Notícias do Seminário Nacional de Aviação Civil
(Rio, 08 de dezembro de 2008) O Movimento Asas da Paz reuniu diversas personalidades da Aviação, desta vez para a solenidade de encerramento do Seminário Nacional de Aviação Civil do ano de 2008.
A 9ª Reunião do Seminário ocorreu, como habitualmente, no Auditório Silvio Pedroza, no 9º andar da Sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo - CNC, no Rio de Janeiro, só que desta vez no horário das 16 horas, e portanto diferentemente das outras reuniões que ocorreram sempre pela manhã.
O Presidente do Movimento Asas da Paz e Conselheiro do CTUR-CNC, Cmte.João Flávio Pedrosa, presidiu a reunião de encerramento, tendo composto a mesa dos trabalhos com os Conselheiros Eraldo Alves da Cruz, Luiz Brito Filho, Mauro Gandra e Gilson Campos, nomeados padrinhos dos agraciados com o Troféu Asas da Paz nas suas diferentes categorias.
A reunião marcou também a entrega dos certificados de participação aos inscritos que compareceram a pelo menos duas das reuniões ao longo do ano e que ainda não haviam recebido esse documento de presença.

Segue a Íntegra da 9ª Reunião - ( transcrição taquigráfica)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSABoa tarde a todos.
A razão de estarmos aqui reunidos, mais uma vez, já tendo feito isso durante os últimos nove meses deste ano, a razão, repito, é discutir temas e debater alternativas para a Aviação Civil brasileira.
E uma vez por mês usamos o nosso tempo como tínhamos programado, algumas com um delay, com um pequeno atraso... Como hoje mesmo.
Mas esses tempos na ante-sala do café da manhã ou do lanche da tarde foram importantes, para que alguns se conhecessem, outros se reencontrassem, outros ainda se mantivessem silenciosos.
Esses últimos estavam em contato com suas próprias idéias e reflexões, antes de virem ao debate e se defrontarem com as idéias daqueles que aqui já estavam.
Foi isso que nos permitiu, muitas vezes,  trocar nossas próprias idéias por outras mais abalisadas, mais adequadas, e com isso evoluirmos em conjunto, aplaudindo os que aqui se apresentaram.
Aqueles que estiveram nas outras reuniões do Seminário já sabem que fizemos um tipo de trabalho diferenciado. Pois hoje ainda vai ocorrer uma outra novidade.
Como vêem a mesa ainda está vazia.
Mas, aos poucos, irá adquirindo o seu conjunto e ficando maior, mesmo que alguns tenham que se ausentar ao longo dessa nossa última reunião que está acontecendo na parte da tarde, de forma diferente das demais, que sempre ocorreram pela manhã.
Então, vamos ocupar esse tempo fazendo uma dinâmica de grupo. Para isso vou pedir a participação de alguns dos que estão aqui conosco, para que se manifestem.
E essas manifestações deverão ocorrer antes do momento culminante da reunião, que é a entrega dos Troféus Asas da Paz - Conselho de Turismo, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a quem, mais uma vez, quero agradecer, em nome do Movimento Asas da Paz.
Foi esta casa que nos acolheu desde março.
Nos recebeu, naquela ocasião, para ser palco de uma discussão que vinha a ocorrer em uma hora ainda acidulada, com diversos lados profundamente afetados por dores e sofrimentos.
E nós procuramos pacificar; trazer para as nossas reuniões as diversas opiniões, mas de forma a pacificar o ambiente da Aviação.
Era difícil, até porque o antagonismo existente foi um antagonismo latente durante muito tempo. E ele antecedeu a todos os fatos nacionais, até por questões exógenas ao nosso próprio país. Mas tudo foi trazido, foi debatido, foi vertido até em outras línguas e, posteriormente, foi acalmado.
Não posso usar, ainda, a expressão pacificado, mas foi acalmado. Hoje, pelo menos, já se interpretam posições antagônicas sem aquela forma acidulada. Discute-se? Claro, há que se discutir. Levantam-se as questões que são importantes que se levantem.
Mas, acima de tudo, com a diplomacia e com a capacidade que o brasileiro tem, não de se acomodar, mas de guerrear com as boas armas e, principalmente, com as armas da paz.
Teremos aqui, a possibilidade de ouvir algumas manifestações daqueles que participaram, durante o ano todo das nossas reuniões.
Mas antes um comentário sobre como é difícil esta tarefa de realizar um seminário. É que recebi, hoje, um e-mail daquele que foi o nosso mais assíduo freqüentador das reuniões, dizendo-me que em função do seu trabalho, hoje não poderia comparecer. Eu até brinquei, na resposta: "mas como, Serinaldo", este é o nome dele, faço questão de registrar, "você tinha um papel importante na reunião de hoje; afinal você foi o mais assíduo dos freqüentadores do Seminário. Pela primeira vez terá voz, para poder expressar parte daquilo que você vivenciou ao longo deste ano, já que nas outras nunca se manifestou. " Infelizmente, o Serinaldo não está conosco, mas deixo aqui o registro de uma das pessoas que contribuiu muito, e nesse registro o meu agradecimento às demais pessoas ausentes hoje, mas que com suas presenças e suas questões contribuiram para o êxito do Seminário.

Agora, gostaria de convidar para compor a mesa, nessa parte dos trabalhos, aqueles Conselheiros que, posteriormente, serão os padrinhos dos agraciados com os respectivos Troféus Asas da Paz.
Por gentileza, Eraldo Alves da Cruz e Luiz Brito Filho. (Aplausos)
Faço questão agora de convidar o jornalista e Conselheiro Gilson Campos, que nos brindou na sétima reunião, em setembro, com uma magnífica palestra sobre a visão do jornalismo nos aeroportos.
O Gilson Campos fará a entrega para o Dr. Roberto Irineu Marinho, na pessoa do seu representante Raphael Vandystadt. (Aplausos)
Convido o Ministro Mauro Gandra. O Ministro Gandra será padrinho do presidente da Embraer. Ele vai explicar, depois, algumas das visões históricas, que ele nos trará com o brilhantismo de sempre. (Aplausos)
Está conosco o professor Marcus Silva Reis, que será apadrinhado pelo Conselheiro Eraldo Alves.
A indicação do Professor Marcus Reis foi do Presidente Trigueiros, mas como o Trigueiros é um dos homenageados, faço questão de pessoalmente fazer essa entrega do seu troféu. Por isso passei a missão de fazer a entrega do troféu do Professor Marcus ao Eraldo.

E ao meu lado, combatente da primeira hora, o Luiz Brito Filho, que representa neste momento o Estado do Rio de Janeiro. O Brito que é Assessor da Presidência da TurisRio e de longa data um emérito trabalhador da Aviação, não só da Varig, mas da Cruzeiro, onde começou jovem, como operador de telégrafo, em Picos no Piauí.
Essa representatividade que temos hoje simboliza mais do que as personalidades. Ela simboliza as ações. O sentido que  queremos dar a esse ato é mais do que a da representação das entidades. É o somatório dessas ações. Se não fossem essas ações e se não fossem as decisões para que essas ações ocorressem, não teríamos sustentado, ao longo deste período de um ano, uma visão tão íntegra da recuperação da nossa Aviação.
Hoje temos que dar musculatura às nossas empresas, para que elas possam seguir os seus próprios rumos, atingindo os céus do mundo inteiro.
Mas temos também que ter a capacidade de interpretar as suas necessidades, aqui e lá fora, no presente e no futuro.
E essas são as necessidades que a Imprensa, de um modo geral, levanta e nos traz, diariamente, por situações nem sempre positivas. Algumas, aliás, são absolutamente negativas.
Mas foi exatamente a partir desse momento do negativo que nos reunimos para transformamos o negativo em positivo.
Não há porque negar que hoje este é um momento de aplausos a todas essas ações, a todos esses instantes, a todas essas entidades, essas autoridades e empresas que se comprometeram, ao longo de 2008, a fazer uma revisão do quadro da Aviação no país.

Eu vou passar a palavra, portanto, a cada um dos componentes da mesa, para que façam as suas manifestações, começando pelo Luiz Brito.
Por gentileza, com a palavra o Luiz Brito.
Brito: ainda não é a sua homenagem.
SR. CONSELHEIRO LUIZ BRITO FILHO (TurisRio) – Boa tarde a todos. Boa tarde, João Flávio, presidindo estes trabalhos. Boa tarde meu Presidente do Conselho, Oswaldo Trigueiros Jr., personificando a Aviação brasileira, com o qual tive o prazer de trabalhar na grande Varig. Quero dizer da nossa alegria, da nossa satisfação, de ver, hoje, um ciclo sendo encerrado em cima de debates. Debates que eu acredito que possa ter havido até parecidos, mas nunca iguais a esses que nós travamos aqui. Basta avaliar as posições que foram aqui colocadas, por pessoas como o nosso Brigadeiro Allemander, como o nosso Brigadeiro Gandra, o Marcus Reis e tantos outros.
O próprio Juiz Ayoub, que esteve aqui conosco, o Ronaldo Serôa da Motta, diretor da Anac, o 
Brigadeiro Ramon diretor do DECEA...
Todos os setores envolvidos na Aviação brasileira estiveram presentes, ou foram bem representados. Então, como o João Flávio diz, foi uma troca positiva em nome da Paz na Aviação.
O que temos que ver agora, olhando as figuras aqui presentes, do Paulo Henrique, presidente da Webjet, também do Guilherme Paulus, é que a Aviação brasileira ficou um tanto ou quanto órfã com a saída da grande Varig.
Mas não devemos apenas ficar no choro, porque sabemos que agora é o momento de dar forças à nossa GOL, à nossa TAM, à nossa WEBJET, e a todas aquelas que vierem, realmente, para fazer o progresso da Aviação brasileira.
Logicamente são outros os caminhos, são outros os momentos, mas exigem de todos nós, muitos esforços.
Gostaria, antes de concluir, dizendo que o que se alcançou aqui vai ficar gravado.
Principalmente, pelos estudantes que estiveram presentes, e como exemplo, também pelos nossos irmãos africanos, nossos irmãos de Angola.
Lembro a vocês que trabalhei muito com esses irmãos angolanos lá no Galeão, no tempo daqueles vôos da Varig para Luanda.
Quero dizer que vocês são sempre bem vindos: vocês estiveram aqui e acreditaram neste nosso trabalho.
Pois eu acho que isso aí é que é importante.
A Aviação não tem fronteira, como sempre disse o João Flávio, no Movimento Asas da Paz. Ela é mundial. Ela fecha o ciclo do planeta.
Então, agradeço a oportunidade de estar aqui com os senhores e desejo que nesta tarde os nossos agraciados realmente sintam que estão sendo homenageados como merecem, porque todos eles são o toque de ajuda e de apoio necessários à aviação brasileira.
Boa tarde a todos. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA – Agora, com a palavra o Dr. Eraldo Alves da Cruz, em nome da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

