Notícias do Seminário Nacional de Aviação Civil
SR. CONSELHEIRO LUIZ BRITO FILHO – Pequenos comentários.
Vou aplaudir a brilhante palestra do professor. Realmente o Seminário é muito importante, como o professor falou. Estarmos reunindo pessoas que estão discutindo, seriamente, sobre aviação brasileira.
Como Conselheiro desta Casa quero saudar o nosso Presidente, Oswaldo Trigueiros, que é o responsável por termos trazido o Seminário para esta Casa. Por ter acreditado que valeria a pena.
Também obrigado, mais uma vez, ao nosso Brigadeiro e Ministro Gandra.
Nós podemos falar dessas duas personalidades aqui presentes, porque o ápice do turismo e da aviação brasileira, estão aqui representados.
O professor falou muito bem - e cobrou muito bem, a participação das Secretarias de Turismo e do Ministério do Turismo, na aviação brasileira.
Professor, eu sou um variguiano, não tem jeito.
Ninguém me tira isso.
Antes de ser Conselheiro desta Casa, de pertencer a este Estado, antes de tudo, sou um variguiano.
 Isso a gente não perde.
Quero dizer que sempre acreditei na aviação brasileira.
E que sempre tive, no turismo, o mesmo comportamento.
Hoje eu me sinto isolado até em nível de secretaria, com este trabalho voltado à aviação.
Por quê? Porque os pensamento, às vezes, são conflitantes.
Me perdoem os de outros segmentos do turismo... Mas os outros segmentos pensam que o turismo se faz somente através de uma série de ações de marketing, de feiras no exterior ou algo parecido.
Mas se você não tiver o transporte aéreo, principalmente, você não tem o turista.
Porque o grande turista, o turista que traz aquela grande arrecadação para a nossa hotelaria, para o nosso turismo, vem de outro hemisfério.
De fato ele não está próximo de nós.
Então o turista tem que usar a aviação, tem que usar o avião.
E o que estamos vendo agora?
Há dois anos atrás a Varig detinha, antes do seu fechamento, eu digo fechamento sim, porque a Varig  fechou... isso tudo que está aí foi engodo.
A Varig detinha 75% do transporte aéreo internacional.
Hoje o que nós temos?

As estrangeiras ocupando o espaço deixado pela nossa grande Varig.
Eu comentarei também professor, que o conhecimento completo é importante.
Quero dizer que era esse o elemento e o espírito do variguiano.
Por exemplo: eu fui um dos muitos instrutores dentro dessa grande empresa, no setor em que eu trabalhava.
Supervisionava e gerenciava elementos que entraram praticamente a zero e depois passaram por todos os setores da empresa.
Iniciavam na contagem de bilhetes. Isso mesmo, primeiro ele ia contar bilhete e só depois ia atender passageiro.
Ele tinha que saber que o passageiro era o foco e fator principal daquela empresa. Por isso tinha que ter um belo tratamento.
Eles passavam por todos os setores.
Como vê, a Varig já fazia isso desde do nosso saudoso Rubem Berta.

E o que nós vemos hoje?
Vemos que, a partir do momento em que as universidades entraram, isso demorou um pouco até.

