Como as Rádios podem se livrar da massificação do estilo TV?
(Silvia Melo) - Primeiro é saber se as rádios querem, se o faturamento vai compensando, para depois falar em massificação. O veículo é de massa. A Tv é de massa. A música tem que ser de massa. Livrar o que então? Não entendi!?!? Se uma rádio não massificar, vai perder audiência. Se massifica, alguém vai reclamar, por  isso?
Essa lógica serve para qualquer negócio que se pense.
No rádio as coisas são tão difíceis que pouca gente imagina o que é faturar um anunciozinho tendo que bonificar  com mil e uma piruetas. Cá em Sampa a brigona zela pelos segundos de uma rádio que tem um certo estilo e por isso as agências torcem um pouco a cara pro contato. É pura briga por audiência, portanto, tem que massificar. Beijos prá todos aí na página.
(Otávio Marquezzini) - Acho que foi o beijo da Silvia que me fez entrar nessa. Também de Sampa, acho que a pergunta compara dois veículos e imagina que as Músicas na TV ganham um certo destaque, vindo o Rádio a reboque. Não é bem isso: uma rádio programa muitas vezes antes, bem antes que a TV. Claro que tem uns programas especializados, etal, para a turma que fica inédito como numa bolha, até acontecer o lance do produtor da teve descobrir aquele talento... Se todo mundo ainda acredita em Papai Noel, fazer o que?
Fora isso é luta mesmo, correndo atrás de rádio. É na rádio que se ouve música, que se cria o clima. Música no carro, na empresa, em casa, na bicicleta, imagina se a Tv tem essa amplitude?!
(Sofia Loreno) - Fiz um curso de jornalismo em uma Faculdade, doze anos atrás, pensando em rádio, na interiorização das mensagens e na possibilidade de tratar a audiência com a informação mais rápida e, porque não, instantânea. Meu pai já era do rádio aqui em Goiania e foi uma carreira induzida. Só que minha visão musical se ressentia de uma falta total da programação mais afinada com os públicos regionais. Realmente o que passa na teve, toca nas rádios, de um modo geral, inclusive na que eu trabalho. Tentei montar uma programação com estruturas melódicas mais próximas da cultura do goiano e de sua vivência numa região onde os sons são diversos das máquinas industriais do sudeste, pegando as colheitadeiras como um exemplo, e fui ceifada, literalmente!...Quase perdí meu suado emprego e lá fui fazer matéria sobre os amigos do Presidente Lula, que se apresentariam num rodeio. Assim não dá! Espero que alguém pense mesmo nisso.
(Silvia Melo) - O Otávio se abriu com o beijo, mas prá não tornar a coisa íntima, fica aqui um aviso. Apesar de brigona, meus cabelos são longos, já fiz trança e hoje são lisos. Sigo a moda, que massifica até o tipo físico. Emagrecí por isso. Mas quem não segue a moda, morzinho, fica out em dois tempos. E rádio,  já disse  a coleguinha Sofia Loren, é a notícia no instantâneo, sem a foto. Continuo na matriz do industrial: se puder vender mais é porque minha audiência cresceu.
(Ouvinte Paciente) - Nossa! Imagina se isso fosse numa rádio?! Isso ia longe, gente! Acontece que na TV, onde eu trabalho, há brilho, movimento, luzes, cores e realidade. Quando um artista se apresenta, para milhars de telinhas, são bocas que ele está alimentando com as letras e as músicas que vão ser repetidas, se forem boas. E corta esse papo de massificação pelo rádio, primeiro, pois a TV usa a mesma matriz, se quiser, para cobrir o país todo em oito segundos. Tenta fazer rêde com rádio... Só governo consegue e mesmo assim, cês sabem que os temas nem sempre são agradáveis.
Sinceramente, na TV, a seleção musical de toda a programação, pelo menos aqui, (claro que não vou dizer o nome!!) é uma atividade de um diretor musical, muito bom, e de dois assistentes pra todos os horários de produção. Parece meio ditatorial, mas não funciona com ordens, mas sim com orientação. Criadores existem e eles tem muita liberdade. Quem disser que isso é massificação, está certíssimo. E viva a massa!
(Otávio Marquezzini) - Querida Silvia. Sinto-me tentado a olhar teu rosto. Não me bastam as silhuetas. Magra, de cabelos longos. Mas como trilhamos a mesma Marginal, espero que as Ondas sejam as mesmas também na rádio. Vai daí, concordamos em alguma coisa. Quando você se julga brigona já imaginei um tipo diferente, mas que decide na hora certa se certas músicas vão ou não ao ar. Essa decisão é pura economia em escala industrial ou existe algo de feeling  nisso? Você estaria disposta a correr o risco de mudar a programação da rádio ou simplesmente segue a moda? Beijos prá vc também!





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