SR. CONSELHEIRO ERALDO ALVES DA CRUZ  – Boa tarde a todos. Boa tarde, Presidente João Flávio Pedrosa, do Movimento Asas da Paz. Boa tarde, Ministro Gandra, Jornalista Gilson Novo, Gilson Campos, desculpe, e ao nosso prezado Luiz Brito. E boa tarde a todos os presentes.
É com grata satisfação que me dirijo a vocês em nome da nossa Confederação. Cumprimento, em especial, o nosso querido Presidente do Conselho de Turismo, que hoje, com muito mérito, receberá mais esta honraria. O Dr. Oswaldo Trigueiros Júnior é absolutamente merecedor não só desse prêmio como de tantos quantos outros vier ainda a receber. E ele certamente receberá.
Por este auditório passaram as maiores autoridades em assuntos da Aviação que existem neste país. Eu próprio estive presente em muitas das reuniões que aconteceram: vi os principais executivos das companhias aéreas brasileiras, os principais executivos das empresas brasileiras, de todo movimento aeronáutico do nosso país; todos estiveram aqui.
E esse movimento se expandiu. Esse movimento foi para São Paulo. Estivemos na Federação do Comércio do Estado de São Paulo.
Fomos eu, o Dr. Trigueiros, a nossa querida assessora Josi, liderados pelo Comandante Pedrosa e assistimos a um exemplar Movimento Asas da Paz, em São Paulo. Foi uma reunião com todas as autoridades aeronáuticas do Estado de São Paulo ali presentes e que emprestaram àquele evento, sem dúvida alguma, um brilhantismo absoluto, com a riqueza de informações que trouxeram, que deixaram muitas das pessoas presentes impressionadas.
Eu me lembro que foi uma reunião de dia inteiro. O Brigadeiro Allemander foi um dos palestrantes, o Ministro Gandra também foi um dos palestrantes, o Secretário Estadual de Governo de São Paulo, representando o Governador Serra, e todos ficaram absolutamente atentos, do início ao fim, naquela reunião, com tudo aquilo que se falava. Eu costumo dizer, e até anotei aqui, que o nosso país é um país muito interessante. Um país continental, cujos atos conjuntos e isolados, mas, sobretudo, por atos espontâneos e gratuitos, conseguem fazer a diferença dentro de todo o universo de ações que nós nos obrigamos, de forma natural, a fazer para que as coisas possam dar certo.
Aviação é uma coisa complexa. Nós estamos vendo, no mundo inteiro, o que vem acontecendo com a Aviação. O Brasil não é diferente.
O Brasil também tem os seus próprios problemas. Não que sejam iguais. Certamente tem problemas iguais a de outros países, mas nós temos os nossos problemas próprios, do nosso mercado, criados pelo nosso mercado.
As vezes a solução dos Estados Unidos pode parecer boa para os americanos, mas não necessariamente para nós. Nós podemos trazer aprendizados lá de fora, como já trouxemos no CBRATUR, por exemplo, que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, um dos realizadores, junto com a Comissão de Turismo e Desportos da Câmara e a Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado, trouxe alguns anos atrás. Vieram executivos das principais empresas de companhias de aviação, executivos da Organização Mundial do Turismo, para discutir a crise aérea no mundo inteiro. E quem lê aquele trabalho chega à conclusão de que se nós tivéssemos dado atenção ao que ali se discutiu, talvez pudéssemos ter evitado muito dos problemas pelos quais passamos no último ano de 2007.
Então, falo sobre esse assunto por quê?
Porque acho que o Movimento Asas da Paz existe exatamente para isso: para trazer os problemas à baila, para trazer as prováveis soluções, para mostrar tudo o que está acontecendo no mercado e buscarmos compilar todos esses dados e levarmos às autoridades.
E o setor? Os senhores, que estão sentados aqui à frente, em conjunto com todas as outras autoridades e representantes da sociedade, devem cobrar ações do governo e até implementar aquilo que tem que ser implementado.
Nós temos na aviação brasileira um cem números de novas atitudes no mercado. Nós nos lembramos que há alguns anos atrás vimos três companhias aéreas básicas nos aeroportos. Hoje as três não estão mais atuando: são outras três novas. E, de repente, vão aparecendo mais outras; as cores vão-se modificando. Mas não é só com as companhias aéreas. Isso aconteceu com toda economia de mercado, com quase tudo. Se nós formos puxar pela nossa memória, a globalização tem permitido uma mudança constante de todas as marcas, de todas as empresas; quem, de repente, via Panasonic, não vê mais Panasonic, é uma outra empresa.
Daqui a pouco a Webjet começa a comprar outras empresas e, de repente, ela resolve mudar de nome também e se acopla a tantas outras. Então o mercado cresce, o mercado evolui e temos que estar preparados para poder enfrentar todas essas novidades que existem.
Quero parabenizar o Comandante João Flávio Pedrosa pelo trabalho que ele vem fazendo à frente do Movimento Asas da Paz.
Nós falamos com o Dr. Trigueiros, conversávamos muito outro dia, e é intenção do Presidente compilar todas essas ações e documentos, que de uma forma objetiva e resumida, possam surtir efeito.
Porque o importante dessas discussões é que elas surtam efeito na sociedade e não que fiquem só no âmbito da nossa discussão.
Essas discussões, como já dissemos, contou com o apoio e com o concurso de pessoas brilhantes, de nomes extraordinários, como o Brigadeiro Allemander, como o Ministro Gandra, que está aqui presente, que tem ajudado muito, o tempo todo, e não só ao Movimento Asas da Paz, mas também em como organizar e reorganizar esta nossa sociedade, que vamos chamar de sociedade aeronáutica brasileira, que tem passado por tantas turbulências.
Então, precisamos, realmente, desse apoio, porque teremos muitas coisas que acontecerão no Brasil nos próximos anos.
Nós temos a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016; em 2013 a Copa das Confederações; depois temos os 450 anos do Rio de Janeiro, que certamente será uma comemoração ao nível de uma Copa do Mundo. Eu já vi nos jornais que as Olimpíadas Militares ocorrerão em 2011. Nós estamos pegando quase um ano depois do outro. Tudo está bem pertinho. Olhem quantos macro eventos nós teremos em nosso país.
Então, me permita, Comandante João Flávio, Presidente, mas o Movimento Asas da Paz tem que ter, realmente, a dimensão que ele merece ter e extrapolar as nossas fronteiras.
E digo aos setores do Turismo e da Aviação: cada vez mais vamos buscar as soluções, ao invés de criar e discutir problemas criados.
Como aqui foi feito, o Brasil deve passar a discutir as melhores soluções que existem, para poder crescer e fazer frente ao próprio crescimento. De certo acho que nosso crescimento é inexorável. Se todos esses eventos estão  programados para acontecer no Brasil, nós não temos que discutir mais a relação de problemas e sim as soluções mais adequadas. As alternativas viáveis.

Se temos que discutir, nós temos que discutir é como prestar bons serviços a tudo isso que vem por aí. E como abrir as nossas portas para que o empresariado nacional cresça mais e possamos ter mais Guilhermes Paulus no mercado.
Que não se fique apenas com ele, mas surjam mais dois ou três. E que apareçam novas empresas, para que o Brasil cresça e cresça muito.
É disso que precisamos.
Então, sirvo também como uma testemunha deste trabalho extraordinário que foi o Seminário Nacional de Aviação Civil, porque agi como expectador o tempo todo. Mas um expectador privilegiado, repito, por poder ouvir pessoas, como já citei aqui, como o Brigadeiro Gandra, como o Brigadeiro Allemander, como o próprio Luiz Brito, que fez brilhantes apresentações, como o jornalista Gilson, que fez uma brilhante apresentação e tantos outros que tive a oportunidade de ver e ouvir aqui na nossa Confederação. Então, Comandante Pedrosa, eu parabenizo o seu trabalho, parabenizo o seu esforço, parabenizo a sua dedicação absoluta, porque é preciso gostar e se dedicar muito para ir à frente em determinados problemas.
Mas acho que essa sua dedicação é absolutamente compensada com este calendário maravilhoso que teremos pela frente.
E tenho certeza que o Movimento Asas da Paz nos ajudará.
Que estas reuniões se façam também nos Estados brasileiros, onde os eventos terão subsedes, porque todos temos que estar preparados para enfrentar cada um dos problemas. E com seu apego às questões, as soluções haverão de vir, com certeza.

O Dr. Trigueiros sempre foi um entusiasta absoluto disso; não precisa dizer que ele é um entusiasta da Aviação, porque ele é o próprio retrato da Aviação.
E se ele é a Aviação, ele é absolutamente o resumo de toda a nossa ansiedade em ver tudo solucionado, porque só ele consegue gostar e sofrer...

A mínima solução que não saia correta ele percebe e isso dói mais a ele do que dói a mim. Mas se dói mais a ele é porque no futuro doerá a muitos dos senhores, porque, por essa percepção, se pode dizer que ele tem no sangue dele a Aviação brasileira.
Então, parabéns também ao senhor, Presidente, por proporcionar ao nosso ilustre Comandante João Flávio e ao Movimento Asas da Paz, este movimento todo, por onde buscamos as soluções e por onde, certamente, haveremos de encontrar essas soluções.
Muito obrigado. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Gostaria de agradecer as palavras do Eraldo. Mas lembrar a todos que os homenageados ainda estão sentados ali. Eu apenas faço o meu trabalho.
E a propósito desse trabalho de equipe, queria lembrar uma curiosidade.
Moro e trabalho numa casa, lá no Grajaú. Sou daqueles que tem a oportunidade de conviver diariamente com uma flora e uma fauna maravilhosa. Mas algo que o Conselheiro Eraldo falou agora me lembrou esse fato, bem curioso e simples, que queria contar para vocês.
Estava, pela manhã, terminando alguns dos trabalhos necessários a esta nossa reunião, quando fui interrompido por alguém que levava algum tempo para decidir alguma coisa.
Resolvi levar essa pessoa até ao quintal da casa e mostrar um formigueiro.
E lhe disse: hoje, pela manhã, bem cedo, peguei parte de uns farelos de pão e deixei propositalmente cair aqui, para ver a reação das formigas.
Sabem o que ocorreu? Imediatamente elas recolheram tudo. Não discutiram, não debateram, não perguntaram quem decidia, não mandaram fazer uma requisição, não fizeram processo, absolutamente nada. Dois minutos depois não havia nenhum farelo ali para ser recolhido.
Tem sido essa a minha visão profissional e isso quero passar a todos vocês.
Acredito que tenha recebido essa missão há muito tempo atrás e tenho, ao longo da vida, tentado acelerar muitos processos, alguns bem difíceis.
Pelos idos de 1969 tive a oportunidade, Eraldo, de substituir Belmiro Siqueira. Para aqueles que não sabem, Belmiro Siqueira foi um dos diretores do DASP. Ele havia sido antes, também, meu professor, quando ali, na Marechal Câmara, os cursos do DASP funcionavam em uma pequena sala de aula num subsolo. Fui dos alunos que cursou Administração naquele período, lá por 1959.
E o DASP evoluiu e depois sucumbiu.
Mas antesdele acabar, e anos depois daqueles cursos aqui no Rio, ao substituir Belmiro Siqueira em aulas de Administração, lá em Brasilia, participei, também, com muita satisfação, daquilo que no país se chamou de reforma administrativa.
Foi aquela época do ERA - Escritório da Reforma Administrativa, do Ministro Hélio Beltrão e do Decreto Lei 200, quando treinamos os coordenadores de treinamento de todos os Ministérios, em Brasilia
Então essa minha tendência de atuar em treinamento, em desenvolvimento, em aperfeiçoamento, já é antiga.
Vem da iniciativa privada, tendo levado essa base para o serviço público.
Inclusive ocupei uma função de Diretor do Centro de Seleção e Treinamento da então Prefeitura do Distrito Federal, já em Brasilia, mas na época, 1967, ainda na fase da transição da Capital do Rio para o Planalto Central. Portanto, Eraldo, faz parte do meu trabalho fazer reformas, participar dessas reuniões, buscar alternativas e desenvolver esses trabalhos difíceis.
A missão é antiga, como disse, e sei que ela não termina nunca. E se não termina, é possível se multiplicar, em soluções, com todos vocês apoiando.
Por isso, imagino que aqui, no Seminário Nacional de Aviação Civil, tenhamos feito também, apenas nosso trabalho de multiplicação.
Esse, pelo menos, foi o meu intuito, o meu objetivo.
A minha visão é ser um multiplicador. Nem um catalisador, mas sim um multiplicador, para que essas idéias, que aqui foram trazidas e debatidas, possam ser ampliadas e levadas a todos os cantos do Brasil.
Porque elas são necessárias, sim, como lembrou o Eraldo, em todos os cantos do Brasil, e não apenas aqui no nosso pequeno auditório de cento e cinquenta pessoas, mas que mesmo assim, reuniu ao longo do ano, mais de quatrocentos inscritos.