Mas hoje as universidades estão nesse foco.
Nós ficamos muito agradecidos aos senhores, porque isso vai conseguir levar à frente a nossa cultura da aviação que estava se perdendo.
Quando se fala no jovem de 21 anos, que temos que aplaudir pelo nível a que chegou, parabéns, que venham mais para o meio aviatório.
Mas o que nós vemos em contrapartida?
Aquele ativo da empresa, seus recursos humanos, aquilo que pertence à parte boa, como diz o João Flávio, e que não é levado à crédito para a empresa, porque é considerado passivo, enfim, cerca de 700 pilotos preparados com o dinheiro dos brasileiros, dinheiro nosso, do nosso sacrifício, com sacrifício da Varig, estão no exterior.
Nós hoje temos pilotos na Coréia, na China, na Índia, na Inglaterra e por aí afora.
Perdemos muito, mas muito mesmo, com a saída desse tesouro.
Nós estamos vivendo o grande êxodo. Não é o êxodo do Egito, é o êxodo da grande Varig.
Então por culpa desse governo, e assumo as minhas palavras, fomos jogados nesse problema.
E, por isso, contamos com vocês, estudantes, e com o trabalho dos professores, para que a gente passe por esse deserto.
O deserto que estamos caminhando, que como disse o professor já melhorou muito.
Nós já temos algumas condições aí. Mas as empresas aéreas brasileiras têm que lutar muito, porque os céus estão querendo se abrir.
Nós já falamos sobre isso em reuniões anteriores.
Temos que lutar para que as internacionais não tomem o nosso lugar.
O lugar que era da nossa grande Varig, tem agora que ser da nossa TAM, tem que ser da nossa Gol, da nossa Webjet, da Flex.
E de todos os brasileiros que estiverem envolvidos nesse comércio de aviação.
Ceus abertos? Não podemos permitir que isso aconteça.
Finalizando, ainda com os 700 dos nossos profissionais voando fora, quero dizer, professor, que nesta Casa também já tevemos uma bela palestra do Conselheiro Virgílio, que é Secretário de Turismo do Estado de Alagoas, meu segundo estado.
Minha mulher é de lá - e você tem que gostar, porque senão, já viu... (risos)
E, normalmente, estamos lá todos os anos, é um belo estado, só perde para o nosso.
E quero dizer o seguinte: naquela palestra o Virgínio foi muito claro. Ele disse que hoje o Nordeste está órfão da aviação e para sair de Maceió para Recife você tem que ir a Salvador e retornar.
Um vôo que poderia ser resolvido em 25 a 30 minutos, você pode ter que fazer até em cinco horas.
Ou seja, depende do que acontecer nas conexões lá, com a aeronave e tudo mais.
Então, realmente, nós estamos num novo momento. Esse Seminário é, realmente, o caminho. Pena que nós tentamos quatro anos atrás, inclusive pela Secretaria de Turismo, e os parceiros parecem que estavam amedrontados naquele momento, porque já sabiam que existia um carrasco para cortar a cabeça da nossa Varig, como já tinha ido a nossa Vasp, a nossa Transbrasil e também a Soletur, que era uma pilastra imensa do turismo nacional.
Eu acho que temos que avaliar muito isso que aconteceu.
Esse Seminário está servindo para isso, para partirmos para cima de situações realmente concretas.
O que acontece é que nós não temos uma legislação que venha a falar em sistema estrutural.
Ou seja, se fala em conjuntural todo o tempo.
Isso depende da caneta, de quem estiver usando a caneta.
Ele então, vai fazer uma legislação, naquele momento.
É esse o grande mistério.
A aviação não pode estar seguindo o rumo em que a tocaram.
Outra: não se queima etapas.
Na Aviação não se queima etapas.
O que se precisa, sim, é da grande aviação regional, da aviação geral, para que nelas, através dessa aviação, o nosso novo profissional, consiga galgar os andares de baixo para chegar ao topo do edifício.
Para chegar no manche do 747 e do 777, do Airbus 380, ele tem que passar pela geral, aí sim.
É como um jogador que hoje não se prepara e se manda direto para a Itália. E é claro, lá começa a fazer um fiasco.
É preciso passar pelas divisões inferiores.

Então João, mais uma vez, Presidente Trigueiros, quero cumprimentar aos parceiros, por estar dentro desta luta.
E me honra estar aqui hoje.
Eu que poderia estar la fora festejando.
Aliás, com sua licença, posso fazer um parênteses?
Comemorando com um jovem como vocês, agora Prefeito dessa grande cidade do Rio de Janeiro.
Pertenço ao governo. Poderia estar lá. Mas estou aqui.
Porque fiz questão, como profissional da aviação, de estar aqui com os senhores. Um bom dia a todos. (Aplausos) .

SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA - Eu queria fazer menção a uma presença que abrilhanta também a nossa mesa, que é o meu amigo Elzário Pereira da Silva Júnior, Secretário de Turismo de João Pessoa. O Elzário, conosco aqui, traz um pouco daqueles ares que o Brito citou...
Só que de um pouquinho mais acima, na Paraíba.
Mas, dentro de algum tempo, o Elzário poderá usar da palavra, por um breve período, pelo menos para nos trazer um pouco daquela maresia lá de cima. (Aplausos)
Dito isso, passo a palavra ao Presidente do Conselho de Turismo para uma breve consideração, ainda  sobre a palestra do Professor Marcus.
SR. PRESIDENTE OSWALDO TRIGUEIROS JR. – Primeiro, quero me congratular com o Professor Marcus Silva Reis, pela excelente apresentação e a mensagem que ele deu a todos nós sobre aviação.
O fato é que após a Varig ser desmontada o Brasil sofreu uma ausência muito grande de transporte aéreo.
Mas sofreu mais ainda por um fato que não se comentou: a aviação passou a ser um ponto secundário, ou seja, não estava no clima das negociações.
Especialmente de turismo.
E o turismo está se desenvolvendo muito bem, mas muito forte mesmo.
Ele vem crescendo, mas esquecendo que o grande suporte do turismo é a aviação. Esse é o grande mal do turismo.
Não vejo a Agência falar em aviação.
Eu estive presente na reunião da Abav, Associação Brasileira de Agentes de Viagens, onde não houve uma menção ao transporte aéreo.
No entanto, eles dependem de transporte aéreo.
Sem transporte aéreo não tem turismo.
Tem esse turismo regional, mas o turismo internacional está sendo todo captado por empresas estrangeiras.
Eles estão levando os nossos passageiros daqui, estão pegando o dinheiro lá fora e nós estamos cada vez murchando e não se fala.
Eu senti profundamente.
Aliás, nós podíamos ter feito isso.
Mas não temos ambiente...
Porque o negócio hoje é tomar grandes empresas, viajar para Índia, viajar para tudo quanto é canto, para gerenciar negócios, mas esquecem da aviação.
E com isso o Brasil está sofrendo e cada vez vai sofrer mais, a tal ponto que vêm aí as Olimpíadas e eu não sei se até lá nós teremos condições.
Se Deus quiser deveremos ter, mas não se pode garantir nada.
Os nossos pilotos, disse muito bem o Brito, estão ganhando dinheiro lá fora. Tem que fazer isso, porque não têm mercado de trabalho para eles aqui.
Por outro lado, não há preparo para pilotos da aviação comercial. Eles estão se esquecendo totalmente.

