mais
preparação do seu piloto e de quem gerencia esse
avião.
Então
cada vez mais você vai precisar de qualificação.
Tanto essa
aviação de dois, de três, de cinco milhões
de dólares acabou no país que os Very Light Jets
vêm justamente para açambarcar esse mercado de
aviação que movimentava a aviação na
década de 80, na década de 90.
Volto a dizer
com muito orgulho: sou representante da aviação geral.
Sou uma pessoa que fui criado voando Navajo, voando Sêneca,
Voando Citation I, II, V.
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E hoje tenho um dos meus maiores sonhos
realizados, que é ver na mesma sala, discutindo
aviação, um ex-ministro da Aeronáutica, um
comandante de 747, um comandante de Navajo, uma médica de
aviação civil, uma professora de aviação
civil; esse é o meu sonho realizado, um garoto que está
começando a aviação civil agora.
O que
precisamos no país agora?
Precisamos de
uma política forte, voltada para a indústria do turismo,
que incentivará o crescimento da aviação e seus
agregados.
Precisamos,
principalmente, que o Governo acredite que as soluções
para a nossa aviação são de origem interna e
não externa.
Que as
soluções para a aviação sejam entendidas
como um problema de Estado e não de Governo e que tenhamos sempre
representantes na ANAC sensíveis com os problemas de todos os
segmentos da Aviação Civil Brasileira.
A
educação é aquilo que sobrevive depois que tudo o
que aprendemos foi esquecido.“ (Burruhs Frederic Skinner)
Muito obrigado.
(Aplausos).
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SR.
COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA - Professor
Marcus, nós é que temos que agradecer a aula brilhante.
E na seqüência passo a palavra ao Luiz Brito Filho, assessor
da Presidência da TurisRio, nosso Conselheiro e membro da
Comissão que instituiu este nosso Seminário, com o apoio do Conselho de Turismo da
CNC.
Luta essa que vem desde 2003 e que agora se consubstanciou neste ano de
2008.
Com certeza ele fará referência a essas idéias que
vieram de tão longa data.
Por favor, com a palavra o Conselheiro Luiz Brito.
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