É importante, portanto, que saibamos o que foi feito aqui. E o Conselheiro Eraldo fez um resumo fraterno.
Aliás, Conselheiro Eraldo, aprecio muito a sua metodologia, que eu estimo bastante, pois com essa sua visão de síntese, que me facilita, às vezes, quando vou montar todas as demais páginas do site do Seminário, consigo com esses seus resumos rever, de forma mais clara, os temas e os debates, para que aqueles que aqui não estiveram e assim o desejarem, possam conhecer o que aqui se passou.
Mas, prosseguindo, temos também aqui o Jornalista Gilson Campos para se pronunciar.
Ele será padrinho de um dos nossos homenageados, representado pelo Raphael Vandystadt.
O Gilson tem histórias maravilhosas. Então quero passar a palavra ao Gilson Campos, para que ele se pronuncie também.
Com a palavra Gilson Campos.
SR. CONSELHEIRO GILSON CAMPOS – Senhoras e senhores, boa tarde. Estou aqui surpreendido pelo João Flávio, esse infatigável, inegável, batalhador, com esse programa Asas da Paz.
Quando conheci o João Flávio, há muitos anos, ele estava sempre com essa idéia de lançar o Movimento Asas da Paz. E eu não tinha certeza do que viria pela minha frente.
Hoje estou surpreendido com o convite dele e um pouco, vamos dizer, preocupado. Adoro ser confundido com o Gilson Novo, como fez o Conselheiro Eraldo... Gilson Novo é uma figura maravilhosa, é um companheiro muito bom, competente, e fico muito satisfeito quando me chamam de Gilson Novo. E não é a primeira vez. Mas eu sou o Gilson velho. Não tem importância nenhuma. E como Gilson velho eu conto histórias. Gosto de contar histórias, porque é uma coisa que todos vocês, um dia, terão essa oportunidade de fazer. Lembro muito bem que eu trabalhava, nos idos dos anos 50, façam as contas, no jornal Diário Carioca.
Lá passei alguns anos... Depois, cheguei a subir vários degraus.
E hoje, aqui ao meu lado, um representante do presidente das Organizações Globo, tal e qual quando eu tinha a meu lado os excelentes e competentes companheiros chamados Evandro Carlos de Andrade e Armando Nogueira.
E a nossa vida toda foi muito cheia de frutos e todos nós, desse tempo do Diário Carioca, tivemos uma oportunidade de encontrar os melhores caminhos de nossas vidas.
Nesse meio tempo, fui trabalhar na Varig, porque precisava ter um outro caminho. Já não esperava tanto do jornalismo, que sempre me deu tudo na minha vida, mas na época esperava uma coisa maior.
E passei para a Varig. Fui para a Varig para fazer uma parte de uma revista, fazer um jornal interno e fazer assessoria de imprensa.
Foi onde eu conheci o fabuloso Dr. Trigueiros, o homem de vendas da Varig, e com quem a gente sempre teve uma grande empatia.
Lá a gente foi se conhecendo cada vez mais e tive oportunidade, na minha vida de jornalista, de cuidar muito da parte de Aviação.
E me lembro, e gostaria que vocês soubessem: depois de dois anos e meio de trabalho na Varig, a Varig comprou a Real.
Aí surgiram alguns problemas.
Naquele momento a revista que era publicada foi suspensa por motivos econômicos. O jornal interno também. Então eu fiquei no setor que se chamava na época de a "Propaganda" da Varig.
Eu fui procurar o gerente administrativo, que era o Cunha, e disse a ele:
" - Cunha, eu vim aqui pedir a minha demissão."
Ele me disse: "- Como você vai pedir demissão?" Eu disse: " - Quero ir embora. Não posso ficar aqui sem fazer nada." Ele retrucou: " - Não. Você está enganado. Aviação sempre tem crise. Você espera um pouquinho que essa crise passa e depois vem outra. Mas você tem que ficar aqui conosco. Fica aqui conosco" - disse ele, "não vá embora não."
Então pegou minha carta de demissão e rasgou.
Naquele momento ele mesmo escreveu numa folha de papel um pedido de afastamento por 120 dias, se não me engano, para que eu me afastasse.
Não queria me dar a demissão. " - Ninguém sai da Varig por causa disso. Crise vai ter sempre."  E ele tinha toda razão

Mas saí da Varig sim, como jovem aventureiro e fui trabalhar numa agência de propaganda. Só depois voltei para o jornalismo, meu chão.
Voltei para o Diário de Notícias, Mundo Ilustrado, Estado de São Paulo, andei por tudo que era lugar, morei no Rio, em São Paulo, Pernambuco, e fui parar num Aeroporto, novamente metido com o negócio de Aviação, de uma forma muito mais enfática, já que foi o lançamento do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.

Nesse meio tempo, eu fui conhecendo as pessoas e vendo como é importante, pelo menos, quando a gente começa uma carreira, ter o seu próprio norte, ter o seu caminho, ter o seu ponto de chegada, até ser Gilson Campos e também chamado de Gilson Novo.
Estou muito feliz de fazer essa entrega a um jornalista como o Marinho, desse Troféu Asas da Paz, e quero deixar um abraço para todos. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Como vêem as histórias do Gilson são fascinantes e inéditas.
Isso é um dado importante: são sempre inéditas.
Se ele contasse aqui que nós fomos contemporâneos na Fábrica do Galeão, lá pelos idos de 1958, numa dessas fases que ele falou, eu também estaria, como o nosso companheiro Gilson Novo, aplaudindo o Gilson Velho... Nosso mestre do Jornalismo, o Gilson Campos.
Então, vamos passar adiante, para ouvir as palavras do Brigadeiro Gandra. Só que vou lembrar uma expressão do Luiz Brito, quando nos reunimos, depois da decisão do Conselho de fazer o Seminário, no início deste ano. Naquele dia o Brito me disse, depois da aceitação do Brigadeiro Gandra: "- Pois é, o brigadeiro matou no peito e assumiu."
E, realmente, a decisão de termos o primeiro palestrante do Seminário, na figura competente, íntegra, histórica, do Brigadeiro Mauro Gandra, dá a medida da importância que pretendíamos desde muito tempo para este seminário.
E ele abriu o Seminário Nacional de Aviação Civil, em 27 de Março, com o brilhantismo natural da sua experiência, da sua vivência, mas, acima de tudo, com aquela vontade de resolver problemas.
Isso porque, no início do ano, esses problemas ainda estavam instalados numa área muito sensível e com aquela sua palestra ele permitiu que houvesse um outro visual de uma situação que, até aquele instante, só marchava para rupturas muitos graves.
E eu não sei se aqui, neste momento, está presente, mas esteve presente conosco, em todas as outras reuniões, o presidente da Associação Nacional dos Controladores de Tráfego Aéreo. E por todas as vezes ele assistiu calado. Mas em todas as oportunidades aplaudiu. Cheguei a expressar a ele o meu desejo de que ele usasse um tempo para sua fala, mas ele dizia estar aproveitando muito.
Quero apenas lembrar a vocês que naquele início do Seminário a minha fala foi sobre pacificação. Entendam a importância de num só ambiente, termos pessoas debatendo de forma serena, pacífica, acima de tudo convergente, na mesma intenção de termos resultados positivos.
Com a palavra o Brigadeiro Mauro Gandra.
SR. CONSELHEIRO MAURO JOSÉ MIRANDA GANDRA – Dr. João Flávio Pedrosa, em nome de quem eu saúdo todos os presentes. Eu vou fazer uma confidência e méa-culpa, até porque, todos que me antecederam, discorreram sobre o que representou este Seminário, realizado pelo Movimento Asas da Paz, com o apoio do Conselho de Turismo da CNC.
Eu acho que o Dr. Trigueiros vai se lembrar disso: e aí vem a méa-culpa. Quando o Dr. Trigueiros falou sobre a idéia de fazer uma reunião, ele deve se lembrar disso, eu fui cético. Eu achei muito difícil. Muito difícil coordenar um seminário desse, trazer algumas autoridades, porque elas têm uma série de compromissos etc.. Às vezes até algumas pessoas não querem se comprometer, embora tenham compromisso.

Então hoje a minha fala é, apenas, para dizer da perseverança do Pedrosa. Se não fora essa perseverança do João Flávio Pedrosa este seminário, que hoje reputo muito importante, porque, como já foi dito aqui, trouxe muitas personalidades da aviação civil brasileira, que trouxeram, por sua vez, as suas idéias e alternativas.
E naturalmente os anais, que serão publicados de forma impressa, já foram publicados muitos, mas em termos de mídia eletrônica.
Mas, provavelmente, sairão também de forma impressa, porque muita gente ainda não se acostumou a ler na tela e, sim, nas folhas.
Por mais que a gente diga que o papel vai ser eliminado, acho que nunca se gastou tanto papel depois da Internet.
Então, Pedrosa, é isso que queria dizer. E até para me penitenciar pelo ceticismo quando você me procurou e mais especificamente o Dr. Trigueiros. Parabéns a você. Obrigado. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Mais um agradecimento. O repto é sempre muito importante, para que cada um de nós que receba uma missão possa cumpri-la.
Eu não sei se todos conhecem a história do "jarro azul", que se usa na formação de executivos, mas, certamente a expressão "Mensagem a Garcia" vários conhecem.
Só que, com certeza, nenhum dos presentes lembra de quem cumpriu essa missão. Um breve resumo.
A Mensagem a Garcia foi uma missão atribuída a uma figura que atravessou uma região de guerra. O Mensageiro precisava atravessar a linha inimiga e entregar a tal mensagem ao caudilho Garcia, para que ele pudesse juntar suas forças e combater do lado de quem mandou a mensagem.
O nome dele é Sargento Rowans. O Sargento Rowans teve exatamente aquele mesmo perfil da formiguinha: não perguntou "Qual é a missão?" Ele não perguntou onde é que estava o Garcia, se era do lado de lá do rio ou se era do lado de cá. Ele simplesmente foi e entregou a Mensagem a Garcia.
Enfim: ele cumpriu essa missão sem perguntar quantos quilômetros teria que percorrer, que tempo levaria, quem o acolheria durante a viagem ou coisa que o valha. Repito: ele apenas cumpriu sua missão.

Pois eu recebi os dois maiores elogios que poderia ter recebido, aqui nesta casa.
Um na sala do Conselho, dentro do ambiente onde estávamos preparando o Seminário. Foi quando o Presidente Trigueiros, usando o mesmo ceticismo lembrado agora pelo Brigadeiro Gandra, disse:  - Eu não acredito que isso vá dar em nada.

Esse foi o primeiro elogio.
O segundo foi do próprio Ministro Gandra, quando aqui numa referência ao espírito da Paz ao qual me refiro, buscando alternativas que se tornem positivas para a Aviação, também me disse:  - Você é um sonhador.

E, por favor, entendam: no meu perfil pessoal, isso é o elogio.
Me atribuir uma missão, num repto, na medida em que me permitem desenvolver o trabalho, em conjunto com tantos profissionais de alta competência, isso é o elogio. Aliás, eu não faço nada sozinho e por isso todos os elogios são para toda a equipe que aqui participou.
É claro que só pude realizar este trabalho com a participação intensa de toda essa equipe que fica por trás, e que quase ninguém vê. Daquelas moças da Equipe da Assev da CNC, da Regina nas notas taquigráficas, da Josi, sempre presente, da Vânia, que está lá em cima, do João Júnior, no Datashow, e de todos aqueles que não aparecem no visual, que ficam na equipe de som, mas que permitem que se realize todo este processo.
E há aqueles que me ligam para saber e fazewr sugestões, os que escrevem os email com as questões, além das secretárias dos palestrantes e dos convidados, sempre que do lado de lá me respondem... São todos esses e essas que permitem, efetivamente, que se faça um trabalho como este e espero que no próximo ano esse apoio também venha a acontecer.
Quando numa das reuniões fiz referência a uma fórmula - PIEV, aprendida a longo tempo atrás, foi exatamente por isso.
Em Brasilia, no DASP já citado, criei um Curso de Relações Administrativas, quando ainda nada havia nesse sentido. O objetivo era adotar uma técnica de fazer cair barreiras que impedem o desenvolvimento da administração.
Venho aplicando essa mesma técnica na Aviação, com o mesmo sentido de aproximar as pessoas das soluções e alternativas viáveis.
E por isso, vou pedir agora mais três manifestações. Mas só peço que o façam com a limitação de um pequeno detalhe: que o meu nome ou a minha atividade não seja mais citada nessas manifestações e, sim, a Aviação.
Por gentileza, Pedro Ajambuja. Depois, o Daniel Carneiro, que são as duas pessoas que gostaria que fizessem suas manifestações sobre a Aviação. Com a palavra o Pedro Azambuja, aqui apresentando uma visão que ele passou lá na Associação Comercial do Rio de Janeiro, num evento recente sobre os Aeroportos do Galeão e do Santos Dumont.
Gostaria que agora, para este público, fizesse uma repetição, se possível, das suas próprias palavras.

Por gentileza, Pedro. Uma breve apresentação.

SR. PEDRO AZAMBUJA – São surpresas.

SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  É exatamente isso.
 