Se tivermos que formar grandes empresas internacionais, nós não teremos pilotos suficientes, porque nossos pilotos estão lá fora.
Nós temos que prepará-los e não estamos nos preparando para isso, como também não estamos preparando profissionais para a aviação regional, a aviação geral ou para a comercial.
É outra grande lacuna.
Mas o que mais eu sinto são as divisas que estão se gastando para o turismo.
O governo apoiando tudo.
À ex-ministra - que agora perdeu o legado, quando, supostamente, ia ser prefeita, eu conversando com ela, fperguntei: ministra e a aviação?
E ela respondeu: " - Ah! Aviação é conseqüência."
Desculpem eu estar falando isso, mas isso dói.
Então a ministra do Turismo também não se interessa pela aviação. Ela quer mostrar ao presidente, às autoridades do governo ao qual ela pertence, que ela faz muito bem é turismo.
Que ela fez isso, fez aquilo, fez estradas, fez parquinho.
Olha, todo mundo fala em turismo, mas nenhum deles fala em aviação.
Então, nós estamos perdendo.
Eu quero dizer só uma coisa para finalizar.
Nós, no nosso tempo, no tempo que a aviação reinava e reinava com muito orgulho para o Brasil, que era reconhecida no mundo inteiro, especialmente a Varig, como uma empresa de bandeira, com um nome que até hoje existe na Europa e nos Estados Unidos,  falávamos o seguinte: um assento no avião e uma cama no hotel.
Quem senta no avião possivelmente está ocupando uma cama de hotel. Mas, hoje, os que dormem no hotel não estão sentados em assentos nacionais.
Estão sentados em assentos estrangeiros.
Eu falo do turista exterior.
Então faço um apelo: vamos nos unir.
Talvez se catequizassemos esses agentes de viagens, esses grandes operadores, fortíssimos, empresas fortíssimas.
Mas eu acho que temos que pensar no pequeno também, não só nos grandes.
Hoje eles não pensam absolutamente na aviação.
E eles dependem da aviação: o turismo depende da aviação.
Se não houver uma aviação forte, organizada, padronizada e que tenha destaque, o turismo não vai conseguir evoluir mais do que agora.
É uma fase perigosa, ainda mais agora que estamos passando por essa crise.
Então quero deixar essa mensagem: turistas, agentes de viagens, que vendem passagem, pensem na aviação.
Vocês todos são obrigados a pensar e a defender a nossa aviação geral e a nossa aviação comercial.
Senão vocês também vão um dia submergir.
Muito obrigado. (Aplausos)
COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA - Fora do protocolo, mas, absolutamente, de acordo com a vontade de todos nós, uma tréplica pedida pelo professor.
Professor Marcus com a palavra.
SR. MARCUS SILVA REIS (Universidade Estácio de Sá) – Só queria fazer um comentário em cima de tudo isso que acabamos de falar agora.
Vocês sabem que a marca Gol está acabando. Então, no meio dessa turbulência toda ainda temos essa novidade.
A marca Gol está acabando, vai se chamar VRG.
Já saiu, inclusive, um comunicado interno da empresa.
A marca Gol está acabando...
No meio dessa turbulência a gente começa a criar uma outra empresa no país. Só queria fazer esse adendo.
E outra coisa. Volto a deixar a minha sugestão: que a CNC, através do seu Conselho de Turismo crie uma secretaria especial para discutir os rumos da aviação civil brasileira em todos os seus segmentos, porque eu juro para vocês que o meu sonho é terminar os meus dias como aviador, de bermuda e camiseta, voando um avião, levando passageiros para Búzios e para Angra dos Reis, como Harridson Ford. Vendendo o filme americano: e ele caiu com aquela loura maravilhosa - e a loura se apaixonou por ele, e eles viveram felizes para sempre. Vocês se lembram disso? (Risos) Isso é venda do quê?
Isso é venda da aviação geral americana.
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA - Exatamente. Eu gostaria de abordar o tema da aviação geral também, só que com o Ricardo Nogueira, Vice-Presidente Executivo da ABAG - Associação Brasileira da Aviação Geral, que vai trazer para nós alguns outros detalhes e já agora com mais essas assertivas do Professor Marcus. Com a palavra o Ricardo Nogueira. 
                                 Veja aqui a seqüência da 8ª Reunião do Seminário
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