Qual a percentagem de autores nacionais nas transmissões das rádios?
(Henrique Santos) - Parece que a turma do Rádio marcou mesmo presença por aqui. Será que música só toca em rádio? Autor nacional é o cara que faz a letra, ou letra e música, ou tem parceiro numa das pontas e passa a tentar uma grana aqui e ali prá fazer a primeira gravação. O rádio é uma indústria como qualquer outra, que produz comunicação. Se a música comunica, vai ter canal de distribuição. Se o autor é nacional ou estrangeiro, não é o rádio que limita - é o mercado, ou seja, a audiência. O resto é o resto. Não tem espaço prá tentativa. Já vi muito programador dando espaço pelo pedido de A ou de B e depois choveu telefonema desancando a rádio. Como é que vai se escolher entre nacional e estrangeiro? Por cota? Por tempo? Por percentagem? Vai ter controle? Quem vai controlar? É Censura!!! Abaixo qualquer tipo de censura!! Não pode deixar ninguém se enrolar em bandeira de partido e vir cantar na sua rádio porque foi indicado como autor nacional!!! O ouvinte saca de longe que o programador dançou e quem manda é um oficial de estrelinha no peito como no passado foi no ombro. As nossas estrelas vão pro palco e prá frente do microfone. Será que tou errado ou tou ferrado?
(Disco de Outro) - Falá em censura, têm alguém aí que acredita na programação livre? Livre d q cara pálida? Se um anunciante mandar tocar, vc vai tocar, q a rádio não é sua, é do comercial. Liberdade é palavra bonitinha no discurso. Na prática falta muita liberdade e sobra mta lei não praticada. Final da fita: se ninguém cumpre vira bagunça. Parecido com o que tá nos jornais todo dia, não é? A rádio toca nacional, sim, sei lá se dez, vinte ou oitenta por cento. Ninguém pode garantir isso. Só sei que o figurino tem que variar. Se a viola agrada um público, a guitarra agrada outro. Se o telecoteco foi substituído pela trance, na cabeça dos abestalhados, fazer o que? Quem vai dizer prá comer açucar se os médicos dizem que dá diabetes, mas o cara vai morrer de hipoglicemia numa plantação de cana? Será que a produção nacional perdeu a noção do que é qualidade ou foram os programadores de radiocinetv que perderam os contatos porque foram atravessados pelo mkt agressivo das gravadoras? Só sei que tá mudando, gente, tá mudando. Um espaço como este parece que caiu do céu prá quem é do ramo falar de liberdade. Quero só ler para crer...
(Patinho Bonito) - Liberdade e percentagem ficam bem distantes, que nem a Lua da Terra. Você olha pro céu e tá lá ela tão linda, refletindo no mar.  Quanto mais brilho, mais bonito fica. Mas só isso. Você não vai lá encima nem dentro do reflexo no mar. Ela existe enquanto brilha na noite , mas quando o sol brilha mais ela se apaga, mas fica alí do outro lado. Na beira do mar a gente escuta  umas radinho tocando prá fazer comercial de intervalo. Quanto menos comercial, mas audiência. Quem paga a conta, no fim do mês? É claro que é a publicidade. Olha a percentagem aí geeente!!! Se a música brasileira tiver se vendendo bem pros patrocínios, vai se vender bem nas rádios. Não deixa de ser uma lógica meio confusa, kafkaniana, o autor nacional tentar chegar a Lua, com seu barquinho à vela navegando no reflexo que chega até ele. Ele tem liberdade de navegar prá outros mares, mas quanto mais navega na direção da Lua, mais longe parece que ela fica. Tá na hora de acordar! Larga âncora em qualquer rádio e vai esperando que a oportunidade chega. Um dia vai chegar. Se você sabe que a Lua vai passar, no dia seguinte, ali mesmo, espera!!!... Prá que vai pro Caribe? A nacional vai voltar todo dia, gente, abrindo espaço pros bons autores. E a Tsunami estrangeira também passa...
Fui!!!





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