SR. PEDRO AZAMBUJA - Boa tarde a todos e a todas, principalmente às autoridades da mesa e ao nosso Presidente Trigueiros.
Pretendo aceitar o seu convite para falar brevemente.
Primeiro, parabenizar a CNC e o Movimento Asas da Paz por esse evento que se encerra hoje, com tanto brilhantismo, que tenho certeza que vai contribuir para o sucesso da Aviação Civil.
E acho que a gente está vivendo um momento muito importante, como comentava com o meu grande companheiro Allemander ali fora.
É que se avizinha um momento bastante difícil, da crise mundial, e como disse aqui o nosso professor Gilson novo, novo velho, o Gilson Campos, as crises vêm e voltam na aviação. E a aviação ainda é o melhor termômetro da crise. Quando o mundo da economia vai bem, a aviação tem uma tendência a ir muito bem. E ela é o primeiro termômetro, quando também nós temos algum tipo de crise econômica.
Mas, acho que, além disso, eu também sou um sonhador, Pedrosa. Eu sonho que nós poderemos passar pela crise, talvez sem sermos chamuscados demais por ela. Agora, é evidente que algumas providencias precisam ser tomadas. Principalmente no que concerne à Aviação Civil brasileira, que, embora eu esteja até meio tímido aqui, por estar à frente de tantos mestres aí, como o nosso brigadeiro...
Mas, na verdade, a Aviação Civil brasileira ainda está carecendo, na minha visão, de uma Política de Aviação, principalmente da revisão do marco regulatório da Aviação brasileira.
Hoje em dia está se falando muito em privatizações de aeroportos, em abertura de mercados, céus abertos.
Eu acho que toda essa nova conjuntura deveria ser precedida por uma discussão muito ampla e democrática. Eu acho que esse seminário já deu até um exemplo, tentando harmonizar os desencontros.
É não se cria nada se não for dessa forma, de uma forma democrática, da discussão, principalmente dos contratos.
E nós temos assistido e temos lido na mídia, diariamente, o debate em torno de alguns desses temas que eu falei: privatizações de aeroportos, abertura de céus e por aí vai em vários outros assuntos.
Acho que antes disso, haveria que preceder uma grande revisão do marco regulatório. O nosso marco regulatório, embora tenha sido revisto nos anos 80, alguma coisa assim, foram feitas as Conac. Mas ele não teve mudanças tão fundamentais assim; ele ainda está parado muito atrás. Eu tenho dado um exemplo, até para os jornalistas: alguma parte da aviação, somente no que concerne a táxi aéreo, aviação executiva, ainda está parado no tempo, no tempo do monomotor para quatro passageiros. A regulação ainda prevê isso. Termos tarifários: hoje se discute que as tarifas dos grandes aeroportos são caras. Mas, evidente, elas bancam o sistema todo.
Se discute a questão se os aeroportos têm que ser privados ou estatais. E eu tenho dito que, dogmaticamente, nada tenho contra a privatização de aeroportos. O que tenho contra é a má privatização seja de que atividade for, porque isso já aconteceu, inclusive na Aviação. Eu vivi uma privatização dessa: sou oriundo da Vasp, fiz quase toda a minha carreira como aeronauta na Vasp.
Então isso pode acontecer. Acho que temos que ter essa preocupação, de rever o marco regulatório, para que aí, sim, possamos fazer as mudanças necessárias.
Eu estava dando ali fora, aos jornalistas, um exemplo que eu tenho costumado falar, que é o nosso grande aeroporto de Macaé. Hoje a operação offshore, talvez alguns não saibam, em Campos, é a maior operação offshore do mundo! E o que acontece? O nosso aeroporto de Macaé é um dos deficitários da Infraero. Por que isso? Por conta de que o marco regulatório, principalmente em termos  tarifários, está totalmente obsoleto.
Então há que se rever, antes de conceder.

Eu queria citar um outro exemplo, rapidamente. Eu estive, recentemente, na ABAV, com o secretário de estado de Turismo, do meu estado, o grande Rio Grande do Sul, e ele me dizia: " - Pedro, você que é da Infraero, a Infraero precisa pegar o aeroporto de Torres. Precisamos desenvolver. A Infraero precisa pegar." Eu falei: " - Não. A iniciativa privada precisa pegar, porque senão será mais um aeroporto a ser arrasto para a Infraero. E isso a Infraero já tem. O nosso presidente tem dito isso constantemente: dos 68 aeroportos, pelo menos 58 são arrastos para Infraero. E, evidente, que esses não têm o interesse da iniciativa privada. Desculpe se eu me alonguei um pouco, mas era para dizer, fundamentalmente, que, na minha visão, é necessário, antes que se  tome ações estratégicas mais para futuro, que se faça uma revisão do marco regulatório.
Tem uma discussão também que é do momento, que eu vou me permitir tocar rapidamente, que é essa questão dos aeroportos do Rio de Janeiro. Estamos aqui no Rio de Janeiro. A maioria aqui é do Rio de Janeiro. E tivemos recentemente na Associação Comercial um evento onde estive presente... Aí tem uma posição da Anac, que tem lá as suas razões, de querer que haja concorrência. Todos nós defendemos a concorrência. E tem, por outro lado, o Governo do Estado e outras entidades, quase que numa maioria da sociedade do Rio de Janeiro, dizendo que o que nós precisamos é revitalizar o Galeão, é privilegiar o Galeão, como grande aeroporto internacional. Eu acho que esse posicionamento está certo. E lá também defendi isso. Acho que o Santos Dumont e o Galeão, não pode ser uma coisa contra a outra. O que tem que acontecer é que as autoridades têm que ter clareza do que seja o que se chama vocação do aeroporto. O Santos Dumont tem uma vocação, que foi uma discussão vencida em 2004. Eu, meu companheiro Brito, vários que estão aqui, o próprio Allemander, participamos. Infelizmente, está se trazendo de volta uma discussão; aí é um problema, porque Pedrosa, se lá, para aquelas formiguinhas você jogou as migalhas, depois se alguém começasse a jogar pedaços de veneno e de outras coisas, talvez elas não tivessem a mesma agilidade em fazer aquilo que fizeram.
Então é importante que essas questões sejam debatidas para a totalidade da sociedade. E como disseram alguns aqui, hoje temos dificuldades. Nem todos... Ah, mas isso está numa consulta pública pela internet. A internet, todos nós sabemos, embora esteja muito ampliada no mundo inteiro e no Brasil, não tem acesso para todo mundo. Eu acho que essa é uma discussão que cabe a todo o Estado do Rio de Janeiro. E o Galeão é um patrimônio não só do Rio de Janeiro. Ele é um patrimônio nacional, que precisa ser preservado, precisa sim ser revitalizado. Precisa se fazer uma reforma estrutural muito boa naquele aeroporto, E lá, quase me desentendi com uma pessoa que esteve lá, e que fez as maiores críticas ao Galeão, dizendo que ele nunca chegaria a ser um dos dez grandes aeroportos do mundo. Eu contestei e disse: já é um dos dez maiores aeroportos e melhores aeroportos do mundo. Claro que precisa ser melhorado. Então essa discussão do Santos Dumont versus Galeão não tem que ser uma briga. E se a administração vai ser pública ou privada, me parece que sem que haja, primeiro, uma discussão de marco regulatório, isso vira uma discussão vazia, insana.
Isso, acredito, vale também para outros setores da aviação.
Muito obrigado. Obrigado pela oportunidade. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Muito obrigado, Pedro Azambuja. Era importante fazer esse registro. São questões que precisam ser bem analisadas e debatidas, de forma ampla e pública, como temos feito aqui, permitindo a manifestação de diversas opiniões.
Agora teremos a possibilidade de ouvir mais três intervenções, que serão bem rápidas.
Mas faço questão de ouvir a palavra do Daniel Carneiro e depois a do Rui Barbosa. Com esse nome vocês imaginam que talento nós vamos ouvir. Mas a preciosidade que ele nos traz fica por conta de suas intenções. Os valores estão exatamente nas intenções.
Cabe a cada um de nós aproveita-las.
Eu mesmo já me propus a organizar as idéias dele, trabalhar, burilar, fazer um projeto e desenvolver esse projeto.

Então, ouço, primeiro, o Daniel Carneiro e, em seguida, o Rui Barbosa Vianna.
E depois gostaria de fechar esta parte da dinâmica de grupo, para que possamos seguir para o encerramento, que será a parte mais bonita, pois essa é a parte que todos estamos aguardamos com muita ansiedade
E para fazer o fecho dessa parte das nossas reuniões convido o Brigadeiro Allemander.
Sei que o pego de surpresa, mas, efetivamente, fecha para nós a etapa da dinâmica e nos traz parte dessas conclusões.

Por gentileza, primeiro o Daniel Carneiro.
 
SR. DANIEL CARNEIRO – Eu agradeço ao João a oportunidade de estar aqui falando a esse plenário e peço desculpas aos presentes pela inexperiência em falar em público. Então me perdoem se eu gaguejar um pouco.
Eu vou desobedecer, João. Eu gostaria de fazer aqui uma homenagem a quatro pessoas.
Como representante, e não só um entusiasta da Aviação e do Turismo Marítimo, mas representando também os pequenos veículos, os veículos independentes de mídia, e como fundador do primeiro site de notícias da Aviação no Brasil, o Aviation On Line , e também de um dos principais sites sobre cruzeiro marítimo, o Cruising On Line, quero agradecer ao respeito e ao carinho que tenho recebido, inicialmente, do meu amigo Gilson Campos.
Ele me conhece desde moleque, lá no Aeroporto Internacional do Rio.
Sou aquele chato que ia lá perturbar, pedir para ir à pista fotografar avião, falando: quero visitar o aeroporto todo.
O Gilson sempre nos recebeu muito bem, respeitando desde o pequeno aos grandes veículos de mídia.
Agradecimento ao meu amigo Guilherme Paulus, da CVC, que tem acreditado no meu trabalho no site de cruzeiros marítimos que mantenho há cerca de seis anos.
A ele e à toda a equipe da CVC, especialmente à assessoria de imprensa e diretoria, que tem respeitado muito o nosso trabalho, recebido sempre com muito carinho.
E aos meus amigos João Flávio e Luiz Brito pela confiança que têm depositado também nesses dois veículos que venho mantendo há algum tempo. Eu parabenizo a todos pelo quilate dos temas que foram tratados aqui e os grandes nomes que foram trazidos, embora me sinta ainda um pouco frustrado por não ter conseguido trazer mais gente, convocado mais pessoas, encher esse auditório em todas as reuniões.
Também me sinto de certa maneira triste, como representante da Imprensa, que um dos debates em que foi discutido aqui o papel, o profissionalismo, a ética, da Imprensa e o trato de assuntos delicados como acidentes aéreos e a crise, que quase não tenha vindo representantes das assessorias de imprensa das companhias aéreas, mesmo convidados. Deveriam ser os maiores interessados em estar aqui. Quer dizer: não vi representante das companhias defendendo a sua posição, fazendo suas críticas à mídia impressa, ou outras. Como também, senti uma participação muito pequena das companhias aéreas que aqui estiveram com poucos representantes das suas assessorias de imprensa, em quase todas as reuniões, mesmo tendo comparecido o próprio presidente do SNEA, o José Márcio Mollo.
Num debate de tal importância os maiores interessados nem sempre sentaram aqui para discutir, trazer suas idéias, suas críticas, suas expectativas. Isso demonstra o quanto ainda é sensível esse quadro da imagem da Aviação. Só que quando tiveram oportunidade de estar cara a cara com homens como o Brigadeiro Gandra e tantos outros que já foram aqui citados, não souberam aproveitar.
Obrigado, João, mais uma vez pela oportunidade e que no ano que vem tenhamos novamente esse debate sobre aviação.
E que o estendamos também ao Turismo Marítimo, como foi feito há alguns anos com o nosso amigo Luiz Brito e a SOBENA na época.

SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Obrigado Daniel, mas gostaria de lembrar que pela Sociedade Náutica Brasileira, que também presido, fizemos o 1º Fórum Nacional de Turismo Aquaviário que, com certeza, no ano que vem, terá uma segunda edição.
E com aquela visão falar não apenas em Turismo Náutico e Turismo Marítimo, mas, sim, no tripé, porque o Turismo Hidroaeronáutico agora compõe esse conjunto do Turismo Aquaviário.

   
   
SR. DANIEL CARNEIRO – Só para complementar, fugindo um pouco do tema.
No sábado, eu estive com o Valter Patriani, da CVC, no navio Imperatriz, aqui no Porto.
Ele demonstrou uma certa preocupação: que venha a acontecer com o Turismo Marítimo o que está havendo com a Aviação.
Quer dizer, o excesso de concorrência, o crescimento, um grande boom, possa vir a prejudicar a atividade, forçando a queda da qualidade.
Hoje, nós vivemos um momento ideal, há espaço para todos os que já estão aqui.
Mas se houver um crescimento desenfreado, sem planejamento, nós corremos o risco de um caos marítimo, com queda da qualidade dos serviços e tudo que nós vimos passar a nossa aviação. (Aplausos) 
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Muito obrigado Daniel. Eu acho que o Guilherme Paulus ouviu e registrou com absoluta certeza essa sua manifestação.
Então, eu gostaria de ouvir, rapidamente o Rui Barbosa e suas idéias.
E é importante que ele vá passar apenas idéias.
Ele não vai nos passar o projeto, como já disse, pois ele ainda não escreveu o projeto, coisa que nós vamos fazer a quatro mãos.
Com a palavra o Rui Barbosa Vianna.
SR. RUI BARBOSA VIANNA – Boa tarde. Gostaria de agradecer ao Comandante Pedrosa, ao meu Professor Marcus Reis, que está presente, ao Brigadeiro Gandra, a todas as demais autoridades presentes e aos meus amigos de faculdade.
Li uma matéria muito interessante sobre Permuta na Revista Aerovisão, se não me falha a memória de 1996.
Eu, que fui militar durante seis anos, estava pensando numa solução: o que fazer para salvar a Aviação?
O que fazer para desenvolver a Aviação?
Como uma das alternativas eu pensei em fazer uma composição entre o Ministério da Defesa, a Marinha do Brasil e a Transpetro, ou melhor, a Petrobrás. A Exxon tem uma frota própria de helicópteros que ela opera no Golfo do México. E por que não o Brasil adotar uma solução parecida, e ter uma frota de helicópteros da própria empresa operando seus vôos offshore?

E também lembrei de uma reportagem do Fantástico: "Estamos de Olho". Depois que essa reportagem foi feita, em Jacarepaguá, em 98 ou 99, algumas escolas fecharam, porque estavam, vulgarmente falando, canetando horas na caderneta de vôos dos alunos.
O aluno voava 40 e a escola concedia 60/80 horas. E o aluno checava mais cedo. Só que quando iam determinar a proficiência desse piloto ele não conseguia voar de acordo, como deveria.
Eu também estive fazendo uma outra pesquisa: o curso de formação extra Marinha, hoje, está em torno de 173 mil reais por piloto.
Só que são 120 horas voadas, inclusive em simulador, de modo que eles estão buscando fazer um upgrade desse software, para poder melhorar a formação do aviador naval lá.
Estive na base fazendo uma visita.
Acho que seria interessante à Petrobras investir na Marinha, ajudando no desenvolvimento desses softwares.
Um investimento de recursos dentro da Marinha seria feito formando o pessoal civil.
Isso daria oportunidade a que os universitários tivessem um programa de trainee dentro da Petrobras.
Ao final do curso e provas talvez pudessem já sair empregados, exercendo a profissão, inicialmente como co-pilotos.
Aí é que entra a frota própria da Transpetro. Essa foi a idéia.

Obrigado e parabéns. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Muito bem. É importante que reconheçamos que a academia tem um papel preponderante na formulação das idéias e não apenas na justaposição do conteúdo na consciência do aluno.
E esse papel principal, tenho certeza, é permitir a liberdade de pensar, atuando em conjunto com o aluno, para que ele seja bem conduzido.
Mas, preparando também aquele instante que o aluno viverá adiante, quando se libertar da academia. Que então ele mesmo possa se conduzir sozinho, dentro da sociedade e para a sociedade.
E acho que esse papel tem sido exercido de forma meritória. Aliás, a UNESA tem feito um trabalho gigantesco neste sentido.
Portanto, mais uma vez meus parabéns ao Brigadeiro Gandra, que também investiu nessa mesma idéia.
E para fechar este ciclo do Seminário e podermos passar à fase da entrega dos Troféus Asas da Paz, gostaria de ouvir, para finalizar a etapa das manifestações, o Brigadeiro Allemander Pereira Filho.
O Brigadeiro Allemander, que já fez aqui no Seminário uma brilhante palestra, terá agora uma nova oportunidade de manifestar seu pensamento, o que para nós representa mais alguns conhecimentos.
O SR. ALLEMANDER PEREIRA FILHO – Boa tarde a todos. Agradeço ao Comandante João Flávio Pedrosa.
Peço licença para apenas tentar contextualizar tudo aquilo que nós apresentamos aqui e que escutamos com muita atenção.
Eu tenho certeza que foi bastante frutífera essa discussão, esses encontros do ano todo e me parece muito importante que tenhamos uma atenção toda especial com os aspectos cíclicos da Aviação, o que já foi colocado pelo nosso jornalista, Gilson Campos, o novo, ou velho, mas sempre jovem: aqueles que não observam o passado, dificilmente terão um presente e comprometerão, provavelmente, o futuro.

Eu gostaria, apenas, de dizer o seguinte. Nós temos que observar o que acontece na Aviação, não só no Brasil.
A aeronave que hoje voa no Brasil é a mesma aeronave que voa nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia, no Oriente Médio. As normas para construção dos aeroportos, para a operação dos aeroportos, são as mesmas na América do Norte, na Europa, na Ásia e no Brasil. Então, nós temos que reconhecer e contextualizar.
O Brasil é muito importante: tem uma dimensão continental. E a Aviação é preponderante, como um instrumento de integração e de desenvolvimento.
Nós não podemos prescindir da aviação para o desenvolvimento do país e este é um momento em que nós estamos num divisor de águas, eu diria. Um divisor de águas que merece a atenção de todos aqueles que viveram, vivem e viverão da Aviação.
Nós estamos, hoje, no transporte aéreo internacional, com apenas uma empresa no longo curso. E eu gostaria de fazer um rápido retrospecto, porque como disse, quem não estuda o seu passado, o seu presente vai ser difícil e vai comprometer o seu futuro.
As empresas brasileiras, que estiveram no transporte aéreo internacional, e que se retiraram do transporte aéreo internacional, vieram, logo depois, a sair também do mercado doméstico.
Se nós observarmos o passado recente, vamos verificar isso, começando pela Transbrasil, que cessou as suas operações internacionais em março de 2001.
Em dezembro do mesmo ano cessou as suas operações domésticas. A Vasp que, no ano de 2000, cessou as suas operações internacionais, em 2004, paralisou as suas operações domésticas também.
A BRA que, em 2005, se transformou numa empresa regular, tanto doméstica como internacional, em novembro de 2007, quando eu ainda estava na Anac, cessou totalmente as suas operações domésticas e internacionais.
É algo sério a se pensar.
Aqui está o nosso Guilherme Paulus que o diga.
Estivemos junto com ele e com o Dr. Paulo Coco, que conhece de Aviação e teve passagem pela Transbrasil.
Além do Dr. Oswaldo Trigueiros que esteve e viveu na Varig.
A Varig também sofreu isso: depois de 70 anos na Aviação brasileira, entrou no processo de reestruturação, que começou em junho de 2005, passando pelo leilão de 2006.
O Dr. Ayoub esteve aqui expondo isso.
Chegando a 2007, na passagem para Varig/Gol, este ano, depois de 70 anos no mercado internacional, a Varig se retirou desse mercado internacional de longo curso.
E hoje temos apenas uma empresa brasileira, que é a TAM, operando o mercado de longo curso.
Dentre as dez maiores empresas do mundo, em passageiros/quilômetro transportado, nós temos sete americanas e três européias.
A nossa TAM, que é a maior empresa brasileira, está em 26º lugar no mundo.
Os nossos maiores aeroportos, Guarulhos, Congonhas, Galeão e Brasília, nenhum deles se encontra entre os 50 maiores em movimentação de passageiros, cargas ou aeronaves do mundo.
Então a nossa dimensão, em termos de atividade, é pequena, apesar dela ser fundamental para o nosso crescimento.

Por isso, eu reputo que essas reuniões aqui foram importantes para que nós conhecêssemos tudo isso.
Nós temos menos de 1,5% do tráfego mundial, no Brasil.
Em Atlanta, um aeroporto americano apenas, passa mais passageiros por ano do que em todos os aeroportos brasileiros.
A importância é fundamental.
Por isso, quando começamos a ver muita discussão, e a discussão é importante, temos que acender um sinal de alerta.
Nós estamos numa velocidade, talvez, acelerada demais, tomando decisões e colocando em discussão, e até fazendo exposição de motivos, de diversos assuntos que são fundamentais para o futuro da Aviação Civil brasileira e da Aviação Comercial, principalmente.

Então, nós precisamos ter um certo cuidado. Eu, na última semana, estive no mesmo seminário que o nosso amigo, companheiro Pedro Azambuja esteve, e o Comandante Pedrosa também.
E deixei claro que nós precisamos ter prudência. Nós precisamos agir com cautela, nós precisamos estudar bem, antes de tomar qualquer decisão.

O nosso Secretário Estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno, naquela reunião que tivemos, falando sobre o problema da consolidação do Galeão ou da abertura do Santos Dumont, que é um assunto que está em discussão, disse que os números, que estavam sendo apresentados, não diziam tudo ou não quantificavam fatos que não podiam ser quantificados, ou melhor, que não estavam ali quantificados.
O crescimento e a consolidação do Galeão, a gente precisa ter a visualização disto, ocorreu com os vôos domésticos alimentando os internacionais.
Segundo os números, não houve um crescimento muito grande, houve um crescimento pequeno.
Mas temos que considerar que a maior empresa brasileira, há 70 anos, se retirou do mercado internacional.
Isso produziu uma queda muito grande e o impacto onde isso ocorreu, em 2004/2005/2006 e 2007, foi maior no aeroporto do Galeão.
Ali era a base da nossa Varig.
Então é importante que, nesse momento em que estamos fechando este Seminário Nacional, tenhamos a dimensão do que estamos falando e a importância do que está sendo discutido.
Nós podemos errar, se tomarmos decisões apressadas.
Ou sem considerar a experiência do Brigadeiro Gandra, já que ele também esteve na Aviação Civil, que passou muitos anos na Aviação Civil, além de tantos outros, como o próprio Dr. Oswaldo Trigueiros, que conhece a história da Aviação Civil brasileira.
Podemos incorrer em erros se não ouvirmos essas experiências de vida.
E é muito fácil olharmos para o lado hoje e vermos o que está acontecendo na Argentina. Olhem para a Argentina e verão o que aconteceu: privatizaram as empresas argentinas, Austral e Aerolineas, desnacionalizaram, ou seja, foram parar na mão de grupos estrangeiros, e hoje o governo da Argentina está tentando retomar e estatizar novamente a Aerolineas Argentinas, a um custo que eles vão ter que pagar, para retomar aquilo que praticamente perderam ou que entregaram quase que de mão aberta.
Então, vamos olhar com calma, vamos atuar com cautela, vamos utilizar um Seminário como este, sério, onde nós discutimos, para que possamos, Dr. Eraldo, como o senhor falou, chegar em 2011/2012 com ações e ações que fortaleçam o setor. Que fortaleçam as empresas, fortaleçam os nossos aeroportos e façam com que eles possam crescer.
E não chegarmos lá apenas com retórica e sem ação, e sem conseguir responder Presente àquilo que o mundo espera do Brasil, ou seja, ser a sede da Olimpíada, a sede do campeonato mundial, dos jogos mundiais militares, enfim, de tudo aquilo que está programado; mas precisa ter ação e com transporte aéreo e Aviação...
Encomendar uma aeronave, entrar numa fila, fazer uma intervenção no aeroporto, requer alguns anos. Não se faz isso de uma hora para outra e nós precisamos ter isto em mente. Não adianta só tomarmos decisões no papel, teoricamente, parecendo estar tomando uma decisão correta, sem se observar os exemplos no mundo. Por que aquilo que está se fazendo é novo? Já foi feito em algum local no mundo? Por que a gente vai experimentar no Brasil? Experimentar na Aviação, quando nós estamos, vamos dizer assim, utilizando a mesma aeronave, a mesma tecnologia de aeroporto, mas que lá fora eles já avançaram, e já têm problemas, talvez, mais complexos?
Então, nós temos que trazer a experiência internacional e não tentar inventar, porque podemos tentar inventar e não chegar a um resultado satisfatório, para atender aquilo que precisamos, de divulgar o nosso país, de alavancar o nosso desenvolvimento e integrar.
Integrar quer dizer, aeroportos pequenos, em áreas remotas, que estão ligados à rede brasileira, ou seja, rede aérea brasileira e que vai chegar nos grandes aeroportos. Não podemos achar que 15 slots ou 15 vôos, 30 slots em Congonhas resolve; 30 slots para um aeroporto do tamanho de Congonhas é muito pequeno.
Há mais de dez anos, e o Brigadeiro Gandra deve se recordar, temos o Programa de Desenvolvimento do Sistema de Aviação Civil, IV PDSAC, de 97. Lá dizia que tínhamos que ter um novo aeroporto em São Paulo. Há mais de dez anos estava previsto isso. Não foi feito. Daqui a pouco temos um ano e meio do acidente de São Paulo e disseram que iam construir o aeroporto metropolitano. E até agora não tivemos nada. É assim que vamos resolver?
A terceira pista de Guarulhos? Até agora nada. Cadê Campinas? O que se fez até agora em Campinas? Nada. Então onde nós vamos chegar?
Nós precisamos ter ações que justifiquem as nossas expectativas e não estou vendo essas ações para justificar essa expectativa.

De qualquer forma, é com Seminários como este, é com as discussões como as que tivemos aqui,  que vamos construir esse conhecimento, vamos dizer assim, disseminar toda essa informação.
Porque ela está ainda, me parece, muito restrita a algumas pessoas.
E nós precisamos, efetivamente, como disse o nosso Brigadeiro Gandra, publicar, colocar em papel e, talvez, tornar viável o acesso para que as pessoas possam ler, estudar nas universidades.
Para que os alunos possam estudar e discutir com seus professores.
Senão nós podemos, infelizmente, ter expectativas que poderão não ser atingidas.
Mas, somente com Seminários como este se poderá criar esse conhecimento e difundir a situação real e não aquela que fica apenas no imaginário.

Eu agradeço, homenageando o Dr. Oswaldo Trigueiros, nosso grande amigo, ampliando para todos os que lutam pela Aviação.
Tenha a certeza de que sentimos saudades da nossa grande Varig. Pode ter certeza disso.

Muito obrigado a todos. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Eu acho que, mais uma vez, tenho que fazer um agradecimento especial ao Brigadeiro Allemander.
Mas não vejam nisso agora, nenhuma contestação ou repto.
Apenas mais uma missão a realizar, muito bem desenhada em suas palavras.
E aprecio essa mesma motivação, essa mesma vibração de voz que ele tem, que é aquela que precisamos ganhar e multiplicar.
Nós precisamos levar essa vibração a todos os demais ambientes e não apenas aos setores da Aviação.
Essa homenagem que vamos fazer hoje, com a entrega do Troféu Asas da Paz, visa, eminentemente, ganhar as ruas, fazer com que os outros ouçam as nossas vozes.
Brigadeiro Allemander: nossa idéia é fazer com que vários outros jovens e não apenas os da universidade, que freqüentam as nossas reuniões, mas todos os outros, venham a conhecer esse potencial que existe no país, em termos de Aviação.
E precisamos disso, porque mesmo não sendo um Gilson novo, nem o Gilson velho, mas já na beiradinha dos meus 70 anos, vejo a necessidade das substituições.
Não me é possível levar adiante o bastão por muito mais tempo.
Há um momento para fazer e há um momento para apreciar.
Eu estou chegando naquele momento do apreciar e vejo que todo um potencial, que eu construí, ao longo da minha vida, me foi oferecido por outros.
Apesar de me considerar um autodidata, não fui eu sozinho que adquiri esses conhecimentos que tento transmitir.
Tenho absoluta convicção de que o INPE – Instituto de Pesquisas Espaciais foi muito marcante na minha vida, quando lá fiz alguns cursos.
Para onde levei também para fazer cursos várias personalidades do Governo Federal.
Lá onde pude coordenar seminários com grandes e ilustres personalidades do país num período dos anos 70 a 73. Aqueles que alguns aqui reconhecem como Anos de Chumbo.
Para nós, que estavamos integrados em trabalhos, em realizações em benefício do país, foram anos de uma fertilidade extraordinária.
Isso porque se pôde fazer o desenvolvimento de macro projetos, que se instalaram no Brasil através de grandes decisões.
Projetos que hoje ainda prevalecem sobre decisões mais recentes.
Então, senhores, as bases existem.
O fundamento de um período como foi 70, quando se construiu o Galeão, mostra bem o que foi, naquela fase, o projeto de poder aeroespacial que o país pretendia e admitia que já detinha então para servir a todos.
Hoje nós temos, ainda, tecnologia, nós temos, ainda, condições de fazer, nós ainda, temos espaços para realizar.
E por isso precisamos dos jovens.
Mas precisamos, principalmente, precisamos daqueles que têm também a experiência, a vivência, a sabedoria, como aqui ficou muito bem esclarecido pelo Brigadeiro Allemander.
Não podemos nos precipitar nas decisões avançadas, mas não podemos perder já quase quatro décadas para rediscutir o Galeão e outras vertentes da Aviação Civil brasileira.
Alguma manifestação ainda que queiram fazer?
SR. JOÃO JÚNIOR – Boa tarde a todos. Boa tarde a todos da mesa, às autoridades. Eu queria fazer uma pergunta ao senhor.
O meu nome é João Júnior, vou também entrar na mesma condição que o Daniel Carneiro, já que também sou um pouco tímido. Na verdade acho que é a primeira vez que estou falando em público. Queria fazer uma pergunta ao senhor: o que é realmente essa Paz? O que o senhor está querendo representar com essa atitude?


SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA
- O questionamento é sempre muito difícil, principalmente vindo do filho. (Risos)

A Paz não é um momento.
A Paz é uma transição entre um período de angústia, ou de dor, ou até mesmo de sofrimento e o período da busca da tranqüilidade.
A Paz começa dentro de nós, quando nós encontramos o nosso próprio caminho. E encontrando esse caminho nós podemos fazer com que outros também o encontrem.
A Paz é um repositório de desejos, às vezes nem sempre bem alcançados, mas verdadeiros.
A Paz é tudo aquilo que desejamos, para que haja também a compreensão em termos de Aviação, do que seja o papel da Aviação, quando interliga povos que estão em qualquer parte do nosso mundo. E essas Asas simbolizam, nada mais, nada menos, do que o encontro dessas pessoas, quando é feito pela Aviação, em prol do Turismo. E Paz na Aviação também é capacitar quem é do turismo a poder receber, poder viajar, poder constituir o seu programa de turismo sabendo que existe a Aviação. Ela une os povos. A Aviação se caracteriza por ser um instrumento de Paz, mesmo a Aviação Militar, que exerce um papel preponderante na defesa da Paz.
A Aviação Militar não é hostil: ela é defesa. E como tal garante pela dissuasão. Ela impede a incorporação do terror, ou da dinâmica da própria guerra, quando ela age em prol da Paz. Ainda hoje li, a respeito dessa mesma Paz, um trabalho de 1972 sobre a FAB, a mais explícita Paz que se poderia levar a um território então abandonado, lá na Amazônia. Em 72, precisando de remédios, precisando de atendimento e a FAB cumpria esse papel sem sequer receber um cent, um único dólar. Diferente dos que ali se avizinhavam ve que inham cobrando serviços, a FAB, cumprindo esse papel, ia também levar as cartas, levar a comunicação, levar a saúde, levar a educação. Isso é levar a Paz.
SR. JOÃO JÚNIOR – Exatamente, é o que todos nós precisamos realmente. Na minha visão, o Turismo realmente necessita da Aviação como um todo. As duas coisas estão totalmente interligadas e na atual situação, em que se encontra a Aviação, com essa crise toda, o que acontece é que todos nós precisamos de tranqüilidade para discutir e resolver essas questões.
Os setores têm que se unir e com tranqüilidade poder resolver todos esses problemas, que podem ser solucionados. O senhor tinha falado das Armas da Paz: eu acredito que sejam Sabedoria, Compreensão, Amor e Felicidade, mas, principalmente, Tranqüilidade. Todos nós precisamos. Acontece o seguinte: não adianta ficar com a tranqüilidade a ponto de chegar a se acomodar, ou ficar satisfeito com uma situação e deixar passar....

SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Muito obrigado, João. Eu acho que entendi.

SR. JOÃO JÚNIOR – A intenção é essa, de todos nós termos tranqüilidade para poder resolver todos esses problemas, pois juntos nós podemos conseguir resolver. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Muito obrigado, João, mais uma vez. Eu acho que entendi o seu pensamento.
E valeu mesmo, a  mensagem

Com a palavra agora o Coronel Aviador Luiz Guimarães.

SR. LUÍS DA SILVA GUIMARÃES – Excelentíssimos senhores componentes da mesa, eu saúdo a todos. Saúdo a todas as autoridades presentes, mas não pude deixar de me pronunciar porque alguma coisa me aconteceu. E hoje é Esperança o nome de tudo que está acontecendo aqui. Eu sou o Coronel Aviador Luís da Silva Guimarães. Sou um discípulo do nosso Ministro Gandra e instrutor do nosso Brigadeiro Allemander, de quem eu tenho muito orgulho.
Mas, senhores, durante esse tempo a única coisa que queria falar é o seguinte: o esforço que foi feito. Eu acompanhei a maioria dos trabalhos que aqui foram realizados. E essa esperança é uma coisa muito grande. Então, gostaria de dizer a todos os senhores que isso é como uma grande obra Nós temos aí na nossa História a Divina Comédia, de Dante Alighieri, e ela se caracteriza por três partes: inferno, purgatório e céu.
Ela foi escrita, inicialmente, apenas como Comédia. Divina vem de Giovanni Boccaccio, que foi acrescentado posteriormente. Por quê? Porque naquela época se tinha comédia e tragédia e a comédia era apenas toda aquela história que terminava bem. Então, na verdade, eu acredito que nós começamos com um trabalho muito difícil no início, começamos das profundezas do inferno, digamos assim, nesse trabalho difícil, quando nem nós mesmos acreditávamos, em relação ao trabalho que vinha a se desenvolver. Mas já estamos subindo, passando pelo purgatório e vamos chegar aos céus.
Na entrada do inferno tinha uma frase: "Aqui vós deixais toda esperança, agora podeis entrar."
Eu diria o seguinte: na verdade não. Nós estamos nos munindo da Esperança. Existe um verso, na primeira estrofe, que diz: "Somente a esperança disfarça a pena de viver, mais nada."
E é dessa esperança, que este Seminário traz, e este entusiasmo que nós todos temos, que eu gostaria de que todos, no próximo ano, pudessemos comparecer outra vez e cada vez, mais procurar as respostas de que necessitamos. Muito grato. (Aplausos)


SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA
-  Muito obrigado, mais uma vez.

Vamos, então, aos outorgados.
Em primeiro lugar, na Categoria Formação Profissional para a Aviação Civil.
Para fazer a entrega do Troféu Asas da Paz - Conselho de Turismo da CNC, convido o Conselheiro Eraldo Alves da Cruz, assessor especial da Presidência da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
E convido também o agraciado a se aproximar: Marcus Silva Reis, professor da UNESA. (Aplausos)


     
     (É FEITA A ENTREGA DO TROFÉU)

O Professor Marcus além de trazer a turma para dar aula aqui, ele mesmo nos dá aulas brilhantes. Com a palavra o professor Marcus.
SR. MARCUS DA SILVA REIS – Queria agradecer ao Movimento Asas da Paz, queria agradecer aos meus alunos, queria agradecer ao Brigadeiro Gandra, que foi a pessoa que me deu a oportunidade de prosseguir no lugar dele, no Instituto do Ar, e compartilhar com vocês, pois todos esses momentos de desespero e de tranqüilidade eu acompanhei junto com vocês. Eu fiquei desesperado quando o Brigadeiro Gandra saiu do Instituto e fiquei muito feliz quando o Brigadeiro Allemander assumiu a direção da Anac. Fiquei desesperado quando ele saiu. Então, em muito pouco tempo, todos nós ficamos felizes e preocupados ao mesmo tempo. Mas, também, não posso deixar de agradecer a Webjet, que este ano recebeu nossos alunos no Seminário de Segurança de Vôo.
Ou seja, a troca está acontecendo. A formação da nova inteligência da Aviação Civil brasileira está acontecendo.

Acontecendo não só por isso: esqueci de falar do meu professor também no curso de pós-graduação, Brigadeiro Allemander, que hoje, na sua aula de Aviação e Multimodalidade, me permitiu falar e conversar com um colega também agraciado com o Troféu, sobre Aviação e Multimodalidade.
Então, é disso que se faz a Aviação; é da troca de informação, é da troca de experiências. E o que todos nós queremos é construir uma Aviação melhor, para vocês, e um futuro melhor para o nosso país.
Muito obrigado.

Queria dizer a vocês que o Movimento Asas da Paz e o Instituto do Ar, a Universidade Estácio de Sá, provavelmente, no ano de 2009, vão realizar o I Congresso Brasileiro de Ciências Aeronáuticas, onde vamos poder discutir, de uma forma acadêmica, o produto desses últimos 15 anos das ciências aeronáuticas de todo o país.
Muito obrigado a todos. (Aplausos)


SR. CONSELHEIRO ERALDO ALVES DA CRUZ – Professor Marcus, parabéns em nome da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, em nome do Conselho de Turismo, e veja quão é importante o conteúdo das suas palavras, porque o senhor acaba de atestar que é da desesperança que nasce a esperança.
Muito obrigado. (Aplausos)


SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA
-  Na Categoria Empresário de Visão Aeronáutica.

Para fazer a entrega do Troféu Asas da Paz, Conselho de Turismo da CNC, convido o Conselheiro Luiz Brito Filho, Assessor Especial da presidência da TurisRio, membro da comissão especial do seminário e neste ato representando o Estado do Rio de Janeiro.

Por favor, Guilherme Paulus, o Homem de Visão Aeronáutica. (Aplausos)


            (É FEITA A ENTREGA DO TROFÉU
SR. GUILHERME PAULUS – Boa tarde a todos.
Eu acho que isso é um grande início para mim. Acho que é o primeiro Troféu que eu ganhei. Acho que esse Troféu Asas da Paz é mais da equipe da Webjet, comandada pelo Paulo Henrique. Tenho orgulho de ser o investidor na Web. Eu acho que é um trabalho que estamos começando agora, um ano e meio de Webjet, e só tem nos dado muito orgulho, dentro da nossa empresa. Acho que é um começo, um longo caminho que temos a seguir. É uma experiência nova, de uma entrada dentro de um ramo, embora o Turismo faça parte, acho que quase uma integração entre a operação aérea com operação turística. Acho que uma coisa depende da outra. O Turismo depende da Aviação, num país tão grande como o nosso. Nós precisamos ter um Turismo Interno fortalecido, para que a gente possa, amanhã ou depois, receber turistas de fora também. Nós temos grandes eventos até 2016, que vão acontecer no nosso país. A importância que tem a Aviação, isto é, a mais importante de todas, embora a gente tenha infra-estrutura de estradas, de rodovias, de portos e de aeroportos. Mas a Aviação vai contribuir, realmente.
O Allemander até colocou muito bem, a respeito do desenvolvimento norte-americano, dos aeroportos e da própria Aviação americana.
Ali há um céu para todos e nós aqui lutamos para um céu para todos também. Hoje estamos com quatro empresas aéreas, embora das quatro duas detenham, praticamente, quase 100% do movimento. Mas a gente vai crescer; acredito. A gente tem esperança nisso: o país é muito grande e do lado da Werbjet nós vamos lutar sempre para crescer. Hoje a Web é uma empresa que não está só servindo as operações da CVC. Ela também atende já as linhas regulares. Mas é uma luta grande do Paulo. E nós conseguimos continuar crescendo e também temos um caminho junto com a TAM, com Gol, com a Oceanair, com a TRIP na linha das regionais e de tantas outras pequenas regionais que existem e que também devem ser fortalecidas, devem crescer, porque isso é que traz o desenvolvimento para o nosso país. Acho que a gente deve dar condições para as pessoas poderem viajar de avião, para as pessoas poderem se locomover.
Num país tão grande como o nosso, repito, acho que só por meio de transporte aéreo é que a gente vai realmente conseguir.
Então, com essa visão que temos de crescimento, a gente acredita no país. Acho que o que passou, passou. A Varig nos deixou um grande legado, uma grande experiência, que temos aprender com os nossos próprios erros. O mesmo da Transbrasil e Vasp.
Eu acho, Comandante Pedrosa, do Movimento Asas da Paz, que essa é a lição que essas empresas nos deixaram: agora nós vamos ter que aprender com o Trigueiros e com as demais pessoas ligadas à Aviação Civil Comercial brasileira.

Agradeço ao Movimento Asas da Paz, mais uma vez o Troféu.
É um grande incentivo.
Espero estar sempre aqui, com vocês. Muito obrigado. (Aplausos)


SR. CONSELHEIRO LUIZ BRITO FILHO
– Foi com muita honra que fiz a entrega deste troféu, porque ao ver o Guilherme Paulus, eu estava revendo um pouco da história da nossa Aviação: Rubem Berta, Paulo Sampaio, Omar Fontana, Erick de Carvalho, Bento Ribeiro Dantas e, com certeza, também o nosso saudoso Rolim Amaro.

Guilherme personifica hoje essas figuras que passaram pela nossa Aviação e que com a sua intrepidez e a sua vontade montou uma empresa.
Sainbam que se não fosse essa vontade dele, essa coragem, nós estaríamos totalmente órfãos nesse momento, porque ele assumiu quando existia um vácuo imenso dentro do turismo.
Mas Guilherme: você está também com um outro pedaço, que é o turismo marítimo, no qual também acreditamos.
Em 94, antes de sair a Emenda nº 7, fizemos o I Encontro de Turismo Marítimo, na cidade de Cabo Frio, no Hotel Acapulco, já acreditando, um ano depois, no sucesso disso que está aí.
E você apostou nisso também: isso é muito importante.
Por isso a sua condição é reconhecida.

E dizer ao João, que coordena o Seminário: valeu a pena.
Eu acho que o Seminário não deu, infelizmente, para ajudar a salvar a nossa Varig.
Isso não deu.
Há quatro anos atrás quando conversamos, já pensávamos em fazer isso. E você teve a coragem de trazer o seu Movimento Asas da Paz, aqui para o nosso Oswaldo Trigueiros, o nosso grande Presidente, que tomou a tarefa como objetivo dele e fez com que acontecesse.

Hoje é uma tarde muito importante para todos nós, porque parte deste resultado nós já estamos colhendo aqui, com o reconhecimento da Webjet e de todos os demais agraciados.
Para encerrar: tive ocasião de viajar e sentir um pouco da Varig voando naquele avião da Webjet. Senti: é o sangue, com certeza.
Até no pouso e na decolagem.
Então eu disse: esse cabra é variguiano. E não deu outra.
Pois, amigos e amigas, é isso aí: uma tarde exultante para nós.

Parabéns, Guilherme. (Aplausos)


SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA
-  Na Categoria Tecnologia da Construção Aeronáutica.

Para fazer a entrega do Troféu Asas da Paz, Conselho de Turismo da CNC, convido o Conselheiro Brigadeiro Mauro José de Miranda Gandra, ex-ministro da Aeronáutica e membro da Comissão Especial do Seminário.

O agraciado é o Dr.Frederico Fleury Curado, presidente da EMBRAER, que por não poder comparecer, se fez representar pelo seu diretor de Marcas, Adilson do Nascimento.

O Nascimento, portanto, está representando o Dr. Frederico Fleury Curado, Presidente da EMBRAER e muito bem-vindo.

           
(É FEITA A ENTREGA DO TROFÉU)
SR. ADILSON DO NASCIMENTO – Eu quero, em nome do engenheiro Frederico Curado, agradecer pelo Troféu Asas da Paz: muito obrigado Comandante Pedrosa.
E eu quero, em nome dos 24 mil colaboradores da EMBRAER, agradecer a vocês, que souberam tirar de uma crise uma grande oportunidade. Acho que a sociedade, quando se organiza, e tem pessoas perseverantes, de boa vontade, só pode sair com coisas boas. E vocês souberam aproveitar essa oportunidade. Hoje de manhã, quando cheguei aqui no Rio, vi estacionados no aeroporto três jatos da EMBRAER: três Legacy. São os jatos executivos. Há muito tempo que eu gostaria de ver esses aviões da EMBRAER voando no Brasil. Vemos muitos voando nos Estados Unidos, na Europa, e dá uma pontinha assim de tristeza, porque somos todos brasileiros.
Então, tive o prazer de ver três jatos. Agora acho que nós vamos ver muito mais.
Porque nos próximos quatro anos teremos, pelo menos, 700 aviões executivos lançados no mercado, não só no mercado brasileiro: um pouco no Brasil e o resto lá fora.

E queria aproveitar para dizer ao nosso querido Guilherme Paulus, que você podia trazer um pouco mais de alegria para a gente ver os jatos brasileiros voando no Brasil. (Risos)
Muito obrigado. (Aplausos)


SR. CONSELHEIRO MAURO JOSÉ MIRANDA GANDRA
– Eu acho que falar da EMBRAER seria exaustivo.
Não há palavras para a gente falar da EMBRAER porque a EMBRAER é um produto nacional que nos orgulha a todos e, em especial, a mim.
Me orgulha tanto que sempre tenho na minha lapela aqui a imagem do super tucano, que tive o prazer de, no dia 17 de outubro de 95, assinar juntamente com o Ferola o seu desenvolvimento.
Esse avião tem aquela capacidade cirúrgica que vimos realizar naquela missão contra as Farc’s.

Portanto, leve o nosso abraço ao Dr. Curado e a todos os funcionários da EMBRAER, dizendo que a EMBRAER, realmente, é o nosso orgulho.
Um grande abraço. (Aplausos)

SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA
-  Na Categoria Jornalismo e Comunicação, o agraciado é o Dr. Roberto Irineu Marinho. E eu faço questão de dar este esclarecimento de público, porque nós, na Comissão, fizemos um estudo de muitos nomes na área da Imprensa e, claro, identificamos vários nomes, nessa área da imprensa, que também merecem este reconhecimento.

É vasta a lista com o nome dos jornalistas.
Mas são poucos os empresários do Jornalismo, aqueles que assumem a responsabilidade do fazer.
E o Dr. Roberto Irineu Marinho não começou como o herdeiro.
Ele começou como o jovem na oficina; na oficina do trabalho, sujando as mãos na graxa da oficina. e lá aprendeu todos os modelos de trabalho, que qualquer um precisa para o resto da vida jornalística.
Esse hoje é o perfil do decisor das organizações Globo e, às vezes, tomando decisões que são necessárias, num tamanho de organização como aquela, e com a responsabilidade tão grande como aquela, que nem sempre agradam a todos.
Mas a nós, no Seminário, agradaram exatamente pelo desafio.


Naquele instante em que falei dos elogios, me referindo ao sonhador, me referindo aos "não vai dar em nada", lembro-me do papel da Imprensa.
Quando a Imprensa faz, também, a crítica da crise, ela nos permite ver as soluções, as alternativas.
Isso porque toda vez que existir um problema, haverá uma solução.
Mas nem todos percebem que essas soluções só são possíveis quando nas crises existir uma análise.
É essa a análise que é feita pela Imprensa em geral.
Não é apenas a análise congressual, nem é apenas a do CENIPA, mas é, principalmente, a da opinião pública que interessa ao setor.
E a opinião pública precisa, portanto, das suas lideranças na área da comunicação e, necessariamente, das nossas empresas jornalísticas.
São elas que colocam nossas imagens e fatos aqui e fora daqui.
Imagens que muitos nem sempre querem ver, mas todos temos que crer, pois tratam da nossa realidade. E esses são os fatos.
E essa é a realidade que estamos mudando, com as novas alternativas,  que a Imprensa nos ajudou a buscar.

E a Aviação brasileira depende hoje, essencialmente, como disse o Brigadeiro Allemander, que se conheça a necessidade da tomada das decisões nem sempre em maior velocidade, mas sempre com a maior concretude. Não há porque negar que não basta a caneta: é preciso que a opinião pública tome consciência de todo esse trabalho que fizemos, mas, principalmente, das necessidades que ainda virão, não só até 2016, mas para sempre.
E, para fazer a entrega, com a representação do Raphael Vandystadt, peço ao Jornalista Gilson Campos que faça essa entrega.

Categoria Jornalismo e Comunicação, agraciado o Jornalista Roberto Irineu Marinho. (Aplausos)
           
     (É FEITA A ENTREGA DO TROFÉU)

Eu gostaria também de fazer referência à pessoa do próprio Raphael Vandystadt, que ali está recebendo a premiação. Ele é um diretor da TV Globo especializado numa área extremamente sensível. Ele é o diretor da campanha Criança Esperança e diretor de todo o trabalho do Ação Global da Rede Globo.
É uma pessoa que dignifica esse trabalho em prol da sociedade brasileira e, talvez, melhor do que ninguém ele aqui represente o próprio Dr. Roberto Irineu Marinho.
SR. RAPHAEL VANDYSTADT – A todos muito obrigado.
Eu parabenizoo Movimento Asas da Paz pela entrega deste prêmio.
Eu estou muito satisfeito em receber nesta tarde este prêmio em nome do Dr. Roberto Irineu, que, infelizmente, não pôde estar aqui presente.

Eu trabalho na área social. Sou responsável pela campanha da Criança Esperança e pelo Ação Global.
Só no Criança Esperança, para vocês terem idéia, num projeto como o Espaço Criança Esperança do Morro Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, atendemos, mensalmente, duas mil crianças e jovens.
Num evento como o Ação Global, que é um evento de cidadania, que fazemos em parceria com o Sesi, onde a gente presta serviço à população carente, que vai desde a emissão de documentos até a prestação de serviços, mais preventivos na área de saúde e assistência jurídica, por exemplo, apenas quatro milhões de pessoas foram beneficiadas em 2008. A última edição foi no interior de São Paulo. Ao todo a gente faz entre ações nacionais e regionais, quinze ações globais por ano.
O que quero dizer com tudo isso? Especialmente no caso do Criança Esperança, no Espaço Criança Esperança, eu gostaria de dizer que aquelas crianças serão os clientes da aviação civil quando se tornarem adultos. Mas elas não vão ser. A gente fez uma enquête recentemente sobre os brasileiros mais notórios e disparado deu o nome de Santos Dumont. Todos eles sabiam quem era Santos Dumont, mas ninguém nunca tinha entrado num avião. Então isso dá a justa medida entre o que é um sonho e o que é uma realidade e outros falaram que a única aeronave que eles viam era quando a Polícia vinha fazer incursão no morro de helicóptero. Então como a gente consegue conquistar esses jovens? Como a gente consegue dar as bases para que eles possam consumir os nossos serviços e tornar a aviação brasileira cada vez mais democrática, que era esse o ideal de Santos Dumont para início de conversa? Como você consegue unir um país que tem dimensões continentais, eu estava falando com o professor Marcus, que o modal não atende porque não existe uma integração de modais, você não tem, o professor estava me explicando, um aeroporto sequer que tenha uma integração de uma estação de metrô acoplada a um aeroporto. Você vai em Paris, por exemplo, você tem isso, em Nova York é a mesma coisa e aqui? 
Então, como você consegue, de novo, falar em integração nacional se existem milhares de excluídos do principal meio de integração nacional hoje em dia que é a aviação?
Então, eu acho que essa pergunta é muito mais um desafio para os próximos seminários, que o Movimento Asas da Paz venha a organizar. Mas, também, acho que merece uma frase, que foi apontada também por um dos jovens, eu só não me recordo o autor, mas é de um brilhantismo ímpar, tenho certeza que vai ser reconhecida aqui. Ele falava o seguinte: "Eu não tenho a pretensão de estar lá na colheita, mas, com certeza, quero fazer parte da semente." É uma bela semente que está sendo plantada aqui.
Muito obrigado, uma boa tarde. (Aplausos)


SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Muito obrigado Raphael. O nome "seminário" é exatamente a distribuição do sêmen ou da semente. E nós aqui fomos os semeadores. Mas, certamente, ainda precisamos semear muito mais, porque é necessário, sim.
Eu passo ao Gilson, para ele fazer uma manifestação jornalística.
SR. CONSELHEIRO GILSON CAMPOS – Raphael, eu vou contar mais uma historinha aqui para você. Daniel Carneiro, ele mesmo falou, é um exemplo de que pode haver uma integração entre um aeroporto e o povo. Que Daniel, ele e mais uns seis meninos viviam indo lá no aeroporto procurando ver, ir na torre, ver os aviões, os locais e até mesmo eu contrariando algumas das determinações gerenciais, conseguia fazer com que o Daniel entrasse lá.
Mas, antes disso, existe uma desintegração, que até mesmo por motivos que não cabe discutir, a Infraero cortou uma parte da visão do aeroporto, o terraço panorâmico. Nós tivemos um terraço panorâmico com 1.100 metros no Terminal 2. Nós tínhamos um terraço panorâmico mínimo no velho Galeão, que vivia lotado.
Nós tivemos o Concorde, que todas as quartas e domingos era suficiente para lotar não só o espaço, mas, como também restaurantes, bares e tudo.
Mas, infelizmente, por motivos de engenharia e de economicidade, segurança, foi cortada uma parte dessa visão do aeroporto. Mas isso, talvez, no futuro, tenha chance.
Mas, para você ter uma idéia do que é esse trabalho de integração, que já foi feito. Quando se começou a construção do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, fizemos um plano de comunicação e levamos perto de 20 mil alunos dos colégios da Ilha do Governador para conhecer o aeroporto. Era um vai e vem, como você tem lá no Pavão/Pavãozinho, a mesma coisa nós fizemos lá. Levávamos todos os garotos lá, para ver os aviões, com lanchinho às vezes, às vezes sem lanchinho nenhum, os ônibus saíam do aeroporto e iam nas escolas buscar, porque nós precisávamos de um apoio da Ilha para construção do novo aeroporto, porque o aeroporto do Galeão era coisa antiga, velha, que era um emaranhado de prédios que, evidentemente, foram sendo aumentados, para poder atender a própria aviação que crescia, chegou a crescer a 20% ao ano, você pode imaginar o crescimento de 20% ao ano, e aí o que aconteceu? Nós obtivemos apoio da população. Exatamente um trabalho que vocês, com muita categoria, fazem com Criança Esperança e com os trabalhos globais que vocês têm.
Quero aproveitar e repetir a você, que eu nunca trabalhei no O Globo, mas sempre tive admiração pelo Dr. Roberto e agora pelo Dr. Roberto Irineu e por você. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  E prosseguindo, com essa festa da aviação, tenho a grata satisfação de convidar agora, para que possa lhe fazer a entrega pessoalmente do Troféu Asas da Paz, Conselho de Turismo da CNC, na categoria Memória Viva da Aviação, a Oswaldo Trigueiros Júnior, ex-Varig, decano da aviação e possuidor de tantos títulos que se fosse militar o peito estaria coberto de medalhas.
Mais que um guerreiro Oswaldo Trigueiros é um estrategista e alguém que percebe as transformações antes mesmo que elas aconteçam. (Aplausos)
Este Troféu Asas da Paz é seu de direito. (Aplausos)

            (É FEITA A ENTREGA DO TROFÉU)
SR. PRESIDENTE OSWALDO TRIGUEIROS JR. -  Senhores membros da mesa, senhores presentes, senhoras.
Quero primeiro fazer uma referência ao nosso amigo João Flávio Pedrosa.
Foi ele que construiu todo esse aparato desses seminários, auxiliado pelo Luiz Brito Filho, que muito cooperou.
E de pronto, quando ele falou comigo, aceitei, porque achei que a idéia era brilhante e importante para o momento.
E não foi apenas um seminário: nós fizemos oito seminários! Um por mês! Uma coisa inédita... Isso porque em geral se faz um seminário, vai embora e não se faz um follow up.
Nós  sempre falamos do passado, no presente e do futuro. Em cada seminário que nós fazíamos, fazíamos referência ao anterior e temos certeza que vamos continuar a fazer mais seminários. O Brigadeiro Allemander disse uma coisa muito importante e como Presidente do Conselho de Turismo da CNC, tenho que ratificar aqui: o suporte mais importante para o turismo é aviação. Brigadeiro, o senhor falou muito bem. Sem aviação não há turismo, nem interno, nem externo. Os dois precisam da aviação. E aí estão homens que receberam o espírito da Varig, que estão contribuindo, vão contribuir cada vez mais. 
Quero sucesso ao meu ex-companheiro de Varig, Paulo Henrique, sempre amigo e agora Presidente da Webjet. Tenho certeza que a empresa será um sucesso e que vocês vão brilhar.
Quero também dizer que no momento nós estamos enfrentando uma crise, mas que em toda crise há uma criatividade.
Então, quando se está na crise se cria. Crise criar. E dizer que a aviação é muito importante para os eventos que irão acontecer. Se não houver uma estrutura aeroportuária, uma aviação equipada, moderna e bem planejada, podemos fracassar, como alertou o brigadeiro. E até nem precisamos criar nada: vamos copiar. Vejam o exemplo na Europa, na América e em outros países. Vamos ver a estrutura como é feita lá: a estrutura aeroportuária, a própria malha da aviação lá fora. Como ela está organizada...E vamos atuar da mesma maneira, com o mesmo procedimento, com os procedimentos internacionais, para termos sucesso nos eventos que estão próximos, pois hoje o tempo voa. Estamos falando hoje aqui e amanhã já está acontecendo.

Brigadeiro Allemander, quero dizer que gostei muito da sua apreciação, de sua exposição, e muita coisa que eu ia falar o senhor já disse. Parabéns.
Obrigado, parabéns ao Brito, parabéns ao meu amigo Pedrosa.
Parabéns a todos. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  E prosseguindo, o  nosso encerramento será bem simples.
Agradeço a persistência de todos.
Há um pedido de manifestação do Conselheiro Harvey Silvello.

Então faço o seguinte: dou a palavra ao Harvey e, em seguida, encerro, porque preciso fazer a locução final.
Em nome do Conselho de Turismo vai fazer uso da palavra o Conselheiro Harvey Silvello.
   
SR. CONSELHEIRO HARVEY JOSÉ SILVELLO – Não poderia ser diferente e eu não poderia deixar de me manifestar, considerando integrar o Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
E é imprescindível ressaltar que, realmente, pelo apoio, pela iniciativa, do nosso ilustre companheiro, nosso ilustre colega, Oswaldo Trigueiros Júnior, ele realmente adotou as medidas que foram por outro lado propostas pelo nosso ilustre companheiro, nosso ilustre colega João Flávio Pedrosa.

   
Quero parabenizar a você, João Flávio, pelo seu brilhante trabalho. Em nome de todos os colegas, seus companheiros do Conselho de Turismo, a todos aqueles que realmente colaboraram para você, para o desenvolvimento com pleno sucesso que tiveram.
A todos os agraciados, que aqui receberam as suas homenagens e a todos que estão presentes na mesa principal.
Parabéns. Nós todos estamos de parabéns por esse trabalho profícuo que deve, realmente, permanecer e continuar em 2009.
Parabéns a todos. (Aplausos)
SR. COORDENADOR JOÃO FLÁVIO PEDROSA -  Muito obrigado, Harvey.
Então faço agora o encerramento deste Seminário com a satisfação do dever semi-cumprido. Por quê?
Porque, efetivamente, ainda resta muito por fazer.  Brigadeiro Allemander, na sexta-feira, quando participei de um seminário da Anac sobre Segurança Operacional
, aceitei um novo desafio. É que a Segurança Operacional foi trazida a este seminário apenas em poucas passagens, já que todas as palestras tinham como fundo sempre a segurança. Só que agora a Anac está debruçada num grande problema. E nós todos temos consciência de que no próximo ano sofreremos uma auditoria, em maio, e o Brasil não pode deixar de passar nesse teste. Me coloco à disposição para fazermos juntos algo no sentido de multiplicar e desenvolver algumas das tarefas gigantescas, que exigem da Anac algo que ela não tem: estrutura de execução. Da transição em que estava, passou por uma crise e, atualmente, por mais que tenha boas intenções e caneta, ainda assim isso não vai resolver.
É preciso que exista apoio. E desenvolvimento de outros parceiros. Falta aí, talvez, um elemento fundamental, que é o processo de relações públicas da ANAC com a comunidade aeronáutica: há ainda questões de imagem. 
Mas hoje tive a satisfação, já comentei isso, de saber que está trabalhando na chefia de gabinete da presidente da Anac o Dr.Waldin Rosa de Lima, uma pessoa que estimo muito, e que já não via há muitos anos. Como já trabalhamos juntos, numa certa ocasião, juntos acho que ainda teremos a possibilidade de trabalhar pela Aviação.
E quando digo isso assim é porque, reafirmo, esse trabalho não será necessariamente em prol de A, B ou C, mas em prol da Aviação.

Quero, com essas palavras, ao dar por encerrado o Seminário Nacional de Aviação Civil, em 2008, ensejar a que nos encontremos em 2009 para continuar este trabalho em novas discussões temáticas.
Ao mesmo tempo quero agradecer a todos os presentes e também àqueles que não puderam comparecer e se tornaram ausentes no dia de hoje.
Devo dizer que a cada um de vocês, mais do que a qualquer um outro, agradeço pelo esforço de vir debater, pelo esforço de nos ouvir e pelo esforço que ainda teremos que realizar.
Mais que um simples obrigado é uma afirmação de fé na capacidade de todos os que aqui estiveram, como palestrantes e como participantes.
Em nome de todos os agraciados com o Troféu Asas da Paz e a seus representantes e padrinhos, desejo a todos um bom fim de ano, uma boa passagem de ano e que 2009 represente para nós essa base do futuro na Aviação.
Muito obrigado. Está encerrado o
Seminário Nacional de Aviação Civil de 2008. (Aplausos)

    Encerrado às 18h55m.
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